Mercado Sedãs

Análise de depreciação $$ dos sedãs médios

O potencial econômico brasileiro vem atingindo números apreciáveis nos últimos anos. Como indicador imediato desse fato, o mercado consumidor tem aumentado substancialmente, já há algum tempo, as receitas das empresas de diversos setores do comércio.

Como não podia ser diferente, as vendas de automóveis novos no Brasil acompanharam essa tendência, com seguidos recordes de vendas. Independente das razões políticas que sustentam essa ocorrência, é fato que o consumidor brasileiro tem encontrado facilidades que o tem permitido fazer algumas exigências quando na compra do automóvel zero-quilômetro.


Exatamente por isso, um dos segmentos que mais recebeu inovações foi o de sedãs médios, confirmando o surgimento de um perfil aquisitivo mais expressivo (mais uma vez: não entrarei no mérito político dessa questão).

Como participante ativo de alguns fóruns de discussão oferecidos na internet, percebi que um fator que está sempre na ponta da língua de alguns é a depreciação de alguns modelos. Inegavelmente, esta é uma questão de extrema importância na escolha do veículo, mas sua utilidade é ainda maior quando corretamente conhecida.

Em alguns debates até mesmo aqui no NA, percebo que alguns leitores usam este argumento como se fosse uma arma. Muitas vezes, esse fator é jogado como “o grand finale”, ou o último golpe quando não mais existem recursos para sustentar determinado ponto de vista.


Como eu já disse, devemos dar crédito para este argumento, mas ele acaba perdendo força quando emitido junto a doses de fanatismo ou desprovido de embasamento. Por esta razão, e lembrando sempre do fato de algumas montadoras estarem sempre blindadas nas cabeças de alguns consumidores, resolvi levantar alguns indicadores que pudessem dizer alguma coisa a respeito dessa questão.

Minha intenção ao colher estes dados não foi outra além de esclarecer algumas dúvidas e desmentir (ou ratificar) alguns pensamentos comuns, e reforço que ela não possui qualquer valor científico, até mesmo porque não se valeu de nenhum tipo de recurso estatístico ou mercadológico que, porventura, fosse necessário para este caso.

A metodologia

A “técnica” usada no tratamento desses dados foi bem simples, e é bem acessível a qualquer consumidor comum (até mesmo porque eu sou um simples estudante de Engenharia Mecânica e apaixonado por carros, e não economista ou afim). Primeiro, selecionei os principais representantes do segmento no Brasil: Honda Civic, Toyota Corolla, Renault Fluence, Nissan Sentra, Citroën C4 Pallas, Ford Focus Sedan, Peugeot 408 e Volkswagen Jetta. Logo depois, consultei os valores dos veículos 0km,  e deles subtraí os valores associados aos modelos 2011. Esse valor residual corresponde à desvalorização no período considerado. Este método foi aplicado para 3 configurações dos modelos em análise: versão de entrada manual, versão de entrada automática e versão top de linha.

Considerações

– Os valores usados foram obtidos sempre no site da FIPE (www.fipe.org.br/web/index.asp), sendo os valores máximos referentes aos modelos 0km e os valores mínimos para as versões 2011.

– Chevrolet Cruze, Fiat Linea (Essence) e Hyundai Elantra não entraram nesse comparativo por não possuírem como opções, no site da instituição, modelos 2011, e por isso o período avaliado seria menor para os três. Kia Cerato não integrou o grupo por divergências quanto á real interpretação de seu papel no mercado (sedã médio ou sedã compacto Premium).

– Não foram feitas considerações de mercado. Portanto, não estou levando em conta nem os descontos praticados nas redes de concessionários (para o caso dos 0km), nem os valores praticados nas revendas, para os seminovos.

– Os valores referentes ao Honda Civic são, obviamente, relativos ao modelo ainda em estoque, e não ao que chegará no mês que vem.

– Alguns modelos ainda não completaram um ano de mercado (como Renault Fluence, VW Jetta e Peugeot 408). No entanto, eles possuem versões 2011, 2012 e 0km, consideradas nesse “comparativo”.

Bom, feitas as devidas considerações, percebe-se que os valores obtidos são apenas parâmetros norteadores, e não devem ser usados como dados oficiais. Vamos a eles, então:

VERSÕES DE ENTRADA EQUIPADAS COM CÂMBIO MANUAL 

MODELOOkm (R$)2011 (R$)Depreciação no período (%)
Honda Civic LXL SE6230058098-6,47
Toyota Corolla Gli5969552980-11,25
Renault Fluence Dynamique6110553400-12,61
Jetta 2.0 Total Flex6708559557-11,22
Nissan Sentra 2.05121044345-13,40
Peugeot 408 Allure5960050647-15,02
Citroën C4 Pallas GLX5591350838-9,08
Ford Focus Sedan GLX6401251845-19,00

VERSÕES DE ENTRADA EQUIPADAS COM CÂMBIO AUTOMÁTICO 

MODELOOkm (R$)2011 (R$)Depreciação no período (%)
Honda Civic LXL SE A/T6814062100-8,86
Toyota Corolla Gli A/T7002059981-14,34
Renault Fluence Dynamique CVT6441057575-10,61
Jetta 2.0 Total Flex A/T7210564075-11,14
Nissan Sentra 2.0 CVT5310546020-13,34
Peugeot 408 Allure A/T6365654935-13,70
Citroën C4 Pallas GLX A/T6446654279-15,80
Ford Focus Sedan A/T6819556659-16,92

VERSÕES TOP DE LINHA 

MODELOOkm (R$)2011 (R$)Depreciação no período (%)
Honda Civic EXS8672067571-20,00
Toyota Corolla ALTIS8512972021-15,40
Renault Fluence PRIVILÈGE7738568105-12,00
Jetta 2.0 TSI HIGHLINE9588284441-11,93
Nissan Sentra 2.0 SL6682558558-12,37
Peugeot 408 GRIFFE7773967267-13,47
Citroën C4 Pallas EXCLUSIVE6645560153-9,48
Ford Focus Sedan TITANIUM7604264244-15,52

CONCLUSÕES

A partir dos dados obtidos, podemos fazer algumas observações interessantes:

1ª)  Para as versões consideradas, a depreciação do Renault Fluence esteve menor do que a do Corolla em 2 das 3 situações. Na única em que o Toyota vence, a diferença é menor do que 1,5 pontos percentuais;

2ª)  A desvalorização medida para o Honda Civic esteve bem abaixo dos concorrentes nas versões de entrada, mas bem acima na versão top de linha;

3ª)  O Ford Focus está sempre entre os representantes que mais desvalorizam;

4ª)  A taxa de desvalorização do Honda Civic EXS é quase três vezes maior do que a da versão LXL SE M/T;

5ª)  Nas versões top de linha e manual M/T, o Citroën C4 Pallas apresentou uma das menores taxas de depreciação;

6ª) Preço de tabela serve só para o governo cobrar mais pelo IPVA (porcentagem fixa sobre o valor). Todos sabemos que, na prática, principalmente na revenda, os valores de tabela só nos fazem passar raiva!

Bom pessoal, espero que este trabalho sirva para balizar certos argumentos, que muitas vezes são bastante irrefletidos e baseados no “achismo”. Aproveito para parabenizar ao Éber e aos leitores pelo sucesso do NA, este que hoje é um protagonista no cenário automotivo nacional.

Atenciosamente,

Por Vinícius Guimarães (Vin_T)

Análise de depreciação $$ dos sedãs médios
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