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AMG: conheça a história da preparadora dos esportivos Mercedes-Benz

AMG: conheça a história da preparadora dos esportivos Mercedes-Benz

Três letras e sinônimo de alto desempenho. A AMG é uma sigla que faz muita gente suspirar, afinal, ela é associada com a divisão de desempenho da Daimler, através da Mercedes-Benz.


Essa parte empolgante do conglomerado do fabricante alemão tem uma história longa, que remonta ao ano de 1967.

Nascida como uma empresa independente, especializada em preparação de motores e veículos, a AMG seguiu sua trajetória sem ligação direta com fabricantes de automóveis.

Depois de algum tempo se tornou fornecedora da Mercedes-Benz, o que culminou posteriormente com venda parcial e, por fim, total da empresa para a Daimler.


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Mercedes-Benz G55 AMG

A AMG, apesar de estar integralmente hoje dentro da Daimler, tem trabalhos com a japonesa Mitsubishi, a italiana Pagani e a inglesa Aston Martin.

Envolvida com carros esportivos e pista, a empresa tem como principais rivais as conterrâneas BMW M e Audi RS, marcas que assim como ela, exploram o mundo da alta performance com carros de luxo e engenharia alemã de ponta.

Esta é sua história.

AMG

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No final dos anos 60, dois engenheiros da Mercedes-Benz decidiram se desligar da empresa. Hans Werner Aufrecht e Erhard Melcher trilhariam um caminho que os levariam para o mundo das pistas e dos carros de alta performance.

Em 1967, na pequenina cidade alemã de Burgstall ad Murr, no estado de Baden-Württemberg, vizinha da Baviera e no sul da Alemanha, a AMG Motorenbau und Entwicklungsgesellschaft mbH.

Da sigla, “A” significa Aufrecht, “M” de Melcher e “G” de Großaspach, Aspach na forma romanizada, sendo uma aldeia onde Aufrecht nasceu.

Apesar da citação na sigla da AMG, não há nada nessa pequena aldeia, do mesmo estado alemão, que esteja diretamente ligada à empresa.

Origem da AMG na Daimler-Benz

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Hans-Werner Aufrecht

Aufrecht e Melcher estavam envolvidos no desenvolvimento do motor do Mercedes-Benz 300 SE em meados dos anos 60.

Eles faziam parte do time de engenheiros que trabalhava no então Departamento de Desenvolvimento da Daimler-Benz. No entanto, a então maior empresa privada da Alemanha decidiu se retirar dos projetos voltados para competição.

Era nesse setor onde a dupla de engenheiros estava trabalhando. Ainda assim, mesmo sem a estrutura voltada para as pistas, Aufrecht e Melcher estavam determinados a melhorar o motor para que o 300 SE pudesse ter um desempenho vitorioso no automobilismo.

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Erhard Melcher

Assim, Aufrecht usou sua casa em Aspach para preparar o propulsor da Mercedes-Benz. O trabalho foi feito no tempo livre que eles dispunham, mesmo mantendo suas jornadas dentro da montadora.

Com as modificações feitas, ele e Melcher convenceram o colega Manfred Schiek, também da Daimler, a usar o motor no 300 SE de competição.

O famoso piloto alemão correu no Deutsche Rundstrecken-Meisterschaft, que era o campeonato alemão de turismo da época, usando o propulsor preparado por Aufrecht e Melcher, ganhando nada menos que 10 corridas com esse carro.

Infelizmente, naquele mesmo ano, em uma prova de rali, Schiek falecera, sendo considerado campeão alemão póstumo de 1965.

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Prova do Deutsche Rundstrecken-Meisterschaft

Apesar da tristeza com a morte de Schiek, as vitórias do piloto nas pistas alemãs fizeram com que Aufrecht tivesse a decisão corajosa de abandonar a Daimler-Benz no ano seguinte.

Ele convenceu Melcher a fazer o mesmo e assim, juntos, fundariam uma nova empresa, dedicada às pistas. Essa, fundada na cidade de Burgstall ad Murr, se tornaria a famosa em 1967, a famosa “AMG”.

Dedicação às pistas

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Mercedes-Benz 280 SEL AMG

Fundada como “Aufrecht Melcher Großaspach Ingenieurbüro, Konstruktion und Versuch zur Entwicklung von Rennmotoren” (firma de engenharia Aufrecht Melcher Großaspach, concepção e testes para o desenvolvimento de motores de competição), a AMG utilizou-se de uma antiga fábrica na cidade vizinha à Aspach.

Aufrecht e Melcher focaram nos carros da Mercedes e das pistas para as ruas, ocorreu uma transição natural, pois, no fim dos anos 60, vários preparadores de motores estavam fazendo pacotes de personalização e acessórios para carros regulares, dos mais simples aos luxuosos.

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Mercedes-Benz 450 SEL AMG 6.9

Então, a AMG seguiu caminhos como da Abt ou Alpina, que se especializaram em carros da VW/Audi e BMW, respectivamente.

Assim, a empresa iniciou com kits de preparação de motor e personalização visual para os modelos R/C107, que eram os Mercedes SL e SLC, a partir de 1971.

