
O Hyundai i20 chegou como sucessor de jure do nosso HB20, que já segue para seu fim nos próximos anos. O hatch compacto coreano feito em Piracicaba chega com preços para rebater os rivais.
Nesta versão Ultimate, a topo de linha, o i20 custa R$ 139.990 e, sinceramente, é o limite mesmo para a sua proposta num mercado cheio de carros chineses elétricos repletos de tecnologia.
Equipado com motor Smartstream-G 1.0 TGDI de 115 cavalos, o i20 Ultimate tem câmbio de dupla embreagem de seis marchas.
Sua proposta segue a do HB20, mas o que será, além do visual polêmico, o que o i20 tem realmente a oferecer como diferencial?
Gosto retrô
O Hyundai i20 vem gerando discussões sobre seu estilo, mas basta uma olhada melhor para entender qual é a proposta dele. A marca coreana atualmente tem uma filosofia retrô.

A ideia no i20 é trazer de volta aos anos 2000 em termos de estilo, com o discutido para-choque traseiro com suas formas retangulares com spoiler integrado, comuns àquela época.
Na frente, no entanto, destoa dessa ideia ao superior algo mais moderno com seus faróis full LED e barra de luz percorrendo todo o frontal arredondado.
O conjunto frontal é bem interessante e se harmoniza com as laterais, onde na versão Ultimate, temos rodas de liga leve aro 17 polegadas de aspecto esportivo.
Atrás, as lanternas diminutas em LED ligadas por uma barra de LED pedem para serem preenchidas com lentes maiores, reduzindo o vazio deixado na tampa do bagageiro.

Dentro, o Hyundai i20 Ultimate nos faz recordar ainda mais dos carros anos 2000, com difusores de ar verticais e envolvidos por plástico de aparência pouco agradável.
Não há revestimento touch no painel, onde a parte inferior do conjunto, com os difusores de ar e o controle central também estão com o mesmo material plástico.
Poderia ser em preto brilhante. Todavia, isso não era comum à época. É realmente estranho falar de um carro que acabou de surgir, mas que parece estar no mercado há 25 anos, pelo menos.
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Claro, há um certo exagero se deixarmos de lado os comandos touch do ar-condicionado digital e as duas telas digitais para cluster e infotainment. Esse é o lado atual do i20.

A instrumentação é simples, mudando-se apenas as cores dos mostradores digitais, sem telas adicionais mais vistosas.
Decepcionou um pouco por ser da versão topo de linha, que poderia nos dar o mesmo visual do Creta, por exemplo.
Já a multimídia é bem moderna e intuitiva, de fácil conexão com Android Auto e CarPlay, além de modos de transporte de bicicletas e valet. A câmera de ré pode ser acionada durante a condução.
Essa fusão de passado e presente no i20 gera um contraste interessante, com o painel dual cockpit com base para objetos ao centro, bem como acabamento claro, preferência de americanos e asiáticos.

Ao mesmo tempo, o volante em couro com comandos satélites nos lembra da Range Rover, enquanto na base, ao lado esquerdo, temos o freio de estacionamento eletrônico como nos Mercedes-Benz.
Notou a ausência do logo da Hyundai? Os quatro pontos são referência à letra “H” em código Morse. Trata-se de uma ação ousada para divulgar sua proposta minimalista de design.
O console tem carregador indutivo e comando do Auto Hold, além de porta-copos e um apoio de braço sobre porta-objeto aberto.
Tons de cinza-escuro e marfim ajudam a criar uma atmosfera contemporânea nos assentos em couro claro, fáceis de sujar, contudo.

Nas portas, sem revestimento touch, o que chama a atenção são as maçanetas circulares, típicas de modelos da época mencionada. Atrás, o espaço é bom e há difusores de ar.
Já o porta-malas de 346 litros está dentro da média e pode ser aumentado com o banco traseiro bipartido.
Desempenho atende
Equipado com motor Smartstream-G 1.0 TGDI já ajustado para o Proconve L8 e novas regras de tributação do governo, o i20 Ultimate foca na economia com um bom conjunto.
O propulsor de três cilindros com 998 cm³, turbocompressor e injeção direta de combustível flex, entrega 115 cavalos a 6.000 rpm e 17,5 kgfm a 1.500 rpm.

