
No Brasil, ninguém compra gasolina por galão, mas a realidade é que o preço aqui costuma responder ao mesmo termômetro que impressiona o mundo: o petróleo.
Com a guerra no Irã, a disparada das cotações internacionais voltou a pressionar custos de energia e logística, e isso reacendeu o debate sobre quem ganha quando a crise aperta.
Nos Estados Unidos, a gasolina por galão de 3,78 litros chegou a US$ 4.558 (R$ 20) e o diesel ficou a apenas 14,2 centavos do recorde histórico, em US$ 5.816 (R$ 30), um sinal de estresse global.
O salto chama atenção porque, há um ano, a gasolina estava em US$ 3.154 (R$ 20), ilustrando como choques geopolíticos podem virar alta persistente.
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É nesse cenário que a Shell divulgou um resultado que caiu como gasolina na fogueira do debate público, com lucro ajustado de US$ 6,9 bilhões (R$ 34 bilhões) no primeiro trimestre.
O número representa um avanço forte frente aos US$ 3,3 bilhões (R$ 16 bilhões) do quarto trimestre de 2025, justamente quando as tensões no Oriente Médio começaram a escalar.
A companhia ainda anunciou um programa de recompra de ações de US$ 3 bilhões (R$ 15 bilhões) e elevou o dividendo em 5%, para US$ 0.3906 (R$ 2) por ação.
Mesmo com esses anúncios, o mercado não reagiu com entusiasmo total e as ações da Shell recuaram 3,39% no dia, sugerindo que parte dos investidores esperava mais.
O CEO Wael Sawan mencionou uma “disrupção sem precedentes nos mercados globais de energia”, reforçando o impacto do conflito sobre a cadeia de oferta e preços.
A Shell também afirmou que cerca de 20% da produção de petróleo e gás está no Oriente Médio, e que embora Omã siga operando, há dificuldades em outros pontos da região.
A reação popular veio rápida, com motoristas e ambientalistas criticando o que enxergam como lucro impulsionado por crise, em um momento de contas mais pesadas.
No Reino Unido, o Greenpeace UK projetou mensagens na sede da Shell em Londres e acusou a empresa de ter “dobrado os lucros” desde o início da guerra.
O grupo disse que a companhia “faz bilhões enquanto milhares mo rrem, uma região é desestabilizada e contas de energia disparam”, chamando o setor de “aproveitadores de guerra”.
A organização defendeu taxar os lucros da Shell para apoiar famílias sob a crise do custo de vida e os impactos do colapso climático, ampliando a pressão política.
Embora a guerra no Irã tenha começado em 28 de fevereiro, já no fim do trimestre, os preços reagiram rápido e seguem elevados, exatamente o tipo de choque que costuma respingar no Brasil.
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