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Anfavea: Rota 2030 para mais adiante e marco regulatório em seu lugar

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A Anfavea acredita que o fechamento de 2018 pode alcançar 3 milhões de veículos fabricados pela indústria brasileira. De acordo com Antônio Megale, presidente da associação que reúne as montadoras, a entidade ainda se mantém conservadora com os números de 2017: “Mantemos a previsão de produção – de 2,7 milhões – mas vamos errar, felizmente vamos errar”, comenta. “Vai depender da programação de férias das empresas para dezembro”, explica o executivo.



A animação de Megale com os números tem sentido, visto que o Brasil não alcançava uma marca tão importante desde 2014, quando 3,1 milhões foram fabricados no país. Depois disso, a crise apertou as linhas de montagem e o volume caiu para a casa dos 2,4 milhões. Até novembro, a produção subiu 27,1%. Os automóveis tiveram alta de 29,4%, enquanto a fabricação de comerciais leves subiu 12,8%.

Apesar do crescimento, Megale aponta para uma grande ociosidade nas fábricas de automóveis, hoje na casa de 45%. No caso das plantas de caminhões, a situação é muito pior, alcançando até 76%. Atualmente os estoques nos pátios e concessionários representam 34 dias de vendas com 232,1 mil unidades. O ideal é 30 dias, segundo o chefe da Anfavea. O nível de emprego caiu 0,3% e o setor possui um quadro atual de 126,3 mil pessoas, mas em comparação com 2016, a alta é de 2,5%.

No entanto, para um crescimento equilibrado nos próximos anos, a Anfavea espera que o Rota 2030 seja aprovado. Mas, Antonio Megale não está mais confiante que a nova política para o setor automotivo seja aprovada ainda em dezembro. Ele comenta que o que deverá ser assinado é um marco regulatório para que o Brasil não fique sem regras para o setor automotivo. Dessa forma, o Rota 2030 só deve ser concluído mais adiante, já dentro do período que deveria estar vigente.

Esse conjunto básico de normas, regras e leis para reger o setor automotivo vai contra o que as montadoras defendem, que é a aprovação do Rota 2030 para vigência nos próximos anos. Os fabricantes têm em mente que a nova política terá atualizações no decorrer dos anos, mas cria um ambiente previsível, que dá segurança para investimentos futuros, sem o temor de que numa eventual mudança de governo, tudo o que foi planejado e investido desça por água abaixo.

Mesmo com “vontade política” por parte do presidente Michel Temer, conforme comenta Megale, a arrecadação fiscal é o principal fator que esbarra o Rota 2030 no Ministério da Fazenda. O governo federal não quer conceder incentivos fiscais de forma alguma, mesmo que seja para obrigar as empresas a investirem em engenharia, pequisa, segurança, eficiência, entre outros, dentro do país.

A Anfavea revela que o setor terá redução fiscal de 3% na arrecadação, mas só em 2015 foram faturados R$ 180 bilhões com R$ 40 bilhões em arrecadação fiscal e somente R$ 1,5 bilhão em incentivos fiscais. Megale aponta a discrepância para setores que recebem mais benefícios do governo, como o agronegócio, que arrecadou R$ 6 bilhões e recebeu R$ 20 bilhões em ajuda.

[Fonte: Automotive Business/AutoData]

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