Análise de depreciação $$ dos sedãs médios

Análise de depreciação $$ dos sedãs médios

O potencial econômico brasileiro vinha atingindo números apreciáveis nos últimos anos. Como indicador imediato desse fato, o mercado consumidor tem aumentado substancialmente as receitas das empresas de diversos setores do comércio.


Como não podia ser diferente, as vendas de automóveis novos no Brasil acompanharam essa tendência, com seguidos recordes de vendas.

Independentemente das razões políticas que sustentaram essa ocorrência, é fato que o consumidor brasileiro estava encontrando facilidades que o tem permitido fazer algumas exigências na compra do automóvel zero-quilômetro.

Exatamente por isso, um dos segmentos que mais recebeu inovações foi o de sedãs médios, confirmando o surgimento de um perfil aquisitivo mais expressivo (mais uma vez: não entrarei no mérito político dessa questão).

Como participante ativo de alguns fóruns de discussão oferecidos na internet, percebi um fator que está sempre na ponta da língua de alguns: a depreciação de alguns modelos. Inegavelmente, esta é uma questão de extrema importância na escolha do veículo, mas sua utilidade é ainda maior quando corretamente conhecida.

Análise de depreciação $$ dos sedãs médios

Em alguns debates até mesmo aqui no NA, percebo que alguns leitores usam este argumento como se fosse uma arma. Muitas vezes, esse fator é jogado como “o grand finale”, ou o último golpe, quando não mais existem recursos para sustentar determinado ponto de vista.

Como eu já disse, devemos dar crédito para este argumento, mas ele acaba perdendo força quando emitido junto a doses de fanatismo ou desprovido de embasamento.

Por esta razão, e lembrando sempre do fato de algumas montadoras estarem blindadas nas cabeças de alguns consumidores, resolvi levantar alguns indicadores que pudessem dizer alguma coisa a respeito dessa questão.

Minha intenção ao colher estes dados não foi outra além de esclarecer algumas dúvidas e desmentir (ou ratificar) alguns pensamentos comuns, e reforço que ela não possui qualquer valor científico, até mesmo porque não se valeu de nenhum tipo de recurso estatístico ou mercadológico que, porventura, fosse necessário para este caso.

A metodologia

A “técnica” usada no tratamento desses dados foi bem simples, e é bem acessível a qualquer consumidor comum (até mesmo porque eu sou um simples estudante de Engenharia Mecânica e apaixonado por carros, e não economista ou afim).

Primeiro, selecionei os principais representantes do segmento no Brasil: Honda Civic, Toyota Corolla, Nissan Sentra, Chery Arrizo 6, Chevrolet Cruze, Kia Cerato e Volkswagen Jetta.

Logo depois, consultei os valores dos veículos 0km, e deles subtraí os valores associados aos modelos 2020. Esse valor residual corresponde à desvalorização no período considerado. Este método foi aplicado para 2 configurações dos modelos em análise: versão de entrada e versão mais completa (top de linha).

Análise de depreciação $$ dos sedãs médios

Considerações

– Os valores usados foram obtidos sempre no site da FIPE, sendo os valores máximos referentes aos modelos 0km e os valores mínimos para as versões 2011.

– Modelos como Volkswagen Virtus, Fiat Cronos e Chery Arrizo 5 não entram por serem de uma categoria abaixo, não sendo considerados como sedãs médios aqui no Brasil.

– Não foram feitas considerações de mercado. Portanto, não estou levando em conta os descontos praticados nas redes de concessionários (para o caso dos 0km) ou os valores praticados nas revendas, para os seminovos.

Bom, feitas as devidas considerações, percebe-se que os valores obtidos são apenas parâmetros norteadores, e não devem ser usados como dados oficiais. Vamos a eles, então:

VERSÕES DE ENTRADA:

MODELO 0km 2021 2020 Depreciação no período (%)
Honda Civic LX R$ 115.500,00 R$ 103.626,00 -10,28%
Toyota Corolla Gli R$ 123.790,00 R$ 109.287,00 -11,71%
Nissan Sentra S R$ 91.090,00 R$ 82.551,00 -9,37%
Chevrolet Cruze LT R$ 118.290,00 R$ 104.002,00 -12,08%
Kia Cerato EX R$ 114.990,00 R$ 93.054,00 -19,08%
Volkswagen Jetta Comfortline R$ 137.720,00 R$ 127.207,00 -7,63%

VERSÕES TOP DE LINHA:

MODELO 0km 2021 2020 Depreciação no período (%)
Honda Civic Touring R$ 157.400,00 R$ 142.472,00 -9,48%
Toyota Corolla Altis Hybrid Premium R$ 162.890,00 R$ 143.119,00 -12,14%
Nissan Sentra SL R$ 108.990,00 R$ 95.811,00 -12,09%
Chevrolet Cruze Premier R$ 141.790,00 R$ 117.108,00 -17,41%
Kia Cerato SX R$ 129.990,00 R$ 105.627,00 -18,74%
Volkswagen Jetta GLI R$ 186.710,00 R$ 170.548,00 -8,66%

CONCLUSÕES

A partir dos dados obtidos, podemos fazer algumas observações interessantes:

1ª) O modelo que mais desvaloriza no primeiro ano, tanto na versão de entrada quanto na opção mais cara, é o Kia Cerato. A perda de valor fica entre 18% e 19%.

2ª) Por outro lado, o modelo que menos perde valor de mercado entre as opções de entrada é o Volkswagen Jetta, que desvaloriza apenas 7,63%. Entre os mais caros ocorre o mesmo, com a versão topo de linha do sedã da VW perdendo menos de 8,7% de seu valor original.

3ª) A taxa de desvalorização média entre os modelos de entrada é de 11,69%, enquanto que os mais caros perdem em média 13,08% do seu valor. Isso mostra que, além de pagar mais caro, o comprador de uma configuração topo de linha deve colocar na ponta do lápis que seu carro vai perder mais valor com o tempo.

4ª) O único modelo híbrido da lista é a versão mais cara do Toyota Corolla. Apesar de ter a promessa de economia com combustível (o que realmente acontece), é preciso levar em conta que seu preço inicial é bem mais alto e sua desvalorização também é maior. Ou seja, pode não valer a pena colocá-lo na garagem.

5ª) Além de ser um dos mais baratos entre os sedãs médios, o Nissan Sentra também perde pouco em desvalorização, tanto na opção de entrada quanto na mais cara. Algo diferente ocorre com o Kia Cerato, que tem um valor chamativo, mas uma das maiores depreciações no mercado.

6ª) Preço de tabela serve só para o governo cobrar mais pelo IPVA (porcentagem fixa sobre o valor). Todos sabemos que, na prática, principalmente na revenda, os valores de tabela só nos fazem passar raiva!

Bom pessoal, espero que este trabalho sirva para balizar certos argumentos, que muitas vezes são bastante irrefletidos e baseados no “achismo”. Aproveito para parabenizar ao Eber e aos leitores pelo sucesso do NA, este que hoje é um protagonista no cenário automotivo nacional.

Atenciosamente,

Por Vinícius Guimarães (Vin_T)

(Texto baseado na informação enviada pelo leitor, mas atualizada com os dados de mercado em junho de 2021). 

Eber do Carmo

Formado em marketing, tem mais de 15 anos de experiência escrevendo sobre o mercado automotivo no Notícias Automotivas, desde que fundou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Também teve por três anos uma empresa de criação de sites e catálogos eletrônicos.