Após perder espaço no maior mercado do grupo, Volkswagen usa produção chinesa para exportar o Lamando L ao México pela primeira vez

Volkswagen Lamando L vermelho visto de frente, com outro sedã vermelho ao fundo e caracteres chineses na placa.
O Volkswagen Lamando L atualizado é produzido pela joint venture SAIC-Volkswagen e será exportado da China para o México.

A perda de espaço das marcas estrangeiras na China está provocando uma mudança importante na estratégia industrial da Volkswagen, que agora transforma suas fábricas locais em bases de exportação.

O Grupo Volkswagen começou a enviar veículos produzidos na China para a América do Norte pela primeira vez, escolhendo o México como destino inicial dessa nova operação.

O modelo selecionado é o Volkswagen Lamando L atualizado, sedã compacto de estilo cupê produzido pela joint venture SAIC-Volkswagen e até agora oferecido exclusivamente aos chineses.

A estratégia permite aproveitar melhor a capacidade disponível nas fábricas do país justamente em um momento de forte redução das vendas locais do grupo alemão.

Depois do recorde de 4,23 milhões de veículos comercializados na China em 2019, as vendas anuais da Volkswagen recuaram para 2,93 milhões de unidades em 2025.

Volkswagen Lamando L vermelho visto de traseira em movimento, com perfil de sedã cupê e rodas escuras.
O sedã cupê Lamando L será o primeiro modelo produzido na China pelo grupo Volkswagen a chegar ao mercado mexicano.

Parte dessa mudança acompanha a rápida preferência dos consumidores chineses por fabricantes domésticos e por modelos eletrificados recheados de recursos digitais e software.

A Volkswagen não está sozinha nessa movimentação, pois diversas fabricantes internacionais passaram a enxergar a China também como uma plataforma de produção destinada aos mercados externos.

Ford e Hyundai já utilizam instalações chinesas para exportar veículos a combustão, enquanto GM e Nissan aproveitam projetos eletrificados desenvolvidos localmente para abastecer outros países.

A própria Volkswagen começou a ampliar suas exportações chinesas em 2025, inicialmente direcionando produtos para regiões mais próximas da Ásia e outros mercados internacionais.

Até agora, a SAIC-Volkswagen enviava modelos Volkswagen a gasolina para países do Sudeste Asiático e da Ásia Central, ampliando agora seu alcance até o México.

Interior dianteiro do Volkswagen Lamando L, com volante branco, painel digital, tela central e porta aberta.
O interior do Volkswagen Lamando L combina volante claro, quadro de instrumentos digital e central multimídia em destaque.

A empresa não detalhou se outros veículos produzidos pela parceria com a SAIC Motor também serão comercializados futuramente no mercado mexicano.

A FAW-Volkswagen, parceria do grupo alemão com a China FAW Group Co., segue uma estratégia semelhante com produtos Volkswagen e Jetta equipados com motores a gasolina.

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Esses veículos já são enviados para mercados do Oriente Médio, Ásia Central e África, enquanto a submarca Jetta anteriormente tinha sua comercialização limitada à China.

O Lamando L utiliza a plataforma modular MQB e pode receber motores 1.5 ou 2.0 turbo, ambos associados a uma transmissão automatizada de dupla embreagem com sete marchas.

Segundo a SAIC-Volkswagen, uma das metas é conquistar consumidores mexicanos mais jovens, aproveitando justamente o desenho de perfil cupê do sedã produzido na China.

Interior do Volkswagen Lamando L visto dos bancos dianteiros, com painel, telas, console central e teto solar.
A cabine do Lamando L aparece com duas telas no painel, acabamento claro e teto solar, elementos do modelo produzido na China.

A necessidade de buscar novos destinos fica ainda mais clara pelos números recentes, pois as entregas chinesas do grupo caíram 26% no primeiro semestre, para 971.000 veículos.

A procura por modelos a gasolina também foi pressionada pela alta dos preços do petróleo no contexto da guerra no Irã, que afetou o mercado energético internacional.

O movimento não ficará restrito aos veículos convencionais, já que a SAIC-Volkswagen também pretende acrescentar modelos eletrificados chineses à sua estratégia internacional.

O primeiro deles será o ID Era 9X, um EV com extensor de autonomia que deverá ser exportado para outros mercados ainda não identificados pela empresa.

As ambições também alcançam a Audi, pois a FAW-Volkswagen revelou em 22 de agosto planos para enviar modelos da marca premium produzidos na China ao exterior.

A informação surgiu depois do início das vendas de modelos Volkswagen e Jetta a gasolina no Cazaquistão, embora os destinos dos futuros Audi ainda não tenham sido revelados.

A transformação mostra como a enorme estrutura industrial construída para atender o mercado chinês começa a ganhar uma segunda função diante da perda de participação das fabricantes estrangeiras.

Para a Volkswagen, o Lamando L mexicano representa apenas o primeiro passo de uma estratégia que poderá colocar cada vez mais modelos chineses do grupo em outros continentes.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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