Nesse mesmo ano, um Mercedes 300 SEL 6.8 preparado pela AMG foi campeão de sua categoria nas 24 Horas de Le Mans, ficando em segundo na geral.

O feito colocou a sigla do sul da Alemanha na esfera continental. Os pacotes de customização seguiram para a Classe S (W116) e sucessivamente para as Classe E e Classe C em ordem cronológica.

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Mercedes-Benz 280 SE AMG

Os Mercedes-Benz W123, W124, W126, R129 (SL dos anos 80) e W201, o primeiro da Classe C, ganharam pacotes regulares de preparação da AMG.

Até 1993, a AMG – que devido ao aumento de trabalho, em 1976 mudou-se para a atual sede da empresa em Affalterbach – era um customizador de carros da marca alemã, de grande renome, mas semelhante às demais.

Entretanto, a AMG tinha uma longa história com a Mercedes-Benz e algumas inovações criadas para os carros da marca, como um cabeçote de quatro válvulas por cilindro, criado para os motores da Daimler.

Outra inovação foi o motor V8 5.0 “The Hammer”, que equipou o Classe E nos anos 80 e fez do modelo um sucesso nos EUA.

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Mercedes-Benz 300 CE AMG “The Hammer”

As rodas de 15 e 16 polegadas estilo “ATS” (equipe alemã de F1 dos anos 80) fizeram sucesso, assim como os motores enormes, como o V6 5.6 litros da AMG Mercedes com 360 cavalos para o Classe E.

Esse propulsor tornou o carro de luxo mais rápido que um Lamborghini Countach da época.

Diante disso, a Mercedes-Benz decidiu trabalhar mais próxima da AMG, inicialmente em preparação para competições no final dos anos 80.

Então, em 1993, vendo o potencial da empresa, a Daimler-Benz fechou um acordo de cooperação técnica para tornar a AMG exclusiva no desenvolvimento de carros esportivos da marca.

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Mercedes-Benz C30 CDI AMG Diesel

Com isso, a AMG passou a fazer parte da esfera de influência da Daimler. A partir daí, a empresa começou a aperfeiçoar oficialmente os motores da Mercedes-Benz, geralmente aumentando seu volume e adição de mais potência e torque.

Além disso, estes passaram a contar com peças e componentes especialmente projetados para ampliar a durabilidade em altos regimes de funcionamento.

O motor V8 5.4 com transmissão manual foi um marco na Mercedes-Benz, pois, a marca deixara de oferecer um câmbio mecânico num V8 desde o final dos anos 70.

Além dos motores, a AMG alterava o volante com um modelo menor e mais agressivo, bancos com formato e acabamento diferenciados, assim como itens de guarnição exclusivos, especialmente feitos em materiais leves ou refinados.

Mercedes-AMG GmbH

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Mercedes-Benz E50 AMG

Desde 1972, a BMW tinha sua divisão M de alta performance, mas a Mercedes-Benz nunca tivera algo semelhante até 1999.

Nesse ano, a então Daimler-Chrysler adquiriu 51% da AMG e criou a Mercedes-AMG GmbH. A partir daí, o nome ficou associado diretamente com as variantes de desempenho da marca de carros de luxo.

Apesar da aquisição e da mudança de nome, muitos continuaram a ver a AMG como uma empresa independente e desde o Mercedes-Benz E50 AMG de 1993, os carros esportivos da Daimler-Chrysler seguiram esse padrão de nomenclatura.

Apenas recentemente, a designação Mercedes-AMG foi introduzida comercialmente nos modelos, assim como a Mercedes-Maybach com o segmento de ultra luxo.

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Mercedes-Benz C32 AMG Estate

Apesar da perda de controle da AMG, Aufrecht não levou para a Daimler a divisão de preparação de motores de competição, que passou a ser denominada HWA (iniciais do engenheiro).

Ela era uma empresa independente que se tornou uma equipe do Deutsche Tourenwagen Masters, na época o famoso Deutsche Tourenwagen Meisterschaft (DTM).

A equipe só compete com carros Mercedes-AMG devidamente preparados.

A partir de 2000, a AMG ficou envolvida diretamente no desenvolvimento dos motores V6 e V8 Kompressor, que equiparam diversos modelos da Mercedes.

O primeiro era um 3.2 com 349 cavalos, que podia ser colocado em carros menores, como o Classe C.

M156, o primeiro

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AMG M156 V8 6.2

Contudo, em 2005, a AMG passou a ter sua totalidade de ações nas mãos da ainda Daimler-Chrysler. Então, algumas coisas mudaram.

No ano seguinte, a Mercedes-AMG anunciou o fim dos motores superchargers e adoção do turbocompressor tradicional para impulsionar os motores da marca, porém, destacou um enorme V8 aspirado 6.2, o M156.

Ao contrário de todos os outros V8, o M156 foi inteiramente desenvolvido pela AMG, sendo o primeiro do tipo em sua história.

Ele foi renomeado como sendo um 6.3 litros, em alusão ao primeiro V8 da Mercedes-Benz, o M100 de 1963. Com potências entre 482 e 525 cavalos, ele impulsionou modelos como C63 AMG e CLS 63 AMG, por exemplo.

