
O Nissan Kicks foi um dos principais acertos da japonesa e se tornou um carro praticamente insubstituível no portfólio brasileiro.
Assim, para preservar sua essência, a marca criou o Kait, uma releitura expressiva da primeira geração do SUV compacto citado acima.
A ideia era ter um SUV compacto de acesso que não fosse um parente direto de um hatch. Com o fim do Kicks Play, surgiu então o Kait, destinado a manter os principais atributos do anterior, mas com cara nova.
Tendo uma gama bem extensa, o Nissan Kait usa e abusa de sua posição para preencher uma enorme faixa de preço, com a versão Sense Plus estando no meio dela e custando R$ 139.590.
Ela apresenta uma visão — na realidade brasileira — de um modelo de baixo custo com recursos de produto mais caro.

Não deixa de ser uma contradição, mas revela o quanto o mercado brasileiro está turbulento diante da readequação necessária de preço e competição.
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Equipado com motor 1.6 de até 113 cavalos e câmbio CVT, o Nissan Kait foca essencialmente em espaço interno, porta-malas e um pacote de equipamentos adequado, realçado por mais auxílio na versão Sense Plus.
Esta se torna uma opção vantajosa?

Foco expressivo
O Nissan Kait não deixa de chamar a atenção na rua por sua frente elevada, com capô que tem formas avantajadas e ressaltadas para dar corpo à antiga estrutura. Os faróis de LED integrados ao acabamento frontal com o logo da marca fluem bem.
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Já os apliques nas molduras abaixo são apenas cromados, enganando quem observa mesmo de perto.
O para-choque com grade emoldurada de preto brilhante se funde bem com o aplique traseiro, bem mais pronunciado e com molduras laterais que reforçam a imagem de robustez.
Mais enxertos laterais na carroceria, um conjunto óptico traseiro escurecido em LED e fusionado com a faixa em preto com o logotipo da Nissan, buscam equilibrar o visual sobre uma base antiga.

As rodas de liga leve de 17 polegadas realçam a proposta do SUV.
Com o nome bem destacado na tampa para ninguém ter dúvidas, o Kait quer dizer para todo mundo que é um novo agente no mercado e não apenas mais uma atualização de um produto já em segunda geração. Pode funcionar.
Dentro, o ambiente é voltado apenas para a praticidade e não exatamente para propor algo premium. O painel, com acabamento texturizado, muitos plásticos e uma verticalização útil, não esconde a proposta de corte de custo.
A ideia é valorizar o essencial e isso se traduz na multimídia com câmera de ré de imagem de baixa qualidade, assim como na interface antiquada para conexão de Android Auto via cabo USB…

Por R$ 140 mil, poderia ter algo melhor, mas segue fielmente a missão do Kait.
O cluster analógico pode ser ruim para quem se acostumou demais com a digitalização, mas ele seria melhor ainda se tivesse um mostrador de combustível igualmente por ponteiro. Seria possivelmente mais preciso que as luzes presentes…
Volante sem couro acompanha o ambiente sóbrio e simples, sem qualquer pretensão a dar mais do que o cliente deseja. No painel, a única coisa que destoa de tudo isso é exatamente o que torna a versão Sense Plus diferente…
Alerta de colisão com frenagem autônoma e assistente de manutenção de faixa surgem como um bônus necessário que não deveria ser. Tais itens já poderiam ser de série no Kait, mas é o mercado quem compra, ou melhor dizendo, quem manda…

Os bancos são confortáveis, com revestimento em tecido adequado, além do bom espaço interno já conhecido do primeiro Kicks e a altura interna satisfatória.
Ou não? A posição elevada do banco surpreende um motorista de estatura alta, deixando a cabeça bem perto do teto.
Enfim, parece que apenas os 432 litros passarão incólumes de alguma crítica aqui, sendo suficientes como sempre, para a proposta de um SUV compacto de entrada que não é do segmento A: tem 4,32 m de comprimento.

