Mercado Montadoras/Fábricas

Anfavea não vê crescimento expressivo nos próximos três anos

S10-fábrica Anfavea não vê crescimento expressivo nos próximos três anos

A Anfavea não vê um crescimento expressivo nas vendas de veículos nos próximos três anos. A entidade que reúne as montadoras diz que o crescimento será pequeno nesse período, ficando entre 5%e 10%. Apesar disso, de acordo com Antônio Megale, as vendas em 2017 cresceram 4,3% até o momento, prevendo uma revisão das projeções de emplacamentos para este ano.



No entanto, Megale aponta para um recorde de exportações esse ano, batendo assim o melhor resultado até agora, obtido em 2005 com vendas externas de 724 mil unidades. O presidente da Anfavea aponta que as vendas para mercados próximos que têm mais acesso aos produtos de mercados consolidados aumentou. No Chile, por exemplo, as vendas de carros brasileiros representava apenas 1,7% do mercado local em 2012. Mas, em 2017, esse volume subiu para 11%.

No Uruguai, as vendas dobraram. Com a entrada da Colômbia, bem como ampliação das vendas para outros vizinhos, a dependência da Argentina como destino para a maioria das exportações diminui. O país já foi responsável por 70% do comércio exterior do Brasil. O tema é muito importante para o setor automotivo e a entidade destaca que o Rota 2030 é imprescindível para a competitividade do país no mercado internacional.

Megale aponta que o Rota 2030 não terá apenas metas de longo prazo, mas também a curto prazo. O executivo afirma  que “deve haver a fixação de metas de eficiência energética para os próximos cinco anos”. Isso será somado aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, segurança e conectividade, que deverão colocar o Brasil em uma posição mais competitiva diante de outros players mundiais.

Para o presidente da Anfavea, o Rota 2030 é uma continuação do Inovar-Auto e defende os resultados da atual política automotiva que está saindo de cena. Megale aponta para US$ 15 bilhões em investimentos de pesquisa e desenvolvimento, bem como no acréscimo de 9 plantas de produção, fazendo o parque nacional pular de 57 para 66 no período. Também cita que o programa incentivou a entrada de novas tecnologias, tais como motores de três cilindros, injeção direta de combustível, turbocompressor, entre outros.

No caso dos importados, que perderam muito com o Inovar-Auto, Antônio Megale acredita que o IPI de 30% e as cotas acabarão com a chegada do Rota 2030 e se diz favorável à liberação como uma forma de introdução de novas tecnologias no mercado, que servirão de referência para os produtos brasileiros.

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“Rota 2020”

Mas, há quem não acredite no Rota 2030 da forma como está sendo tocado. Letícia Costa, sócia-diretora da Prada Assessoria, diz que a nova política falha em não levar em consideração as tendências mundiais, limitando-se apenas à manufatura. A executiva vê uma limitação da indústria nacional ao voltar-se apenas para a produção. Ela diz que o Brasil está piorando em termos de competitividade e que as novas regras têm pontos conflitantes e impactos pouco abrangentes.

Ela cita o caso dos carros elétricos e híbridos, que ainda não se sabe como serão tratados no Rota 2030. Letícia diz que o Brasil colocou o etanol como matriz energética nacional, mas isso só ocorre aqui. As tecnologias agregadas ao produto terão poucas chances de exportação. No caso dos dois segmentos citados, a diretora da Prada diz: “Há pouco entendimento e legislação de como se vai incentivar o híbrido e o elétrico; o Brasil não tem visão clara do que fazer com powertrain alternativo.”

A eletrificação é vista como uma forma de exportar produtos para os mercados consolidados, assim como veículos que atendem à condução autônoma e digitalização, outras tendências da indústria global que o Brasil estaria deixando passar, na visão da executiva. Para Letícia, o Rota 2030 mais parece um “Rota 2020” e se trata de “um impacto limitado, muito restrito e local que não trará a competitividade tão esperada.”

Costa ainda comenta que há US$ 670 bilhões em jogo para os fabricantes automotivos e mais US$ 3,1 trilhões em benefícios sociais resultantes desse volume, que será o resultado da transformação do setor em Indústria 4.0 até 2025. Com isso, o Brasil não pode ficar de fora, mas nesse momento, o país ainda não decidiu no que vai apostar. Dessa forma, Letícia adverte que sem competitividade, o Brasil ficará defasado e limitado ao mercado interno. Ela defende que o “Mercosul tem que mirar a comunidade europeia”. A executiva também diz que crescimento, sustentável, somente a partir de 2019.

[Fonte: Automotive Business]

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