Avaliação Kicks 2022: visual retocado, mas continua sem pressa

Avaliação Kicks 2022: visual retocado, mas continua sem pressa

Há cinco anos, o Kicks estreou com um estilo agressivo, que o colocava – em termos visuais – no mesmo patamar (ou quase) de Honda HR-V e Jeep Renegade.


A traseira ostentava lanternas bem desenhadas e a frente alta impunha respeito, com seu nariz empinado. Por outro lado, na mecânica a Nissan mostrou um caminho mais conservador. Em vez do 1.8 do Honda e do Jeep (sem contar a opção a diesel deste último), o modelo chegou com motor 1.6 16V flex de 114 cv e câmbio automático CVT, que resultou em desempenho morno ao SUV.

O modelo reestilizado, que chega como Novo Kicks 2022, ficou mais moderno visualmente. Os faróis estão mais estreitos, os para-choques mudaram, a grade cresceu e recebeu uma moldura em forma de “V”, que destaca a dianteira do carro.

Avaliação Kicks 2022: visual retocado, mas continua sem pressa

Atrás, uma faixa plástica liga as lanternas. Ficou ainda mais agressivo.

O único ponto que destoa no visual são os limpadores de para-brisa com estrutura metálica, como se usava no passado. Projetos modernos normalmente têm limpadores mais largos, com estrutura de borracha, que além de mais belos são mais eficientes. Outro ponto destoante é que não há nenhuma mudança no conjunto motor-câmbio.

Avaliação Kicks 2022: visual retocado, mas continua sem pressa

Testamos a versão intermediária, o Kicks Advance CVT 2022, que custa R$ 108.990. Ela tem luz diurna de LED, mesma tecnologia presente também nas lanternas e luzes de freio (em todas as versões).

O modelo recebeu um novo conjunto de pneus (205/55 R17) e rodas, além de central multimídia com tela de 8″. A versão intermediária, porém, não foi agraciada com as novidades tecnológicas alardeadas durante o lançamento do carro, há três meses.

É o caso de alerta de colisão com frenagem automática, sensor de mudança de faixa, auxiliar de farol alto, alerta de ponto cego e som Bose com dois alto-falantes de 2,5″ no encosto de cabeça do banco do motorista.

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Esses itens só estão disponíveis na versão de topo, Exclusive, desde que equipada com o pacote “Tech”. Nesse caso, o Kicks salta para R$ 122.490.

Dificuldade de ligar pela manhã se mantém

Para começar, o Kicks apresentou o mesmo sintoma do Versa, que avaliamos há poucos dias: dificuldade de pegar pela manhã. Você aperta o botão no console, solta e espera alguns segundos, até que o motor acorde. É o tempo de aquecimento do etanol, que nos carros da Nissan demora mais do que o normal.

Andando, o Kicks é o mesmo de sempre. Ele é um SUV calmo, e que pede motoristas igualmente sem pressa. As respostas ao acelerador são lentas, e a velocidade tende a cair rapidamente em aclives. O motor 1.6 16V é igual ao do Versa (a plataforma é comum a ambos, a propósito).

Por isso, ele fica (literalmente) atrás de concorrentes, que oferecem ou cilindrada maior (como o Hyundai Creta 2.0) ou menor, mas com turbo (caso de VW T-Cross e Chevrolet Tracker 1.0). O T-Cross 1.0 rende 128 cv com etanol, enquanto o Tracker gera até 116 cv.

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Não é apenas questão de números. Motores turbinados respondem mais prontamente aos desejos do motorista, e mostram ânimo em rotações abaixo de 2 mil rpm. No Kicks, o maior torque aparece a 4 mil rpm. Isso significa que o motorista precisa caprichar na flexão do pé direito. Ao oferecer apenas o motor HR16DE, a Nissan fez uma clara opção pela confiabilidade mecânica, em vez do arrojo no desempenho.

Não há borboletas no volante, e a alavanca também não oferece possibilidade de trocas manuais. Com elas, o motorista poderia forçar uma redução na relação do CVT, e assim garantir um pouco mais de agilidade.

Na falta da opção, resta apelar ao botão sport, que fica escondido na alavanca e na prática pouco ajuda. De acordo com a Nissan, o Kicks acelera de 0 a 100 km/h em 11,3 segundos. É um tempo pior que o do Versa (10,7 s), embora na prática o SUV aparentemente é um pouco mais esperto, principalmente em rotações medianas.

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Em termos de economia, durante a avaliação nossa média com etanol entre cidade e estrada ficou em 7,3 km/l. A Nissan divulga 7,6 km/l no ciclo urbano e 9,3 km/l em rodovias, também com combustível renovável.

Por dentro, estilo agrada

Internamente, o acabamento traz algumas novidades, caso do aplique de plástico que reveste a parte frontal do painel. Ele lembra uma escama de peixe e transmite modernidade. As superfícies são rígidas, ao contrário, por exemplo, do Jeep Renegade, que se destaca na categoria pelo revestimento macio.

Ao menos, o volante recebeu revestimento de material sintético que imita couro, o que garante um toque mais agradável. