
O aumento do percentual de etanol na gasolina, determinado hoje pelo CNPE — Conselho Nacional de Pesquisa Energética — está sendo questionado por montadoras e importadores de veículos no Brasil.
Segundo a revista Autoesporte, Anfavea e Abeifa já se manifestaram contra a decisão do governo de aumentar a mistura de etanol na gasolina, alegando que isso poderá trazer danos aos veículos.
A entidade que reúne as montadoras mais antigas disse: “A Anfavea reafirma o apoio aos biocombustíveis como uma importante vantagem competitiva do Brasil para a descarbonização da mobilidade. No entanto, é contrária à elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) sem estudos técnicos específicos e conclusivos que comprovem a segurança e a compatibilidade com a frota brasileira.”
Do outro lado, as importadoras e também algumas montadoras associadas à Abeifa também não gostaram da alteração feita pelo governo.

“Soltamos uma carta ao governo falando sobre os impactos desse aumento. Nossas associadas terão que fazer um trabalho junto à matriz para adaptar os motores para os 32%. A Abeifa é contra o aumento neste momento. Entendemos os benefícios, mas precisamos de tempo para adaptar nossos motores”, disse a Abeifa.
O assunto do aumento da mistura de etanol na gasolina não é novo, mas agora toma uma proporção maior, haja vista que o mercado tem recebido uma profusão de carros chineses, notadamente abastecidos apenas com gasolina.
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A decisão do governo se apoia em estudos do Instituto Mauá, mas mesmo assim, as montadoras e os importadores de veículos veem a decisão com preocupação.
Carros flex não terão nenhum problema com a mudança, exceto aumento do consumo e menor autonomia, mas os carros abastecidos com gasolina foram calibrados para suportar um percentual menor, em muitos casos.

Além disso, carros mais antigos ainda em circulação, produzidos na época em que a projeção era de 22% de etanol na gasolina, sofrerão com o aumento da agressividade do álcool no combustível fóssil, segundo especialistas.
A alteração, já com vista a alcançar futuramente a gasolina E35, preocupa os fabricantes, que terão de buscar nas matrizes nova calibração para seus motores para o Brasil ou aplicar de vez a tecnologia flex.
Muitas marcas chinesas já estão apostando em modelos com propulsores flex, tanto aspirados quanto a gasolina, o que reduziria os riscos diante de uma gasolina E32.
Já algumas montadoras vislumbram carros abastecidos apenas com etanol, como a GM decidiu dar o pontapé inicial com o Onix Eco, por exemplo.
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