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A rápida evolução dos carros elétricos

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Se você está acostumado com a rapidez na evolução de produtos eletrônicos, então se prepare, pois os carros já estão alcançando um nível bem parecido, pelo menos os movidos por bateria. Em 2009, os elétricos tinham autonomia suficiente para suas pretensões, que se resumiam em apenas 160 km. Tudo baseado em estudos de mercado…

Agora a coisa mudou. Carro elétrico não é mais um veículo apenas para uso urbano e as pesquisas daquela época ficaram totalmente desatualizadas em poucos anos. A virada para o segmento veio da crise econômica de 2008/2009, que fez alguns fabricantes pedir falência e praticamente todos os demais a reverem suas políticas e estratégias.

2014 Nissan LEAF™

O passado do chumbo-ácido foi trocado pelo níquel-cádmio e posteriormente pelo níquel-hidreto-metálico. Mas, todos estes ainda não representavam a evolução que aconteceria após ao quase fim de GM e Chrysler, bem como das implicações seguintes em termos de qualidade e segurança de vários fabricantes. A gasolina, que era cara, ficou barata. O diesel, que era raro em carros nos EUA, virou moda com o “Clean Diesel”.

A China, devoradora de automóveis, queria tudo e todos de uma só vez. Na Europa, mergulhada em crise, a recuperação se iniciava lentamente, mas o diesel ainda era o senhor feudal nos três principais mercados. Já o Brasil, alimentado por injeções de IPI diretamente na veia, era o paraíso na terra ocidental. Então, vem a Nissan com seu Leaf, mostrando um futuro global plugado.

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Better Place apontou o problema

A Renault vai além e apresenta uma gama completa de elétricos e até um sistema de troca de baterias automatizada. Naquela época, era a solução para a baixa autonomia das células de íons de lítio, o que de fato viria a revolucionar o segmento, saindo de notebooks, tablets e smartphones para ganhar as ruas, literalmente. A “nova” GM tinha no Volt a sua salvação de imagem, embora o controverso elétrico usasse seu motor 1.4 para mover as rodas também…

Mas de volta à Renault, ou melhor, Better Place, uma fundação que se associou os franco-nipônicos, a criação de estações de trocas de baterias em segundos era uma boa ideia. O tempo de recarga era (e ainda é) alto e trocar o pacote por um preço razoável resolvia o problema de muita gente, especialmente de quem morava em condomínio, onde a recarga doméstica é impossível, mesmo em projetos mais atuais.

Mas o Better Place apontou um problema, que evidenciava uma rápida mudança de opinião entre os consumidores. Os 160 km ideais já não eram mais suficientes e o projeto fez água imediatamente. Sem troca de baterias, a solução foi melhor o que já existia e nesse caso era a bateria de lítio. O aumento de densidade começou a subir com a proposta de Elon Musk com a Tesla Motors.

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500 km, o alcance da viabilidade

Rodar 500 km parecia algo para os próximos 10 anos, mas nos últimos três, a Tesla conseguiu atingir 482 km. Em março de 2016, Peter Zetsche, CEO da Daimler, sentenciou que os carros elétricos só seriam viáveis comercialmente a partir de 499 km de autonomia, mas que esse ponto de virada tinha data incerta, talvez ocorrendo dentro dos próximos dois anos. Se o alcance proposto for o correto, então o chefe alemão pode comemorar, pois a marca já atingida dentro de casa, digo, Alemanha.

Em Paris, o Opel Ampera-e oficialmente – ditado pela NEDC – tem 500 km de autonomia. O marco esperado para o carro elétrico e prometido há meses por Volkswagen, Tesla e a própria Mercedes-Benz, entre outras, sempre exibidas a bordo de conceitos, materializou-se essa semana. O compacto é o primeiro a cruzar a linha na Europa, embora a Tesla venha com sua versão P100D com quase 600 km.

De qualquer forma, tanto a Opel quanto a Tesla mostram que a viabilidade do carro elétrico, apontada por Zetsche, foi finalmente atingida. Esse é o ponto de virada? Só o mercado dirá. Mas a espantosa velocidade em que as previsões futuras para o segmento ficam desatualizadas é incrível.

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Até mesmo os boatos no meio automotivo parecem ficar para trás tamanha essa evolução. Dizia-se há pouco tempo que o Renault Zoe teria entre 320 e 350 km de autonomia, mas Carlos Ghosn apresentou o compacto com 400 de alcance em Paris. A meta de 500 km não parece mais coisa para os próximos anos, apesar dos conceitos mais recentes já focarem seus alvos em 600 km.

Isso não deve demorar a acontecer para as marcas tradicionais, pois o Ampera-e conseguiu o feito com 70 kWh, algo que a Tesla precisou de 90 kWh. O Zoe faz quase isso com bem menos: 41 kWh. Elon Musk disse que o limite de 100 kWh é um limite para a Tesla. A Volkswagen trabalha com 95 kWh para seus futuros elétricos, que igualmente chegarão a 600 km.

Com o Dieselgate, o carro de emissão zero ganhou um empurrão a mais. Mesmo a gasolina barata nos EUA não fez as vendas da Tesla caírem e seu Model 3 já mostra que será um sucesso com quase 400 mil reservas, feitas por consumidores que ficarão pelo menos dois anos na fila! Eles ainda pagaram por isso… A Volkswagen já aponta o conceito ID como sucessor de Beetle e Golf, colocando-o numa posição de destaque impensável há poucos meses.

File photo of Mark Cuyler, an operations manager at Tesla, walking a Model S through the company's factory in Fremont

Custo elevado

Por enquanto, a questão do alcance parece ter resolvido parte de um problema maior, o preço. Os carros elétricos ainda são caros em comparação com os diesel e gasolina. Mesmo com a autonomia maior, seu preço para o consumidor continua proibitivo para as massas, necessitando de incentivos fiscais para poder dar acesso a boa parte dos clientes. Hoje, o custo do kWh está em US$ 140, sendo que o ideal para que um carro elétrico custe o mesmo que um equivale a combustão é de US$ 100.

Para os irmãos Kreisel, que fabricam pacotes de baterias e propulsores elétricos na Áustria, algumas operações hoje já alcançam essa marca ideal, mas o volume, fundamental para que o custo efetivamente seja baixo o suficiente para termos preços equivalentes entre estes segmentos, ocorrerá quando a Tesla Motors começar a fabricar 100.000 carros/ano a partir de 2019. Musk pretende fazer 500.000/ano e até dorme na fábrica para que Fremont alcance o volume pretendido na hora em que o Model 3 começar a sair da linha de montagem.

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E o tempo de recarga? Carregadores rápidos também ajudam a tornar os carros elétricos mais vantajosos, pois de 15 minutos a 1 hora, vários modelos conseguem obter (gratuitamente ou não) quilômetros adicionais para o proprietário continuar a viagem.

A Tesla, mais uma vez ela, inovou com o Supercharger, uma rede de eletropostos para que os Model S e X não deixem seus ocupantes no meio da estrada. Além do plugue, já começam a surgir recargas wireless (sem fio) e até propostas de vias eletrificadas, que reabastecem de energia os veículos que rodam por elas. Promessa para quantos anos? Como Zetsche, não temos uma data exata. Quem sabe nos próximos dois anos?







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