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A rápida evolução dos carros elétricos

Se você está acostumado com a rapidez na evolução de produtos eletrônicos, então se prepare, pois os carros já estão alcançando um nível bem parecido, pelo menos os movidos por bateria. Em 2009, os elétricos tinham autonomia suficiente para suas pretensões, que se resumiam em apenas 160 km. Tudo baseado em estudos de mercado…

Agora a coisa mudou. Carro elétrico não é mais um veículo apenas para uso urbano e as pesquisas daquela época ficaram totalmente desatualizadas em poucos anos. A virada para o segmento veio da crise econômica de 2008/2009, que fez alguns fabricantes pedir falência e praticamente todos os demais a reverem suas políticas e estratégias.


O passado do chumbo-ácido foi trocado pelo níquel-cádmio e posteriormente pelo níquel-hidreto-metálico. Mas, todos estes ainda não representavam a evolução que aconteceria após ao quase fim de GM e Chrysler, bem como das implicações seguintes em termos de qualidade e segurança de vários fabricantes. A gasolina, que era cara, ficou barata. O diesel, que era raro em carros nos EUA, virou moda com o “Clean Diesel”.

A China, devoradora de automóveis, queria tudo e todos de uma só vez. Na Europa, mergulhada em crise, a recuperação se iniciava lentamente, mas o diesel ainda era o senhor feudal nos três principais mercados. Já o Brasil, alimentado por injeções de IPI diretamente na veia, era o paraíso na terra ocidental. Então, vem a Nissan com seu Leaf, mostrando um futuro global plugado.

A rápida evolução dos carros elétricos


Better Place apontou o problema

A Renault vai além e apresenta uma gama completa de elétricos e até um sistema de troca de baterias automatizada. Naquela época, era a solução para a baixa autonomia das células de íons de lítio, o que de fato viria a revolucionar o segmento, saindo de notebooks, tablets e smartphones para ganhar as ruas, literalmente. A “nova” GM tinha no Volt a sua salvação de imagem, embora o controverso elétrico usasse seu motor 1.4 para mover as rodas também…

Mas de volta à Renault, ou melhor, Better Place, uma fundação que se associou os franco-nipônicos, a criação de estações de trocas de baterias em segundos era uma boa ideia. O tempo de recarga era (e ainda é) alto e trocar o pacote por um preço razoável resolvia o problema de muita gente, especialmente de quem morava em condomínio, onde a recarga doméstica é impossível, mesmo em projetos mais atuais.

Mas o Better Place apontou um problema, que evidenciava uma rápida mudança de opinião entre os consumidores. Os 160 km ideais já não eram mais suficientes e o projeto fez água imediatamente. Sem troca de baterias, a solução foi melhor o que já existia e nesse caso era a bateria de lítio. O aumento de densidade começou a subir com a proposta de Elon Musk com a Tesla Motors.

500 km, o alcance da viabilidade

Rodar 500 km parecia algo para os próximos 10 anos, mas nos últimos três, a Tesla conseguiu atingir 482 km. Em março de 2016, Peter Zetsche, CEO da Daimler, sentenciou que os carros elétricos só seriam viáveis comercialmente a partir de 499 km de autonomia, mas que esse ponto de virada tinha data incerta, talvez ocorrendo dentro dos próximos dois anos. Se o alcance proposto for o correto, então o chefe alemão pode comemorar, pois a marca já atingida dentro de casa, digo, Alemanha.

Em Paris, o Opel Ampera-e oficialmente – ditado pela NEDC – tem 500 km de autonomia. O marco esperado para o carro elétrico e prometido há meses por Volkswagen, Tesla e a própria Mercedes-Benz, entre outras, sempre exibidas a bordo de conceitos, materializou-se essa semana. O compacto é o primeiro a cruzar a linha na Europa, embora a Tesla venha com sua versão P100D com quase 600 km.

De qualquer forma, tanto a Opel quanto a Tesla mostram que a viabilidade do carro elétrico, apontada por Zetsche, foi finalmente atingida. Esse é o ponto de virada? Só o mercado dirá. Mas a espantosa velocidade em que as previsões futuras para o segmento ficam desatualizadas é incrível.

Até mesmo os boatos no meio automotivo parecem ficar para trás tamanha essa evolução. Dizia-se há pouco tempo que o Renault Zoe teria entre 320 e 350 km de autonomia, mas Carlos Ghosn apresentou o compacto com 400 de alcance em Paris. A meta de 500 km não parece mais coisa para os próximos anos, apesar dos conceitos mais recentes já focarem seus alvos em 600 km.

