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A relação da Volkswagen com a ditadura militar no Brasil

volkswagen-anchieta A relação da Volkswagen com a ditadura militar no Brasil

A Volkswagen ordenou uma investigação sobre sua relação com a ditadura militar no Brasil, onde esta imperou entre 1964 e 1985. No entanto, o jornal alemão Süddeutsche Zeitung e as emissoras de TV estatais NDR e SWR, conseguiram acesso exclusivo ao material do inquérito sobre a colaboração da empresa com o regime naquele período, sendo esta mais intensa do que se imaginava.



Vários documentos considerados secretos foram acessados pelo trio de imprensa alemão, sendo muitos deles do extinto Dops (Departamento de Ordem Política e Social) e do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Sabe-se, por exemplo, que a matriz em Wolfsburg só teve conhecimento do que acontecia na Volkswagen do Brasil por volta de 1979.

De acordo com o publicado pelo Süddeutsche Zeitung, dentro da fábrica da VWB na Anchieta, os empregados eram presos e torturados pelo Dops. O motivo dessas ações era que os funcionários fariam parte de um grupo de oposição que distribuía material comunista e fazia reuniões sindicais.

Segundo a investigação e também entrevistas da imprensa alemã com ex-funcionários, detidos em 1972, a Volkswagen espionava os funcionários para saber suas ideologias e se haviam se juntado ao grupo oposicionista. Os nomes eram colocados em “listas negras”, entregues diretamente ao Dops, que assim executava as prisões e submetiam os empregados à tortura, alguns durante meses.

Um ex-funcionário teria sido torturado por oito meses e preso por mais 16 meses. Esses períodos de detenção e agressão contra o antigo empregado se deu com a colaboração do serviço de segurança da Volkswagen, acusado de ser o braço da polícia política do regime dentro da fábrica.

Para o historiador alemão Christopher Kopper, havia uma colaboração “regular” entre os dois lados. A empresa teria permitido a prisão de funcionários e assim contribuído de certa forma para essas detenções. Ele sugeriu um pedido de desculpas aos ex-funcionários. Por volta de 1979, empregados da VWB teriam ido até a Alemanha para confrontar o presidente da empresa na ocasião, Toni Schmücker, revelando assim a colaboração entre a filial e a ditadura militar brasileira.

Centros de detenção e tortura

A Volkswagen não se pronuncia sobre o teor das informações, reiterando que a investigação interna está sendo tocada por Kopper, que entregará o resultado final do levantamento do caso no final do ano. No entanto, paralelamente, uma inquérito foi aberto em São Paulo há dois anos para apurar a colaboração da VW com o regime ditatorial naquele período.

A investigação revelou que a montadora tinha dependências dentro da fábrica da Anchieta, que foram cedidas aos militares, que as utilizavam como centros de detenção e tortura. Durante o regime, a Volkswagen do Brasil teria doado 200 veículos para as autoridades, que os utilizavam nos serviços de repressão.

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) constatou após as investigações que diversas empresas privadas, nacionais e estrangeiras, contribuíram com apoio financeiro e operacional para o regime. A comissão investiga violações de direitos humanos cometidas durante os anos em que o Brasil foi governado pela ditadura.

[Fonte: Folha]

Agradecimentos ao Francesco Rey Mauro.

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