Resposta condizente
Na mecânica, o Nissan Kait segue a cartilha deixada pelo Kicks antigo, com o motor HR16DE de sempre e seus 1.598 cm³, com duplo comando acionado por corrente. São 110 cavalos na gasolina e 113 cavalos com etanol, ambos a 5.600 rpm.
Já os torques são de 14,9 kgfm no derivado de petróleo e 15,2 kgfm no combustível vegetal, obtidos igualmente a 4.000 rpm. O câmbio CVT Xtronic da Jatco tem uma calibração bem acertada com o HR16 após tantos anos de convivência pacífica.
Sem paddle shifts, ele permite a troca somente no pé, como nas antigas. Em realidade, ele não troca nada, apenas muda a variação de relação das correias, mas garante uma condução suave e econômica.

Nas saídas, ele atua de forma bem direta, dando ânimo a quem acelera, mas depois as correias deslizam naturalmente e o ponteiro teima em não subir, ficando mesmo abaixo de 1.500 rpm.
Aí o consumo agradece, mas se for necessário elevar o tom, o mostrador vai apresentar alguma morosidade do indicador de rotação.
Indo de 0 a 100 km/h em 11,8 segundos e com final de 175 km/h, o Kait está longe de ser uma proposta para quem busca desempenho, mas ainda assim se apresenta com agilidade na cidade.
Já na estrada, requer alguma paciência, especialmente em subidas longas, retomadas e ultrapassagens. Essa é a herança do Kicks, que sempre apontamos como tendo na morosidade, seu calcanhar-de-aquiles.

Em rodovia, pelo menos, a rotação fica em 1.700 rpm a 110 km/h. Isso ajuda nos consumos de 15,1 km/l a 80 km/h no etanol, bem como 13,9 km/l a 100 km/h e 11,3 km/l a 120 km/h.
Na cidade, ficou na faixa dos 7,9 km/l no combustível vegetal.
Com uma suspensão mais firme, o Kait tem uma dinâmica de condução adequada, usando seu bom equilíbrio de chassi para garantir uma dirigibilidade agradável. A direção elétrica é bem ajustada e os freios são condizentes.

Comportando-se quase como um velho conhecido, o Kait não apresenta surpresas no asfalto bom, mas no pavimento ruim, alguma vibração tomará o ambiente, ainda que bem menos que alguns de seus concorrentes… Bom de curva, ele se apoia nas rodas grandes e pneus 205/55.
Os sistemas de auxílio ao motorista ajudam, embora peque por não ter um controle de cruzeiro adaptativo. A falta de apoio de braço direito para o motorista também não ajuda em viagens.
No mais, se comportou como imaginávamos.
Preço da novidade
O Nissan Kait tem seis versões e destoa muito dos principais rivais, normalmente limitados a duas opções. Isso é bom e ruim, já que existem tantas opções que ele parece o único SUV da marca.
Nessa versão Sense Plus, que custa R$ 139.590, o Kait nem chega perto do Honda WR-V, R$ 10 mil acima.
O mesmo vale para o Toyota Yaris Cross. Já o Renault Duster Intense Plus, seu parente, é R$ 5 mil mais caro (R$ 144.990) e tem menos recursos, embora com porta-malas maior.
Os demais players são menores, derivados de hatches, como VW Tera, Renault Kardian, Fiat Pulse e Chevrolet Sonic, sendo incapazes de oferecer a mesma proposta. Possuem outra pegada.
No lado dos SUVs compactos tradicionais, o Chevrolet Tracker LT sai por R$ 146.690 e com quase os mesmos itens, só que é mais caro, apesar do motor 1.0 turbo.
O VW T-Cross também está mais acima, enquanto o Citroën Aicross 7 XTR por R$ 134.990 poderia ser uma opção, mas é forte de motor e fraco de conteúdo.
Então, observando as opções ao redor, se o Nissan Kait Sense Plus não parecia assim tão atraente, pelo menos nessa faixa dos R$ 140 mil ele se apresenta forte. Claro, faltam vários itens e alguns deles você verá nas outras três versões até o topo.
Para quem busca uma velha receita com um tempero extra, o Nissan Kait Sense Plus é uma opção.
Um tanto estranho por fora, mas muito familiar por dentro.
Nissan Kait Sense Plus 2027 – Galeria de fotos
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