Isso não deve demorar a acontecer para as marcas tradicionais, pois o Ampera-e conseguiu o feito com 70 kWh, algo que a Tesla precisou de 90 kWh. O Zoe faz quase isso com bem menos: 41 kWh. Elon Musk disse que o limite de 100 kWh é um limite para a Tesla. A Volkswagen trabalha com 95 kWh para seus futuros elétricos, que igualmente chegarão a 600 km.

Com o Dieselgate, o carro de emissão zero ganhou um empurrão a mais. Mesmo a gasolina barata nos EUA não fez as vendas da Tesla caírem e seu Model 3 já mostra que será um sucesso com quase 400 mil reservas, feitas por consumidores que ficarão pelo menos dois anos na fila! Eles ainda pagaram por isso… A Volkswagen já aponta o conceito ID como sucessor de Beetle e Golf, colocando-o numa posição de destaque impensável há poucos meses.

Custo elevado

Por enquanto, a questão do alcance parece ter resolvido parte de um problema maior, o preço. Os carros elétricos ainda são caros em comparação com os diesel e gasolina. Mesmo com a autonomia maior, seu preço para o consumidor continua proibitivo para as massas, necessitando de incentivos fiscais para poder dar acesso a boa parte dos clientes. Hoje, o custo do kWh está em US$ 140, sendo que o ideal para que um carro elétrico custe o mesmo que um equivale a combustão é de US$ 100.

Para os irmãos Kreisel, que fabricam pacotes de baterias e propulsores elétricos na Áustria, algumas operações hoje já alcançam essa marca ideal, mas o volume, fundamental para que o custo efetivamente seja baixo o suficiente para termos preços equivalentes entre estes segmentos, ocorrerá quando a Tesla Motors começar a fabricar 100.000 carros/ano a partir de 2019. Musk pretende fazer 500.000/ano e até dorme na fábrica para que Fremont alcance o volume pretendido na hora em que o Model 3 começar a sair da linha de montagem.

A rápida evolução dos carros elétricos

E o tempo de recarga? Carregadores rápidos também ajudam a tornar os carros elétricos mais vantajosos, pois de 15 minutos a 1 hora, vários modelos conseguem obter (gratuitamente ou não) quilômetros adicionais para o proprietário continuar a viagem.

A Tesla, mais uma vez ela, inovou com o Supercharger, uma rede de eletropostos para que os Model S e X não deixem seus ocupantes no meio da estrada. Além do plugue, já começam a surgir recargas wireless (sem fio) e até propostas de vias eletrificadas, que reabastecem de energia os veículos que rodam por elas. Promessa para quantos anos? Como Zetsche, não temos uma data exata. Quem sabe nos próximos dois anos?

A rápida evolução dos carros elétricos
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  • Ricardo

    Os híbridos atuais recarregam os motores elétricos automaticamente ou também é necessário plugá-los?

    • Matheus

      Depende do modelo. Existem híbridos plug-in, como por exemplo o BMW i8 e híbridos sem plug-in como o Prius, onde somente o motor a combustão carrega as baterias.

    • Marcos

      A recarga por motores a combustão é meio lenta então se você quer uma grande autonomia nos híbridos é melhor você comprar um “plug-in” (híbridos que podem ser recarregados em tomadas).

      • VaeVictis

        Eles chamam híbridos mas:
        -em caso de quebra do motor elétrico o carro não anda.
        -em caso de quebra do motor a gasolina o carro não anda.
        O híbrido deve ter dois sistemas alternativos para o outro, esto de Toyota é ‘o oposto do híbrido.

  • Parece que os elétricos realmente são o futuro dos automóveis, e seguindo essa linha, o design dos carros futuristas. Acredito que os 100% elétricos ganharão rapidamente o gosto dos consumidores, diferentemente dos híbridos que ainda não são tão populares, mesmo sabendo que o motor à combustão recarrega o motor elétrico. Enfim…

  • delvane sousa

    Vai demorar muito. Enquanto vender gasolina e álcool for mais lucrativo não haverá chances para os elétricos por aqui. Quem sabe dentro de 5 anos as coisas mudam um pouco.

