Avaliação Jeep Renegade Sahara MHEV 2027: Custando R$ 175.990, tem economia que desaparece em viagens na estrada

Jeep Renegade branco visto em ângulo dianteiro, estacionado sob uma estrutura de concreto
Jeep Renegade Sahara MHEV 2027 em tom Branco Polar, configuração avaliada pelo Notícias Automotivas.

Projeto global da Jeep lançado em 2014, o Renegade foi desenvolvido de forma conjunta pela antiga Fiat Chrysler Automobiles (FCA).

Teve participação da engenharia italiana e norte-americana da marca que implantou a semente do segmento de SUVs com o lendário Jipe da Segunda Guerra Mundial.

Apesar de não ter sido concebido no Brasil, o Renegade tem forte relação com o país.

O SUV compacto começou a ser produzido em março de 2015 no Polo Automotivo da Stellantis de Goiana, inaugurando o complexo industrial pernambucano e compartilhando a linha de montagem e a plataforma com outros modelos do grupo, como a picape Fiat Toro.

O Renegade tem design marcante e muito ligado às raízes da Jeep.

Jeep Renegade branco visto de frente, com faróis acesos e grade de sete fendas
A dianteira do Jeep Renegade Sahara MHEV 2027 destaca a grade de sete fendas e os novos elementos do para-choque.

Com exceção do Wrangler, um projeto genuinamente norte-americano e que preserva as linhas dos jipes originais (naturalmente, modernizadas), o Renegade é o modelo mais afinado com a herança visual da Jeep. Isso está nos faróis redondos, no “X” das lanternas – uma referência aos galões de combustível extras que os jipes carregavam na traseira durante a Segunda Guerra, marcados assim para serem preservados no combate – e nas caixas de roda trapezoidais, além da grade de sete fendas, mantida em todos os carros da marca até hoje.

Com o Volkswagen T-Cross, o Hyundai Creta, o Honda HR-V e o Chevrolet Tracker como principais correntes no mercado nacional, o Renegade já ultrapassou 700 mil unidades produzidas em Goiana, com mais de 580 mil emplacamentos, sem contar as exportações.

Na linha 2027, o modelo traz como maior novidade a estreia da tecnologia MHEV (híbrido-leve) de 48V da Stellantis nas versões Longitude e Sahara – o exemplar testado nesta reportagem.

Disponível nas configurações Altitude, Longitude, Sahara e Willys, o Renegade teve seu interior completamente renovado na linha 2027, mais moderno e sofisticado, com novos conteúdos e destacando a nova central multimídia de 10,1 polegadas, o quadro de instrumentos de 7 polegadas totalmente digital, os novos acabamentos dos bancos, a manopla de câmbio, os ajustes elétricos do banco do motorista (na Sahara e na Willys) e o novo console central com saída do ar-condicionado para a parte de trás.

Jeep Renegade branco visto em ângulo traseiro, com lanternas acesas e teto preto
Vista traseira do Jeep Renegade Sahara MHEV 2027, versão que combina o motor T270 ao sistema híbrido-leve de 48 volts.

Ao lado da versão Longitude, o Renegade Sahara estreia o sistema híbrido-leve aplicado ao motor 1.3 turbo flex, o T270.

A tecnologia proporciona um torque imediato de ajuda ao motor a combustão em determinadas situações de trânsito, como em subidas mais íngremes, e redução de cerca de 7% no consumo de combustível no ciclo urbano e 8% nas emissões de CO₂.

A tecnologia híbrida-leve é capaz de fornecer energia mecânica e elétrica, operando paralelamente ao sistema elétrico convencional do veículo.

Uma gestão eletrônica controla a operação entre os modos de condução, otimizando eficiência e economia.

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Interior dianteiro do Jeep Renegade, com volante, painel digital e tela multimídia
O interior renovado do Renegade Sahara traz quadro de instrumentos digital e central multimídia com tela de 10,1 polegadas.

A grade frontal traz as tradicionais sete fendas mais salientes e fechadas na parte central em preto brilhante, seguindo as novas linhas de design da Jeep e servindo como uma espécie de cartão de visita do Renegade. Impossível não percebê-las à primeira vista!

O pacote de mudanças externas é acompanhado por novos para-choques dianteiro e traseiro com ângulo de entrada de um autêntico off-road – apesar de ter apenas uma variante com tração integral, a Willys –, novas máscaras de luzes de circulação diurna (DRL), novo design de rodas de 17 ou 18 polegadas.

Em termos de preços, a família Renegade 2027 parte da versão de entrada Altitude, a R$ 129.990, passa pelas duas equipadas com a tecnologia híbrida MHEV, a Longitude a R$ 158.690 e a Sahara a R$ 175.990, e chega à topo de linha Willys, com preço de R$ 189.490, todas empurradas pelo motor T270.

Experiência a bordo – Renovado e aconchegante

O interior do Jeep Renegade Sahara híbrido-leve traz uma completa renovação, com design mais sofisticado, novos materiais de acabamento e melhorias significativas de conforto e ergonomia.

