
Depois de dois anos sem um resultado trimestral positivo, a Nissan finalmente volta ao lucro e surpreende analistas que esperavam outro período negativo.
A fabricante japonesa registra lucro líquido de US$ 23,9 milhões (R$ 133,2 milhões) nos três meses encerrados em junho.
O resultado contrasta fortemente com o prejuízo de aproximadamente US$ 740 milhões (R$ 4,1 bilhões) apurado no mesmo intervalo anterior.
Analistas esperavam um novo prejuízo de US$ 23,3 milhões (R$ 129,9 milhões), tornando a recuperação ainda mais relevante para a administração.
Ivan Espinosa, CEO da Nissan, recebe assim o primeiro sinal financeiro positivo desde o início de uma ampla reorganização mundial.
A receita do primeiro trimestre cresceu 9,5% na comparação anual e alcançou ¥ 2,964 trilhões (R$ 105,2 bilhões).
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Mesmo preservando sua previsão anual de resultados, a Nissan reduziu a estimativa de veículos que pretende vender globalmente durante o atual exercício fiscal.
A nova projeção aponta para 3,15 milhões de unidades até março de 2027, abaixo dos 3,30 milhões calculados anteriormente.
Ainda assim, a companhia mantém a expectativa de elevar a receita em 8,3%, chegando a ¥ 13 trilhões (R$ 461,5 bilhões).
O lucro líquido anual projetado permanece em ¥ 20 bilhões (R$ 710 milhões), apesar da revisão negativa aplicada ao volume comercial.
Essa combinação indica que a Nissan pretende depender menos de quantidade e buscar maior eficiência financeira em cada veículo entregue.
O retorno ao lucro acontece após uma sequência de medidas destinadas a reduzir despesas, reorganizar fábricas e enfrentar vendas abaixo das metas.
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Voltar ao lucro com vender menos carros em 2027 indica melhor custo-benefício para a Nissan?
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Entre as decisões anunciadas estão a venda da sede, a diminuição do número de unidades industriais e o corte da capacidade mundial.
A empresa também pretende eliminar 20 mil posições ao longo de quatro anos, com conclusão prevista para março de 2028.
Essas mudanças fazem parte de uma tentativa de criar uma estrutura menor, capaz de operar com custos compatíveis com a nova realidade comercial.
Outro movimento envolve possíveis acordos industriais, incluindo conversas para produzir veículos da chinesa Chery na fábrica britânica de Sunderland.
As negociações foram confirmadas em junho, um mês depois do anúncio de centenas de reduções de postos nas operações europeias.
Além da reorganização financeira, a Nissan tenta renovar uma linha considerada pouco competitiva em segmentos importantes e mercados estratégicos.
A Infiniti inicia essa reação com o QX65, crossover cupê médio que representa um avanço, embora não seja apresentado como solução definitiva.
A Nissan também prepara o retorno do Xterra e de outros modelos construídos sobre chassi separado da carroceria.
Projetos futuros incluem novas gerações do GT-R e do Skyline, dois nomes históricos com grande importância para a imagem da marca.
Um novo Juke EV também aparece entre os lançamentos planejados, ampliando a presença da empresa em categorias eletrificadas de maior volume.
O primeiro lucro trimestral em dois anos não resolve todos os desafios, mas mostra que as medidas recentes começam a produzir algum efeito.
Agora, a Nissan precisa transformar essa recuperação pontual em uma sequência sustentável, mesmo vendendo menos carros do que esperava anteriormente.