  • Ricardo

    Híbridos que recarregam automaticamente são mais adequados que 100% elétricos, o Planeta não suportará todos os carros elétricos, por isso o ideal é mesclar todas as formas possíveis de energia, até mesmo à gasolina, nem que seja só para competições e Track Days! Se tivesse dinheiro teria na minha garagem um híbrido e um preparado para Track Day! Haha

    • rgrigio

      Isso se os estudos se basearem na disponibilidade do metal lítio para a confecção das baterias. Materiais alternativos como os nanotubos de carbono e outros podem tornar viável uma frota 100% elétrica.

      • Ricardo

        E como produzir energia para toda a frota mundial!?

        • João Holmes

          Energia solar vai produzir energia para o mundo todo. Os preços dos painéis só caem e nos EUA já produzem energia a preço de concessionária. Hibrido não resolve pois depende do petróleo e um dia ele acaba ou ficará caro demais. Híbridos são apenas uma parte da transição dos motores a combustão para os elétricos puros.

          • Ricardo

            Mas painéis solares necessitam de áreas muito grandes, a não ser que um dias todos os telhados das casas sejam solares, como aquela cidade da Alemanha 100% auto sustentável!

  • Deadlock

    Enquanto tivermos a baboseira do “o petróleo é nosso”, vai ser difícil…

  • Airplane

    Os elétricos e híbridos são o futuro da indústria automobilística. Enquanto isso aqui no BrHue fazem lobby para a introdução do diesel nos carro de passeio. Lamentável !

    • Douglas

      O consumidor deve ter o direito de escolher se quer um carro a gasolina ou diesel.
      Lembre que existe também o lobby dos usineiros.

  • A pergunta que não quer calar. Os futuros automóveis também serão tão descartáveis como a maioria dos eletrônicos atuais?

    • T1000

      acho que depende da durabilidade e custo de reposição das baterias, pois um elétrico tem bem menos partes que um à combustão. Basicamente é motor+inversor, e como esses motores nem escovas têm, acredito que a manutenção fique restrita a pneus/freios/amortecedores somente.

  • Na Moral!

    Vejo num futuro bem proximo, a recarga sendo feita atraves de ondas, sem fio ou qq outra conexao, vc deixa seu carro na garagem ou outro local, ou ate mesmo em movimento carregando.

  • jean

    tenho um conhecido que tem um fusion hybrid, é sensacional, faz 25km/l na cidade, eu vejo isso como uma solução interessante pois garante autonomia e o investimento é pouco, não é possível imaginar que os postos de combustiveis, muito bem consolidados no mundo, não servirão de nada, no caso do hybrid, eles ainda serão úteis… enquanto isso, meu carrinho faz 7/8 na cidade…. triste

    • Gusbar Kuati

      A bateria do Fusion dura uns 8 anos, já viu o preço para comprar novas? Parece que custam mais de R$ 30.000,00… além de ter pago bem mais caro no carro 0 km, pagar mais IPVA, pagar mais caro de seguro… não sei onde seu amigo está economizando.

      • T1000

        é o que ia dizer, é um carro bem mais caro que o fusion normal e, se não tiver $$ para trocar as baterias depois, vira um fusion normal, mas mais pesado e mais gastão. Quanto combustível será que se compra com essas diferenças de valores?

        • Gusbar Kuati

          Tem tb a desvalorização, vc compraria um carro usado que daqui um tempo terá de fazer uma manutenção que esfolará seu bolso (trocar as baterias)? Eu não! Aí vc soma ainda a desvalorização do carro.
          A conta é complexa, tem que colocar tudo numa planilha do Excel, nem lembro, mas um Fusion Hybrid era uns R$ 20.000,00 mais caro que um Fusion similar, vc tem q colocar esses R$ 20.000,00 rendendo juros tb.
          Enfim, não é uma conta fácil, mas acho q o cara tem q rodar uns 600 mil km para compensar a escolha pelo Fusion Hybrid.
          O lance é q as pessoas não fazem contas, só quer arrotar pros amigos que o Híbrido dele faz 25 km/l na cidade, mas tá tomando uma naba monstra financeiramente. Dinheiro não aceita desaforo.

          • T1000

            Concordo; e creio que, no melhor caso, o valor de um hybrid usado tenda a acompanhar o valor de um normal. Acho que vai ter muito hybrid por aí sem baterias, rodando só a combustão.

        • Danilo

          Onde o primeiro dono vai ficar com seu fusion por maisde 8 anos? Não passa do segundo praricaente. Quanto a valor e ipva o cara tem que colocar na ponta do lapis.

