
A estreia elétrica da Lamborghini perde espaço mais uma vez, deixando a marca sem qualquer EV previsto para chegar ao mercado antes de 2030.
O Lanzador será lançado como híbrido plug-in, segundo Stefano Cossalter, diretor de produto responsável pelo Urus e pelo futuro modelo da fabricante italiana.
Apresentado na Monterey Car Week como um conceito gran turismo 2+2 totalmente elétrico, o veículo deveria inaugurar a quarta linha de produtos da Lamborghini.
Três anos depois, o projeto abandona sua proposta original e deverá utilizar uma evolução do conjunto híbrido plug-in empregado atualmente pelo Urus.
A expectativa é que o sistema combine um motor V8 biturbo de 4,0 litros com componentes elétricos, embora a configuração definitiva ainda não tenha sido anunciada.

Cossalter afirmou ao What Car? que o Lanzador de produção provavelmente chegará apenas perto do fim da década, ampliando novamente seu cronograma.
Últimas notícias
A primeira previsão apontava lançamento em 2028, mas o início das vendas foi posteriormente mudado para 2029 antes da mudança completa de motorização.
Em julho do ano passado, o CEO Stephan Winkelmann já havia levantado dúvidas sobre a configuração elétrica ao citar uma desaceleração na aceitação dos EVs.
Fevereiro trouxe uma posição ainda mais direta, quando Winkelmann confirmou o cancelamento do Lanzador elétrico e chamou seu desenvolvimento de “passatempo caro”.
Agora, Cossalter atribui a decisão principalmente à reação dos consumidores, afirmando que houve pouco ou nenhum interesse por um Lamborghini totalmente elétrico.

Segundo o executivo, os clientes da marca não demonstraram disposição para comprar esse tipo de veículo, enquanto a tecnologia ainda não seria suficientemente madura.
Ele reconheceu que um EV pode oferecer grande precisão, potência elevada e torque imediato, mas considerou que essas características não garantem envolvimento emocional.
Enquete
Lanzador da Lamborghini: trocar EV por híbrido V8 biturbo vale o adiamento até perto de 2030?
Vote e veja o resultado em tempo real.
6 votos
Na avaliação de Cossalter, um automóvel elétrico pode ser extremamente rápido, porém não entrega atualmente a experiência emocional esperada pelos compradores da Lamborghini.
O executivo também descartou um Urus elétrico e confirmou que o modelo continuará sendo o único SUV oferecido pela fabricante em sua linha global.
Pesquisas envolvendo composição química das células e desenvolvimento de software seguem internamente, preparando soluções para uma possível estreia elétrica depois de 2030.
A decisão coloca a Lamborghini em direção diferente da adotada por algumas de suas principais concorrentes no segmento de alto desempenho e luxo.
A Porsche já oferece uma configuração totalmente elétrica do Cayenne sobre uma arquitetura dedicada, enquanto Ferrari e Bentley desenvolvem seus primeiros EVs.
Fabricantes chinesas também avançam nesse espaço, com a Yangwang, divisão de alto luxo da BYD, comercializando o superesportivo elétrico U9 de aproximadamente 1.318 cv.
A BYD ainda prepara a expansão europeia da Denza com um novo superesportivo, aumentando a presença chinesa entre modelos de desempenho elevado.
A croata Rimac, por sua vez, mantém diversos recordes de aceleração para automóveis de produção com o Nevera totalmente elétrico.
Esses exemplos mostram que potência e velocidade já atingiram níveis elevados nos EVs, embora a Lamborghini questione a experiência proporcionada aos seus consumidores.
Recursos como sons artificiais e trocas de marcha simuladas também aparecem em modelos de outras fabricantes para aproximar a condução elétrica de sensações tradicionais.
Adiar a estreia para depois de 2030 permitirá observar a evolução do mercado, mas também ampliará a vantagem técnica acumulada pelas concorrentes nesse período.
Até lá, a Lamborghini concentrará seus esforços nos híbridos plug-in, preservando motores a combustão enquanto acompanha baterias, software e preferências de seus clientes.
