Alemã Borgward morre pela segunda vez em sua história

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A Borgward morreu novamente. A histórica marca alemã que foi trampolim para a ascensão da BMW no pós-guerra não resistiu à gestão chinesa e sucumbiu como em 1961.


Quase há exatos 60 anos, a Borgward some do mercado europeu e chinês, depois de um retorno em 2008 com apoio financeiro da Foton.

Inicialmente chefiada por Christian Borgward, neto do fundador da marca, Karl Friedrich Wilhelm Borgward, a empresa chegou a vender centenas de carros na Alemanha.

O projeto envolvia até a construção de uma fábrica e centro de pesquisa e desenvolvimento na Alemanha, mas o grosso da produção sairia da China, onde a Borgward se apoiou em plataformas da Foton.

A ideia era que a marca retornasse como uma bandeira premium, concorrendo assim com Audi, BMW e Mercedes-Benz.

Assim, a Borgward bem que tentou, com crossovers e SUVs bem desenhados e inspirados no passado, tal como acabamento interno de orientação totalmente germânica, lembrando muito a BMW.

Os modelos da linha BX chegaram a ter variante de tração 100% elétrica e até mesmo uma revenda foi montada em Buenos Aires para o desembarque da marca.

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Contudo, a Borgward não conseguiu acelerar as vendas sob gestão da Foton e esta vendeu seu controle acionário de 67% para uma empresa de táxis chinesa em 2018.

A UCAR, nova controladora, fez as vendas subirem muito no ano seguinte, mas o motivo é que eles compraram a produção para atender a própria frota.

Então, de mais de 45 mil carros em 2019, o volume caiu para 8,7 mil em 2020 e 3,5 mil em 2021.

Sem investimentos dentro da própria China, a Borgward – que saiu anos antes da Europa – naufragou novamente, como em 1961.

Neste ano, a empresa alemã, muito popular na fabricação de microcarros, acabou tendo sua estrutura comprada pela BMW após a falência, algo que ainda gera controvérsia na Alemanha.

Aqui no Brasil, a Borgward seria mais um fabricante de carros na época da GEIA, mas a má gestão no fim dos anos 50 na Alemanha, levou a montadora à falência e ao fim do projeto brasileiro em 1960.

 

 

Autor: Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 26 anos. Há 15 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.