
A autonomia estampada na propaganda costuma nascer em condições perfeitas, mas basta o clima sair do “modo laboratório” para EVs e híbridos começarem a entregar bem menos do que prometem.
Parte do descompasso vem de testes oficiais controlados e de um toque de marketing, só que existe um fator físico simples: carro nenhum gosta de trabalhar em calor ou frio extremos.
A AAA, American Automobile Association, resolveu atualizar e ampliar uma linha de estudos iniciada em 2019 e foi direto ao ponto, medindo o quanto temperatura e climatização derrubam alcance e eficiência.
O método parece coisa de filme, porque a entidade colocou três híbridos e três EVs numa célula de teste com dinamômetro, como se os carros corressem numa esteira.
Veja também
Dentro desse “treadmill” automotivo, os engenheiros fixaram ar-condicionado ou aquecimento para manter a cabine em 22°C, enquanto variavam a temperatura do ambiente.
Foram escolhidos três cenários bem claros: -6,7°C como um inverno frio, 23,9°C como o dia típico, e 35°C para simular um verão quente.
Com 23,9°C servindo de referência, a AAA constatou que, a 35°C, os EVs perderam em média 8,5% de alcance, junto de uma queda de 10,4% na eficiência.
Os híbridos se saíram pior no calor, com redução de 12% na eficiência, o que significa mais gasto por quilômetro e menos folga para quem roda muito.
Mesmo assim, a AAA aponta que esse impacto tende a parecer pequeno para quem não costuma esticar a autonomia até o limite antes de recarregar ou reabastecer.
A virada dramática aparece no frio, porque a -6,7°C os EVs sofreram uma queda de 35,6% na eficiência, que se traduziu em redução média de 39% no alcance.
Os híbridos também perderam bastante no inverno, com baixa de 22,8% na eficiência, um número que muda o planejamento de custos e consumo em meses gelados.
Na prática, quem vive em regiões de clima ameno, com temperaturas perto de 23,9°C na maior parte do ano, tende a sentir menos esse tipo de “sumiço” de alcance.
Já em verões quentes, a recomendação implícita é comprar com margem, principalmente se sua rotina manda você chegar perto de 20% de bateria antes de cada recarga.
Para invernos rigorosos, o alerta fica mais sério, porque a autonomia despenca justamente quando aquecimento e sistemas de gerenciamento térmico trabalham mais.
Greg Brannon, Diretor de Engenharia e Pesquisa Automotiva da AAA, resumiu o recado: “EVs são eficientes em temperaturas moderadas, mas perdem alcance significativo no frio”.
Ele acrescentou que o grupo esperava esse comportamento pelos estudos anteriores, mas se surpreendeu com a redução de 23% na economia dos híbridos em temperaturas frias.
A conclusão é direta: antes de escolher entre EV, híbrido ou outra alternativa, vale considerar clima local, custos de energia e seu padrão de uso, não só o número do anúncio.
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📨 Receba um email com as principais Notícias Automotivas do diaReceber emails
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias










