A Xiaomi quer acabar com o ritual do cabo na garagem: carregador com IA encontra a porta e encaixa o conector com precisão abaixo de 1 milímetro

Xiaomi Braco Robotico Carregador Ev 1
Xiaomi Braco Robotico Carregador Ev 1

Um EV estacionado na garagem pode virar parte da casa conectada sem que o motorista precise tocar no cabo de recarga.

A Xiaomi apresentou um carregador doméstico com braço robótico capaz de conectar e desconectar automaticamente o veículo, retomando uma ideia que a Tesla mostrou há mais de dez anos.

O equipamento tem apenas 152 mm de largura, medida pensada para vagas apertadas em garagens residenciais e instalação ao lado do carro.

A proposta também se integra ao ecossistema de casa inteligente da Xiaomi, permitindo monitoramento e controle pelo smartphone dentro da lógica “humano-carro-casa”.

A comparação com a Tesla é inevitável porque Elon Musk afirmou em dezembro de 2014 que a marca trabalhava em um carregador móvel parecido com uma cobra metálica.

Xiaomi Braco Robotico Carregador Ev 2
Xiaomi Braco Robotico Carregador Ev 2

Em agosto de 2015, a Tesla exibiu um protótipo funcional com vários segmentos, capaz de se mover em direção à tomada do carro, alinhar o conector e iniciar a carga.

O conceito parecia antecipar o futuro da recarga automática, mas nunca chegou ao mercado e acabou desaparecendo dos planos comerciais da fabricante americana.

A última sinalização pública relevante sobre o projeto veio em 2020, quando a ideia ainda era tratada como algo supostamente vivo, embora nada tenha avançado.

Depois disso, a Tesla mudou o foco para recarga sem fio, comprou a startup alemã Wiferion em 2023 e projetou o robotáxi Cybercab sem porta de carregamento.

Mesmo essa rota encontrou obstáculos, já que a Tesla desistiu da recarga sem fio para o Cybertruck no ano passado porque o veículo fica alto demais em relação ao solo.

A Xiaomi Auto divulgou em 11 de junho um vídeo demonstrativo mostrando o braço robótico doméstico em ação ao lado de uma vaga.

Xiaomi EV robotic charging arm

O sistema pode ser instalado na parede ou no piso, detecta a porta de recarga do EV, encaixa o conector e o retira quando a bateria termina de carregar.

Segundo a Xiaomi, o equipamento usa reconhecimento visual por inteligência artificial para inserir o plugue com precisão inferior a um milímetro.

O carregador também se comunica com o veículo para acionar automaticamente tampas motorizadas da porta de recarga, abrindo e fechando o acesso sem intervenção manual.

O braço robótico se junta à linha doméstica da Xiaomi, que já inclui wallboxes de 7 kW e 11 kW, além de um conector portátil de carga e descarga.

Ainda não há preço nem data de disponibilidade, e a solução permanece em fase de demonstração, embora a empresa a apresente como produto planejado para uso residencial.

A Xiaomi não trabalha sozinha nesse tipo de tecnologia, já que a Hyundai testa um robô de recarga automática no Aeroporto Internacional de Incheon.

Empresas chinesas também já instalaram robôs de recarga em trilhos no teto de estacionamentos de várias cidades, mas o diferencial aqui é o foco explícito em garagens domésticas.

Esse ponto importa porque cerca de 80% das recargas de EVs acontecem em casa, onde conveniência diária pode pesar mais que espetáculo tecnológico.

A rival natural dessa solução é a recarga sem fio, buscada por Tesla, BMW, Genesis e outras marcas como caminho para eliminar totalmente o cabo.

Na prática, porém, a recarga indutiva traz perdas, com eficiência atual entre 88% e 93% sob alinhamento adequado, contra cerca de 95% em sistemas plug-in.

Essa diferença vira calor desperdiçado e pode aumentar a conta de luz ao longo do tempo, especialmente para quem recarrega todos os dias.

Outro limite é a potência, já que sistemas sem fio pelo padrão SAE J2954 chegam a 11 kW, enquanto conexões por cabo podem lidar com níveis bem maiores.

Um braço robótico preserva a experiência de estacionar e esquecer o carro, mas mantém a eficiência da conexão física e dispensa hardware indutivo instalado no veículo.

A grande dúvida continua sendo o preço, pois um adicional de US$ 500 (R$ 2.600) sobre uma wallbox pareceria atraente, enquanto US$ 3.000 (R$ 15.300) complicaria a justificativa.

Como a Xiaomi costuma apostar em preços agressivos em acessórios para EVs, há motivo para observar o projeto de perto, mas a decisão final dependerá do valor real de lançamento.

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