          • Gusbar Kuati

            Independente do número de anos que o dono ficará com o carro, se o cara fica 3 anos por exemplo, o segundo dono irá pesquisar, verá que qdo for vender o carro o terceiro dono fará uma pesquisa e verificará que talvez tenha de tirar um monte de grana do bolso pra trocar as baterias… ou seja, o valor de revenda do Fusion Hybrid sempre será afetado, a não ser que encontre um comprador goiaba que não pesquise porcaria nenhuma e ache q as baterias são highlander, ache q nunca precisam ser substituídas.

            • Danilo

              Isso ja é la para o terceiro dono, pra quem for tirar zero é bem tranquilo. Compra usado já são outros quinhetos, ai vai de cada caso e tempo de uso do carro e de quem vai usa-lo. Fiquei tentado a compra um fusion hybrid desse novo usado. 2013 , 2014 por cerca de 110mil. Pesquisei bastante e sinceramente não comprei porque estava quase um carro popular acima de meu orçamento kkkkkkk, se não teria levado fácil para garagem de casa.

      • durango

        aí faz o gato com a de chumbo e vamos que vamos!

    • João Holmes

      A conta é bem simples. Compra híbrido e elétricos no Brasil quem quer experimentar o futuro. Se for fazer as contas direitinho, considerando depreciação, taxa interna de retorno, valor presente líquido, custo de oportunidade e outros, vai ver que gasta mais que o mesmo carro a gasolina. Então não caia nessa ilusão se você quer economizar.

  • Gusbar Kuati

    O problema é a tecnologia. Travamos no lítio!! Precisamos de algo que revolucione.
    O problema da vida útil das baterias (que duram aí 8 anos e depois não seguram mais adequadamente a carga) já foi resolvido, mas a tecnologia do lítio trava a autonomia, viram ali a Tesla falando que não dá mais do que 100 kWk, ou seja, pro futuro existir bora largar o lítio e partir pra uma nova tecnologia.

  • Munn Rá : O de Vida Eterna

    Se esses carros elétricos vierem para o Brasil será culpa da ” mídia golpista ” e das ” zelites ” porque por causa deste ” golpe ” o PT não vai poder lançar através da estatal automobilística Dilmabrás os carros éolicos ( carros movidos estocadores de vento ) além dos mandiocarros ( carros movidos á mandioca ) ………………………………………………………. comentário em IRONIC MODE

    Agora falando sério : Espero que os carros elétricos ( e também os híbridos ) encontrem mais espaço no Brasil seja por meio de incentivos fiscais seja propiciando locais de recarga entre outros e um carro que gostaria muito de ver no Brasil seria o Byd Qin

  • Douglas

    Os elétricos ainda são minoria até mesmo em países desenvolvidos como Suíça e Noruega.
    Carros elétricos só pegarão mesmo se custarem o mesmo que um a gasolina.

  • Ricardo

    Espero que um dia os carros elétricos sejam auto recarregáveis através dos freios, catadores de ventos, energia solar, etc. Acho que não é impossível!

  • Leonardo de Matos

    Com Honda Civic a 126.000 o Prius passa a ser interessante. Custa. 123.000
    Se a justificativa do motor 1.5 turbo é entregar potência, torque com economia o Prius faz isso melhor cobrando menos.

    • Gusbar Kuati

      ????? Tá doidão, não entendi o comparativo.
      Já q o foco é economia, pegue um UP TSI, ele será mais econômico que o Prius na estrada (bem menos na cidade, eu sei), custa menos da metade do Prius e tem desempenho MUITO melhor.

  • Adriano Lius II

    Impossível que ngm pensou em criar um dínamo que ao se movimentar o veículo começa a gerar energia assim tendo uma autonomia quase infinita, ao rodar vai recarregando as baterias. Não creio que isso seja impossível, ou que ngm pensou nisso antes.

    • Alcindo Gandhi

      Procure no Google sobre moto contínuo ou moto perpetuo que você vai entender porque isso não é possível.

    • Gusbar Kuati

      Impossível, quebra a Lei da entropia.
      Melhor esquema é o da turbina, turbina mesmo igual de avião e não turbo. Turbina bebe qquer coisa que queime, é flex de verdade, ela pode ser pequena, gira a 70 mil rpm, uma turbina pequena só para carregar as baterias, como aquele super carro chinês, é o futuro.

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