
Infraestrutura é uma palavra sem graça, mas o que ela esconde mexe com a vida real de todo mundo: buracos, obras intermináveis, ondulações e aquela sensação de que as estradas ficaram velhas demais para o trânsito atual.
Só que o preço dessa decadência não é pago apenas por motoristas e passageiros, porque a fauna também sofre, e muitas vezes do jeito mais brutal possível.
Uma pesquisa do Pew Charitable Trust estimou que acontecem entre 1.000.000 e 2.000.000 colisões por ano nos EUA envolvendo animais grandes como veados, ao longo de mais de 4.000.000 milhas de estradas.
E isso sem contar espécies menores e outros impactos que rodovias causam nos ecossistemas, o que faz do problema algo global e urgente.
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Na Índia, um projeto em teste na National Highway 45, no estado de Madhya Pradesh, tenta reduzir esse conflito com uma combinação de medidas que vai além do que se costuma ver.
Cercas e passagens subterrâneas para a fauna não são novidade, e lembram iniciativas como a grande travessia de vida selvagem em construção na Califórnia.
O que chama atenção ali é um padrão vermelho vibrante aplicado no asfalto, inspirado nas zonas de redução de velocidade pintadas de vermelho na Sheikh Zayed Road, em Dubai.
A intenção é simples e direta: lembrar motoristas de que estão atravessando habitat natural e induzir redução de velocidade justamente onde o risco de encontro com animais é maior.
A NH45 é uma via importante que conecta várias áreas estratégicas e corta pouco mais de sete milhas dentro da Veerangana Durgavati Tiger Reserve.
O trecho vermelho cobre 1,2 milhas de “zona de perigo” definida como área de alta densidade de vida animal, incluindo espécies como tigres, macacos e chitas.
As faixas vermelhas não são só pintura, porque cada segmento tem cinco milímetros de altura, permitindo que o motorista veja, ouça e sinta a mudança no piso.
Além disso, há sensores de velocidade embutidos, e o veículo não “desliza” suavemente se estiver rápido demais, reforçando a mensagem pelo desconforto.
O projeto foi apresentado como parte de uma iniciativa de engenharia ecologicamente responsável, que tenta equilibrar segurança humana, proteção da fauna e preservação ambiental.
O Ministério de Transporte Rodoviário e Rodovias da Índia descreveu a medida como um exemplo de como a engenharia pode proteger pessoas e animais sem sacrificar nenhum dos lados.
Ainda é cedo para cravar se o método vai funcionar no nível desejado, mas a lógica do projeto parte do princípio de que nenhuma solução isolada resolve o problema.
A estratégia aposta no conjunto: as cercas ajudam a conter e, principalmente, a direcionar os animais para travessias seguras ao longo do corredor.
Ao todo, existem 25 passagens subterrâneas distribuídas no trecho de 7,4 milhas, incluindo e indo além da zona de 1,2 milhas marcada pelas faixas vermelhas.
Isso é importante porque cerca não é muralha, especialmente com macacos que escalam com facilidade e tigres capazes de saltar até 16 pés de altura.
Por isso, o papel real da barreira é mais de “guiar” do que de impedir, canalizando o movimento para pontos onde o cruzamento pode acontecer sem virar atro pelamento.
O projeto também inclui iluminação com energia solar em áreas mais movimentadas, evitando uma rede extensa de fios que poderia representar risco para os próprios animais.
Se der certo, a ideia das faixas vermelhas poderia inspirar outros países, inclusive os EUA, onde já existem cerca de 1.500 passagens de fauna em 43 estados.
A adaptação, porém, não seria automática, porque regiões com neve pesada e limpeza constante com arados poderiam destruir ou apagar rapidamente um padrão elevado no asfalto.
Em climas mais amenos, o conceito parece quase óbvio: um alerta visual e tátil que força atenção onde placas, sozinhas, muitas vezes viram paisagem.
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