
A expansão internacional virou a principal alavanca da Geely para compensar a fraqueza do mercado chinês, justamente enquanto o grupo promove uma importante mudança em sua liderança.
Li Shufu deixa a presidência da Geely Automobile Holdings e passa a ocupar o posto de presidente honorário vitalício, segundo anúncio divulgado pela companhia nesta segunda-feira.
A mudança permitirá que o executivo dedique mais tempo aos demais negócios e também faz parte do planejamento sucessório conduzido dentro do grupo automotivo.
Li continuará, porém, como presidente da controladora Zhejiang Geely Holding Group, mantendo influência sobre o amplo conjunto de marcas e operações reunidas pela empresa.
A reorganização foi apresentada junto aos resultados financeiros do segundo trimestre, período em que o lucro líquido da Geely cresceu 36%.

Entre abril e junho, a companhia registrou 4,9 bilhões de yuans (R$ 3,7 bilhões) em lucro líquido, resultado alinhado às expectativas dos analistas.
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Considerando toda a primeira metade do ano, o lucro recuou 1,8% e terminou em 9,09 bilhões de yuans (R$ 6,9 bilhões), ainda acima das projeções.
As ações da Geely Auto encerraram o pregão em Hong Kong com valorização de 4,8%, acompanhando a divulgação dos resultados e das mudanças administrativas.
O desempenho internacional ganha importância porque a empresa elevou em 23% sua meta de exportações e agora pretende alcançar 920.000 veículos enviados ao exterior neste ano.
A revisão acontece após as exportações mais que dobrarem durante os primeiros seis meses, período em que a Geely despachou 474.228 automóveis para outros mercados.

Dentro da China, as vendas de automóveis recuaram 20% no primeiro semestre, enquanto a Passenger Car Association projeta retração de 14% para o ano completo.
Esse ambiente também reduziu uma vantagem inicial da Geely sobre a BYD, que acelerou suas vendas externas e ampliou rapidamente a diferença entre as duas fabricantes.
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A BYD ultrapassou 812.700 veículos vendidos fora da China na primeira metade do ano, volume quase duas vezes superior às exportações registradas pela Geely.
Embora também ofereça EVs e híbridos, a Geely avançou mais lentamente na construção de uma rede internacional de distribuição e agora tenta reduzir essa diferença.
O desempenho das marcas superiores do grupo ajuda nesse processo, especialmente a Zeekr, cuja linha vem contribuindo para elevar o preço médio dos automóveis vendidos.
O SUV Zeekr 9X tornou-se o veículo mais vendido na China acima de 500.000 yuans (R$ 380.400), segundo os dados apresentados pela empresa.
Esse avanço ajudou a aumentar em 15.000 yuans (R$ 11.400) o preço médio por veículo da Geely, levando o indicador para 112.000 yuans (R$ 85.200).
A internacionalização também passa por produção regional, incluindo o acordo firmado em julho para utilizar capacidade disponível da fábrica da Ford em Valência, na Espanha.
Outro movimento ocorre no Brasil, onde a Geely deverá produzir localmente o crossover compacto EX5 e o hatch subcompacto EX2 por meio da parceria com a Renault.
Na China, o EX2 é conhecido como Xingyuan, enquanto a fabricação brasileira será realizada dentro da joint venture estabelecida entre as duas empresas.
A combinação de exportações maiores, produtos de maior valor e produção fora da China mostra como a Geely busca reduzir sua dependência de um mercado doméstico menos aquecido.
