
Um placar duro no primeiro trimestre escancarou uma mudança de força no setor automotivo global, com as montadoras alemãs perdendo terreno para rivais japoneses e americanos.
Uma análise da empresa EY (Ernst & Young) aponta que a receita dos grandes grupos de automóveis subiu 2% no período, mas o bloco alemão foi na direção oposta, com queda de 4%.
O contraste aparece num momento em que tarifas, conflitos e uma virada tecnológica acelerada estão mexendo com demanda, custo industrial e estratégia de produto.
Segundo a EY, quem puxou a alta foi principalmente Japão e Estados Unidos, reforçando que a recuperação não está distribuída igualmente entre os grandes players.
Para o especialista do setor na EY, Constantin Gall, a indústria automotiva alemã atravessa uma “transformação estrutural profunda”, que não se resolve com ajustes de curto prazo.
Ele cita perdas em mercados cruciais como Estados Unidos e China, justamente onde volume e margem costumam sustentar grandes ciclos de investimento.
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Ao mesmo tempo, há o peso da capacidade ociosa cara, que pressiona resultados quando a produção não roda perto do ideal e o custo fixo vira âncora.
Outro fator é o salto de gastos com software, já que o carro virou plataforma digital e a corrida por atualizações, conectividade e assistentes exige bilhões e tempo.
Só que a transição para a mobilidade elétrica continua avançando de forma mais lenta do que o necessário para aliviar essa conta, segundo a leitura do relatório.
Com menos fôlego em EVs e custos crescendo, a margem para errar diminui, especialmente quando concorrentes entregam produtos competitivos com ciclos mais ágeis.
O ambiente externo também piora, porque a crise envolvendo o Irã adiciona incerteza e tende a elevar preços de energia e combustíveis, com risco de inflação maior.
Esse tipo de choque costuma bater direto no bolso e na confiança do consumidor, e a expectativa é de que isso enfraqueça a demanda na Europa.
Para o Brasil, o recado é indireto, mas relevante, porque a cadeia global e as decisões de investimento das marcas europeias influenciam portfólio, tecnologia e ritmo de lançamentos.
Gall avalia que o declínio deve continuar e afirma que 2026 tende a ser “outro ano de crise” para a indústria automotiva, com pressões adicionais pela frente.
O resultado é um cenário em que as montadoras alemãs precisam provar rapidamente que conseguem competir em software, reagir em China e EUA e acelerar EVs sem estourar custos.
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