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Mercedes-Benz SLS AMG

O uso do turbocompressor foi intensificado com o V8 5.5 Biturbo de 2011, o M157. Ele substituiu o M156.

Ao mesmo tempo em que buscava cada vez mais poder de propulsores V8 e V12, a AMG observou que uma nova linha de produtos da Mercedes-Benz precisaria de equivalentes esportivos.

Com seus carros vendidos lado a lado com os regulares da Mercedes-Benz, a AMG não só passou a fazer parte do  portfólio da Daimler desde de 1999, como também passou a desenvolver outros produtos.

Destre estes podemos citar a caixa automatizada de dupla embreagem AMG SPEEDSHIFT MCT, que foi lançada em 2009 com sete marchas para fazer frente às DSG, S tronic e PDK de VW/Audi/Porsche.

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AMG SPEEDSHIFT MCT

Assim como nas rivais, a 7G-DCT se mostrou mais rápida nas mudanças de marcha e na aceleração de 0 a 100 km/h em um câmbio manual com um piloto de provas ao volante.

A mudança não surgiu sem críticas, pois, para os puristas, a AMG estava deixando de lado suas origens no automobilismo para se entregar a um modismo.

Críticas quanto à dinâmica de condução não tardaram a chegar aos ouvidos da Mercedes-AMG, chegando mesmo ao presidente da AMG Volker Mornhinweg pedir que a empresa retornasse à tradição antiga.

Aliás, conservada em parte com a assinatura individual do mecânico montador do motor, grafada na próprio.

Atualmente, a empresa diz que existem 50 profissionais na AMG que assinam os motores, exceto os propulsores M260 2.0 dos AMG 35, V6 3.0 Biturbo M276 dos modelos AMG 43 e M256 3.0 de seis cilindros em linha dos AMG 43 e 53.

AMG 45

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Mercedes-AMG CLA 45

Um marco para a AMG foi o desenvolvimento do motor M133 para a linha de esportivos AMG 45, que envolve os modelos das Classes A, B, CLA e GLA.

O propulsor de quatro cilindros e 2.0 litros com turbocompressor foi uma proposta bem diferente das até então conhecidas da Mercedes-AMG GmbH.

É considerado o motor 2.0 mais potente em produção seriada, entregando nada menos que 190 cavalos por litro, num total de 381 cavalos e 48 kgfm.

Com ele, foi possível aos carros de motor e câmbio transversais da Mercedes-Benz (MFA) conseguirem um desempenho realmente esportivo, aliada com uma caixa de dupla embreagem AMG SPEEDSHIFT DCT de sete marchas.

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AMG M133 2.0 Turbo

Para fazer com que esses carros pudessem atingir seu máximo, a Mercedes-AMG decidiu equipa-los com tração nas quatro rodas 4MATIC.

Estes AMG 45 ajudaram a popularizar a divisão de esportivos, que recentemente desceu para um nível abaixo, criado os AMG 35 com tração dianteira e motor M260 2.0 de 306 cavalos. No topo da gama, o V12 6.0 AMG entrega 639 cavalos.

Mitsubishi, Pagani e Aston Martin

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Mitsubishi Galant 2.0 AMG

A AMG contribuiu não só com a Mercedes-Benz. Entre 1986 e 1989, o japonês Mitsubishi Debonair V3000 Royal AMG foi vendido no mercado nipônico, mas mantinha o V6 3.0 de 155 cavalos original.

Depois, em 1989, foi a vez do sedã Galant, que teve seu motor 2.0 ampliado para 170 cavalos.

Em meados dos anos 2000, a divisão de performance da Daimler forneceu os motores V12 7.3 AMG M297 para os modelos Zonda (a partir de 1999) e Huayra (iniciando em 2012). O propulsor é o mesmo do antigo SL 73 AMG de 1995.

Em 2013, Daimler e Aston Martin Lagonda fechou um acordo técnico com compra de ações, envolvendo a AMG diretamente, que passou a cooperar com a inglesa de Gaydon com motores V8 5.0 especialmente modificados.

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Nota média 5 de 4 votos

  • Domenico Monteleone

    Uma senhora empresa.

  • Qualquer AMG é um sonho de consumo.

  • TchauQueridos

    Sempre Top demais!

  • th!nk.t4nk

    Só uma correção: Aspach não é uma “aldeia”. É um Dorf (condado, mais conhecido na língua portuguesa como “distrito”). De resto a AMG dispensa comentários. A mecânica deles é sensacional. Vamos ver como ficará agora com a eletromobilidade, já que precisarão de competências diferentes (mas recursos certamente não faltam).

  • mjprio

    Sempre achei esses AMG lindos e sensacionais! A MB fez uma otima opção em incorporar a preparadora

  • OtarioBrasileiro

    Só dizer que a equipe Mercedes AMG é imbatível há anos na F1….
    Precisa dizer mais? rs

  • Ricardo

    Fazem carros divertidos mas ineficientes, assim como a M, RS manda abraço!

  • afonso200

    V12 na classe S é uma delicia

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