Console central do Jeep Renegade com câmbio automático, comandos do ar-condicionado e porta-copos
O console central do Renegade Sahara reúne o câmbio automático, os comandos do ar-condicionado e conexões USB.

A versão Sahara aposta no tecido Sand Beige (areia) com elegantes detalhes e costuras em tons laranja. Pela primeira vez no SUV compacto nacional, o banco do motorista conta com regulagens elétricas e ajuste lombar.

Essas novidades de requinte talvez sejam uma consequência direta da chegada do Avenger, que passou a ser a nova porta de entrada da Jeep no Brasil, tirando essa condição do Renegade.

O painel é totalmente novo, com texturas e grafismo repaginado, enquanto as portas ganharam acabamento um toque rústico, diferenciado e proposital.

O console central foi elevado para incluir uma saída do ar-condicionado para os ocupantes do banco traseiro e duas portas USB (tipos A e C).

Teto solar panorâmico aberto de um Jeep Renegade branco, visto de cima
O Jeep Renegade Sahara avaliado tem teto solar panorâmico com divisória e rede de proteção.

A Sahara tem teto solar panorâmico com divisória e rede de proteção, aumentando a sensação de amplitude e conforto a bordo tanto para a frente do carro quanto para o pessoal de trás.

A Sahara traz a nova central multimídia com tela de 10,1 polegadas de alta resolução, com espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto e Adventure Intelligence com Alexa integrada.

A ferramenta aprimora o nível de informações, possibilitando ao motorista consultar, de sua casa, várias funções do veículo, como checar o nível de combustível por meio de comando de voz.

O Adventure Intelligence acrescenta app exclusivo, chamada automática de emergência, assistência mecânica vinte e quatro horas, central de serviços conectados, alerta de furto e assistente de recuperação veicular.

Interior do Jeep Renegade visto do lado do motorista, com volante, painel digital e tela multimídia
Detalhe do posto do motorista do Renegade Sahara, que recebeu novo painel e banco com ajustes elétricos.

O Renegade Sahara adiciona ao festival de conveniências os serviços de concierge, agendamento online, alertas de condução, extensão smartwatch, assistente virtual, localização do veículo no app, mapa de alcance dinâmico e atualizações remotas, busca por ponto de interesse, navegação, tráfego e radares em tempo real e visual 3D.

A plataforma tem gratuidade inicial de seis meses, extensíveis por mais seis, mediante a associação do cartão de crédito à conta do usuário e contratação do pacote Premium + Wi-Fi.

Impressões ao dirigir – Tudo de forma automática

Porto Alegre/RS – O desempenho do Jeep Renegade Sahara MHEV é encorpado e forte nas arrancadas – características intrínsecas ao bom motor T270 turbo, com ganhos em eficiência no consumo de combustível trazidos pelo sistema híbrido-leve.

A tecnologia desenvolvida pela Stellantis surgiu primeiramente nos SUVs compactos Fiat Pulse e Fastback.

Compartimento do motor aberto, com motor e componentes mecânicos visíveis
O compartimento do motor mostra o conjunto T270 turbo flex usado no Jeep Renegade Sahara MHEV.

O Renegade Sahara combina o conhecido T270 (1.3 turbo) de até 176 cavalos de potência a 5.750 rotações por minuto, 27,5 kgfm de torque e câmbio automático de 6 marchas a um motor-gerador elétrico (BSG) de 48V que entrega 15,5 cavalos e 6,5 kgfm extras para determinadas situações de trânsito.

A dirigibilidade está um patamar acima da média do segmento, oferecendo firmeza em curvas e viagens mais sossegadas. O Renegade acrescenta controle de tração e estabilidade e freios a disco nas quatro rodas.

De acordo com a Jeep, o Renegade Sahara acelera de zero a 100 km/h em 8,9 segundos e pode chegar à velocidade máxima de 206 km/h.

A intervenção prática do motor elétrico nesses números é nula, pois ele jamais traciona o veículo sozinho.

Jeep Renegade branco visto de perfil, estacionado sob um viaduto
O perfil do Jeep Renegade Sahara MHEV evidencia as caixas de roda trapezoidais e as rodas de liga leve de 18 polegadas.

Assim, em termos de comportamento dinâmico, é como o motorista estivesse dirigindo um carro que ele já conhece desde a introdução do motor T270 na linha Renegade, em 2022, pois tudo no sistema híbrido-leve ocorre automaticamente.

O motorista não precisa acionar coisa alguma para o sistema agir. Sem tração integral, o Renegade Sahara envia toda a força do T270 para as rodas da frente.

O sistema MHEV de 48V usa um motor-gerador elétrico ligado por correia para dar partida no propulsor térmico, fornecendo torque extra nas arrancadas e em subidas mais fortes na cidade.

O propulsor-gerador substitui o alternador e o motor de partida tradicionais, conectado diretamente ao virabrequim.

