A Stellantis está recuando ou só comprando tempo? Oito modelos a combustão dominam o palco e os EVs ficam em segundo plano

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Bastou um dia inteiro de apresentações em Auburn Hills, Michigan, para a Stellantis admitir em voz alta que Jeep, Ram, Chrysler e Dodge precisam de um choque de produto.

Antonio Filosa, CEO da Stellantis, detalhou no Investor Day uma estratégia global para impedir que Chrysler e Dodge continuem encolhendo até a irrelevância no mercado norte-americano.

O plano mantém oficialmente as 14 marcas do grupo, mas DS e Lancia devem ser “dobradas” junto de Citroën e Fiat, cenário que pode fazer esses nomes sumirem.

Se essa reorganização realmente apagar DS e Lancia, a Stellantis ficaria com 12 marcas automotivas, número que igualaria o total de marcas automotivas e de motos do Volkswagen Group.

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Sob o guarda-chuva do FaSTLAne 2030, a companhia promete lançar 20 novos veículos só na América do Norte, além de reforços para Peugeot, Fiat, Opel, Alfa Romeo, Citroën e Maserati.

Analistas e jornalistas esperavam ouvir sobre encerrar marcas, reduzir fábricas e cortar empregos, e Filosa até falou em fechamentos e demissões na Europa.

Nos Estados Unidos, porém, não apareceu discurso de retração, e a narrativa foi a de trazer produtos novos de Chrysler e Dodge como marcas regionais.

Jeep e Ram, por outro lado, foram apresentadas como marcas globais, com missão de crescer mais fora dos EUA para sustentar o restante do portfólio em casa.

Com picapes no centro do DNA da Ram, Filosa apontou o futuro com a Ram Dakota de porte médio e a Ram Rampage compacta, que será homologada para os EUA.

As duas foram mostradas lado a lado no Stellantis Design Dome, e a Dakota pareceu alguns centímetros mais alta, enquanto a Rampage foi comparada em “presença” à Hyundai Santa Cruz.

O problema virou preço: a Ram mira a Dakota abaixo de US$ 40.000 (R$ 216.000), mas precisa empurrar a Rampage para mais perto de US$ 30.000 para ser competitiva.

Filosa também cutucou o Ford Maverick, rival direto, por ser montado no México, lembrando que tarifas existem, embora as vendas nos EUA não tenham sofrido.

Questionado pela CarBuzz se a Rampage será montada em uma fábrica da Stellantis nos EUA, Filosa não cravou nada e disse apenas que será feita na América do Norte.

Isso abre a porta para Canadá e México, enquanto a empresa tenta equilibrar custo, tarifa e percepção de “produção local” no segmento mais sensível do momento.

Sobre a Alfa Romeo, Filosa disse que a marca tem rede forte nos EUA e que na Europa ganhará um modelo especial e um SUV do segmento C, com ao menos um feito na Itália.

O pacote de “salvação” doméstica ainda inclui Chrysler Arrow e Arrow Cross, ambos com preço inicial abaixo de US$ 30.000, além do Dodge GLH SRT, todos na plataforma STLA One.

Ao mesmo tempo, falou-se mais de oito novos modelos SRT a combustão do que de EVs, com exceção do Jeep Recon, que deve ganhar opção a combustão em até 18 meses após o EV.

Filosa justificou a postura com “liberdade de escolha” de powertrains, mas admitiu que em três ou quatro anos a regulamentação deve exigir aceleração da eletrificação, incluindo EVs de autonomia estendida.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio.


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