Os números redondos nos dois combustíveis equilibram a proposta mecânica, que tem ainda uma caixa automática de seis marchas com conversor de torque e trocas manuais por alavanca ou paddle shifters.
Pesando 1.205 kg, o Hyundai i20 Ultimate é bem ágil no trânsito, mesmo não dispondo de modos de condução, garantindo assim uma condução agradável com aproveitamento de torque em baixa.
Na cidade, o i20 Ultimate garante boas saídas e agilidade no anda-e-para do trânsito, traduzindo-se também em conforto ao dirigir.
O regime de giro na casa dos 1.500 rpm ou até abaixo disso, permite frugalidade no dia a dia.

Já na estrada, o Hyundai i20 tem boas retomadas e vigor nas acelerações, indo assim de 0 a 100 km/h em 11,7 segundos, com final de 184 km/h.
A transmissão longa no final faz com que o embalo se perca em alta, mas nada que incomode.
Ele tem Start&Stop, mas bem que o i20 já poderia ter chegado ao mercado numa versão MHEV como do Kia Stonic, por exemplo.
Na cidade, fizemos com gasolina 13,2 km/l, o que foi bom, enquanto na estrada, rodando a 80 km/h, o i20 marcou 21,1 km/l, enquanto a 100 km/h fez 18,8 km/l, chegando a 17,3 km/l a 120 km/h.

Rodando a 110 km/h, o indicador digital de giro ficou em 1.750 rpm, garantindo assim conforto e economia. Já a direção elétrica é leve e bem progressiva.
Os freios também respondem bem, com o i20 tendo uma carroceria rígida o suficiente para garantir uma dinâmica de condução agradável, sempre com sensação de leveza estrutural.
Melhor que a do HB20, que sempre parece um importado, o Hyundai i20 tem suspensão com cursos maiores, gerando mais conforto que o irmão, evitando assim bater no fim do curso.
Isso garante mais conforto em ruas de pavimento ruim, como bloquetes e paralelepípedos, assim como em vias de asfalto remendado.

Bem ajustada, garante ainda confiança em curvas fechadas e desvios rápidos de direção, ainda mais com pneus largos 205/50 R17.
O i20 Ultimate tem um pacote ADAS Smartsense robusto, com controle de cruzeiro adaptativo, centralização de faixa e alerta de saída de pista.
Além de alerta de tráfego traseiro, entre outros. Nesse aspecto, a Hyundai não poupou despesas…
Pode melhorar

O Hyundai i20 Ultimate tem uma boa proposta para manter seu preço na casa dos R$ 140 mil, focando especialmente em conectividade com o BlueLink incluso, além de segurança com ADAS completo.
Fica devendo, no entanto, em dispor de uma opção de ambiente mais escuro e sóbrio, assim como de ventilação do assento do condutor, além de um cluster com mais opções de tela.
Isso tudo relativo à versão Ultimate, a topo de linha, que precisa ser mais recheada diante dos rivais.
Falando neles, no mercado nacional, o Hyundai i20 Ultimate tem o Honda City EXL com proposta semelhante, porém, com mais espaço interno, ainda que peque no bagageiro.

Ele custa R$ 143.700 e tem mais potência, ainda que o motor não seja turbo e a caixa CVT.
Já o Peugeot 208 GT MHEV também desceu para cumprir as regras e está com 116 cavalos, além do CVT, mas com sistema MHEV de 12V para fazer a diferença.
É mais apertado e equipado, tendo pegada mais esportiva por menos: R$ 134.990.
Por fim, o Volkswagen Polo Highline 1.0 TSI foca no desempenho e na dinâmica esportiva, porém, é mais apertado e conta com menos recursos de segurança que o i20 por R$ 138.690.

No geral, o Hyundai i20 Ultimate aposta num segmento altamente ameaçado pelos SUVs de entrada e com alguns rivais que já perderam parte de seus lineups devido a isso.
Seja como for, para quem não liga para um ambiente claro e muito menos para detalhes visuais inspirados em carros que surgiram há 25 anos, o i20 é de fato uma boa evolução do HB20.
Vamos ver como ele ficará daqui a três anos na atualização de meia vida. Até lá, é o que há e, pelo visto, não é assim tão assustador como muitos pintam por aí. Afinal, gosto não se discute.









































