Análise na Alemanha põe bateria de sódio chinesa frente a frente com tecnologia da Tesla e vê só 5,3% de variação em 120 células

Bateria Sodio Hina
Bateria Sodio Hina

Uma variação de apenas 5,3% na resistência entre 120 células mostra que as baterias de íons de sódio já deixaram de parecer experimento distante.

A conclusão vem de uma análise independente publicada no periódico Cell Reports Physical Science, da Cell Press, envolvendo uma célula comercial da chinesa Hina.

Pesquisadores da RWTH Aachen University, na Alemanha, compararam a célula de sódio com tecnologias de íons de lítio mais avançadas da Tesla.

O estudo, liderado por Christian Siebert e Moritz Schütte, buscou medir qualidade industrial, uniformidade interna e desempenho em diferentes condições de uso.

A equipe aplicou espectroscopia de impedância em 120 células, método não invasivo usado para avaliar consistência elétrica sem desmontar os componentes.

Depois, os pesquisadores testaram desempenho sob diferentes correntes e temperaturas, cobrindo uma faixa que vai de -20 °C a 45 °C.

Raios X revelaram a estrutura interna antes da abertura física das células, etapa usada para medir eletrodos, composição e microestrutura.

O ponto mais relevante aparece na arquitetura interna, descrita pelos pesquisadores como um projeto tabless com coletores duplos de alumínio.

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Bateria de íons de sódio de Hina frente à Tesla na análise alemã: deve ir para EV comum?

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Essa construção reduz resistência, melhora a distribuição de temperatura e se aproxima do conceito usado pela Tesla em suas células 4680.

Segundo os autores, trata-se da primeira bateria comercial de íons de sódio disponível com esse tipo de arquitetura sem abas.

A química de sódio traz ainda uma vantagem estrutural, pois permite usar alumínio nos dois lados da célula.

Nas baterias de íons de lítio, o lado do anodo exige cobre, material mais caro e menos favorável para a cadeia de fornecimento.

Moritz Schütte afirmou que a equipe ficou positivamente surpresa com a uniformidade das células avaliadas durante a análise.

Essa consistência é importante porque sugere produção em massa bem controlada, e não apenas um resultado isolado de bancada acadêmica.

Ainda assim, a célula da Hina não supera as melhores baterias de lítio nos pontos mais importantes para EVs de longo alcance.

O primeiro limite está na densidade energética, área em que as células comerciais de sódio seguem abaixo das melhores opções de íons de lítio.

Schütte destacou que a tecnologia ainda é menos madura e mais adequada a aplicações estacionárias, serviços de rede e veículos comerciais ou urbanos.

O segundo limite está na recarga em baixas temperaturas, mesmo que a descarga em clima frio seja considerada mais favorável.

Para usos com recargas frequentes em temperaturas baixas, o pesquisador aponta a necessidade de gerenciamento térmico e estratégias específicas de operação.

A desmontagem também encontrou cobre em quantidade elevada e distribuição irregular em partes do catodo, algo que levanta perguntas sobre envelhecimento e desempenho.

Schütte disse que gostaria de ver futuras células de sódio sem níquel e cobre, mantendo densidade energética competitiva.

O avanço surge enquanto grandes fabricantes chinesas tentam transformar a química de sódio em produto de grande escala.

A CATL prepara baterias Naxtra para EVs em 2026, com meta atual perto de 175 Wh/kg e evolução rumo a 600 km de alcance.

A empresa também projeta recarga até -30 °C, ponto relevante para reduzir uma das principais limitações da tecnologia.

A tecnologia já chegou às ruas, pois CATL e Changan apresentaram em fevereiro o Changan Nevo A06, tratado como primeiro EV de produção com íons de sódio.

Outros grupos de pesquisa também avançam, incluindo uma célula de sódio com recarga em 11 minutos e alcance de 450 km.

A Hina, derivada da Chinese Academy of Sciences, fornece células para veículos e sistemas de rede, com pacotes comerciais perto de 165 Wh/kg.

O recado principal não é que o sódio venceu o lítio, mas que sua fabricação já alcança padrão competitivo.

A partir daqui, densidade energética e recarga em clima muito frio parecem os grandes desafios para ampliar o uso em EVs comuns.

Caso a química reduza essa distância como ocorreu com as baterias LFP, a pressão de custo sobre o restante da indústria tende a crescer.

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