Antes do OnStar e do GPS, a GM testou carros conectados por rádio e cartões perfurados em uma rodovia experimental nos anos 1960

Mulher ao volante de um carro clássico com painel identificado como Bonneville e um console adicional instalado entre os bancos.
Interior de um Pontiac Bonneville equipado com o sistema experimental DAIR, que a GM testou nos anos 1960 para oferecer orientação e comunicação ao motorista.

Este ano, o OnStar celebra seus 30 anos como o primeiro sistema de telemática automotiva disponível ao público nos EUA e ainda quando nem um quarto dos americanos tinha acesso regular à internet.

Mas talvez muitos não saibam que na ocasião, o OnStar não foi a primeira ação da GM como um sistema de assistência ao motorista, já que 30 anos antes disso, havia o DAIR…

Em 1966, os Laboratórios de Pesquisa da General Motors anunciaram o Sistema de Auxílio ao Motorista, Informação e Roteamento (DAIR, na sigla em inglês).

A ideia era criar um sistema que pudesse fornecer aos motoristas informações sobre as condições da estrada e do trânsito, navegação e comunicação via rádio. Simplesmente estava décadas à frente de seu tempo.

Embora fosse notavelmente inovador, o DAIR foi construído com base em tecnologia básica, mesmo para a sua época.

Painel expositivo em preto e branco com fotos de uma motorista, equipamentos e os textos Driver Aid Research e DAIR.
Material de divulgação do DAIR mostra a unidade de controle e a operação do sistema experimental de auxílio ao motorista desenvolvido pela GM.

Havia um rádio de faixa cidadã (CB) que permitia o envio de mensagens automatizadas e em tempo real entre o veículo e a central de comunicações.

Ímãs e transmissores de baixa potência embutidos na infraestrutura poderiam enviar dados e sinais de rádio para o console DAIR, exibindo placas de trânsito e limites de velocidade.

O DAIR permitia ainda enviar alerta o motorista sobre as condições da estrada.

O sistema da época de Star Trek ainda tinha cartões perfurados codificados, inseridos no console, que acionavam os indicadores de direção para guiar o motorista até o destino desejado.

Assim como o OnStar, o objetivo do DAIR era oferecer aos motoristas conveniência e segurança. Se um motorista ficasse sem gasolina na estrada, por exemplo, ele poderia enviar sua localização. 

Isso era feito por meio de uma central de comunicações mediante um botão giratório na unidade DAIR para solicitar assistência.

Quando o funcionário da central de comunicações recebesse a solicitação, ele poderia “ligar” para o carro e confirmar que a ajuda estava a caminho.

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Ímãs e transmissores à beira da estrada podiam enviar mensagens de alerta automáticas para o carro, avisando-o sobre situações de emergência ou condições perigosas à frente.

O DAIR não era apenas ficção científica, como Star Trek, embora nunca tenha entrado em produção, mas os engenheiros da GM construíram um pequeno trecho de rodovia com toda a infraestrutura necessária.

Ela existiu no Centro Técnico Global da empresa em Warren, Michigan, e equiparam dois carros de 1966 com o sistema DAIR.

Aproximadamente um ano após a primeira demonstração do DAIR, o governo federal dos EUA concedeu à GM um contrato para desenvolver ainda mais um sistema de navegação para o Bureau of Public Roads (hoje, NHTSA).

Isso deu origem ao Sistema Experimental de Orientação de Rotas (ERGS), uma criação da pesquisa da General Motors e de sua divisão de rádio Delco.

No lugar dos cartões perfurados, o motorista digitava uma palavra-código de cinco letras que correspondia ao seu destino e recebia instruções visuais para navegar até lá, a partir da unidade ERGS no painel.

Motorista em um carro Chevrolet moderno, com tela de navegação exibindo um mapa e estrada coberta de neve à frente.
Interior de um Chevrolet atual com navegação exibida na tela central, contraste com a tecnologia experimental de orientação criada pela GM nos anos 1960.

A unidade recebia informações de transmissores e antenas instalados em cruzamentos na estrada. Quando o carro passava sobre uma antena, o receptor ERGS captava o sinal, interpretava-o e exibia as instruções necessárias ao motorista.

As tecnologias que possibilitaram o DAIR e o ERGS não eram exóticas, mesmo em meados da década de 1960, mas imagina-se que implantar esses sistemas em larga escala teria sido um desafio enorme.

Em outras palavras, seriam necessários muitos ímãs, muitos transmissores e muitos centros de comunicação em todo o país para funcionarem e haja estrada para isso na maior malha viária do mundo. 

Com o tempo, o DAIR e o ERGS da General Motors Research foram suplantados por telecomunicações mais avançadas e eficientes, até chegar à telemática do OnStar em 1996. 

Hoje, os carros da GM seriam considerados ficção cientifica para os criadores do DAIR, especialmente aqueles com Super Cruise, algo que nem Star Trek previu…

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Escrito por

Ricardo de Oliveira

Com experiência de 29 anos na área automotiva, há 18 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz testes e avaliações. Suas redes sociais: Instagram, Facebook

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