Parte traseira branca de um Jeep Renegade com emblemas Jeep, MHEV e Sahara
Os emblemas MHEV e Sahara identificam a versão do Jeep Renegade avaliada, vendida por R$ 175.990 na linha 2027.

O motor elétrico entrega em torno de 15 cavalos e torque adicional em baixas rotações e retomadas, aliviando o esforço do motor 1.3 turbo flex.

O stop&go em paradas de trânsito ocorre de forma muito mais rápida e silenciosa, quase imperceptível.

A rolagem de carroceria é muito bem controlada e equilibrada, sendo um dos pontos fortes do Renegade Sahara, que se destaca no segmento de SUVs compactos por manter a suspensão independente do tipo MacPherson nas quatro rodas, enquanto a maioria de seus concorrentes utiliza eixo de torção na traseira.

O sistema usado pelo Renegade permite que cada roda reaja de forma isolada às irregularidades do solo. Nas curvas, as rodas externas e internas copiam o asfalto com precisão, reduzindo a sensação de flutuação excessiva, comum nos SUVs maiores.

Parte dianteira de um Jeep Renegade branco, com grade preta de sete fendas, farol redondo e roda de liga leve.
O Jeep Renegade Sahara MHEV avaliado tem carroceria branca, grade frontal com sete fendas e rodas de liga leve de 18 polegadas.

Outro ponto a favor do Renegade Sahara é seu consumo no dia a dia, bem mais eficiente que os números apontados pelo Inmetro.

Segundo o órgão, o modelo da Jeep tem médias de 11,9 km/l com gasolina e 8,3 km/l com etanol no ciclo urbano e 11,8 km/l e 8,6 km/l na estrada, respectivamente.

Na estrada, o ganho é menor ou praticamente inexistente porque o peso extra do sistema elétrico compensa a assistência em velocidades constantes.

O SUV compacto recebe também uma série de benefícios, como isenções de IPVA em alguns Estados e liberação do rodízio na cidade de São Paulo.

Mais pontos positivos do Renegade vêm com os sistemas ADAS de assistência à condução de nível semiautônomo, de série na versão Sahara.

Os sistemas destacam o controle de cruzeiro adaptativo (ACC), a frenagem autônoma de emergência com detecção de pedestres, ciclistas e outros veículos à frente – acionando os freios automaticamente para evitar ou reduzir os efeitos de colisões –, o alerta e assistente de mudança de faixa (Lane Keep Assist), o monitoramento de ponto cego, o alerta de tráfego cruzado traseiro, o detector de fadiga, a comutação automática e assistente de farol alto e o sensor crepuscular e de chuva.

Ficha técnica – Jeep Renegade Sahara MHEV

Motor a combustão: turbocompressor, transversal dianteiro, 4 cilindros em linha, 1.332 cm3, taxa de compressão 10,5:1, injeção eletrônica Borgwarner – ECM GPEC5
Potência: 176 cv (gasolina/etanol) a 5.750 rpm
Torque: 27,5 kgfm a 2.000 rpm
Câmbio: automático, 6 marchas
Tração: 4×2
Combustíveis: gasolina/etanol
Motor elétrico: transversal dianteiro, tensão 48V
Bateria: chumbo 12V (72Ah), bateria auxiliar íon-lítio 48V (19,5Ahr)
Sistema de freios: dianteiro, disco ventilado, traseiro, disco sólido, ABS+EBD
Suspensão: dianteira, tipo MacPherson, rodas independentes, braços oscilantes inferiores com geometria triangular, barra estabilizadora, traseira, tipo MacPherson, rodas independentes, links transversais/laterais, barra estabilizadora
Direção: assistência elétrica
Rodas e pneus: liga de alumínio de 18’’, 225/55 R18
Peso do veículo em ordem de marcha: 1.531 kg
Capacidade de carga: 400 kg
Dimensões: 4,27 metros de comprimento, 1,80 metro de largura, 1,70 metro de altura, 2,56 metros de entre-eixos
Altura mínima em relação ao solo: 20,8 cm
Ângulo de entrada: 25,6 graus
Ângulo de saída: 31,8 graus
Porta-malas: 385 litros / 1.448 litros (c/ bancos rebatidos)
Tanque de combustível: 55 litros
Preço: R$ 175.990, Preto Carbon sólido (sem adicional), Azul Jazz e Cinza Granite metálicos (+ R$ 2.200), Slash Gold e Branco Polar, do modelo avaliado, (+ R$ 2.500). As cores com exceção da primeira têm teto em Preto Carbon.

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Escrito por

Flash Motors

A nova Agência Flashmotors, do jornalista Daniel Dias, sucede a partir de novembro de 2025 a Agência AutoMotrix, do jornalista Luiz Humberto Monteiro Pereira, que faleceu em agosto do mesmo ano, deixando um legado de prestação de serviços de conteúdo editorial da indústria automotiva.

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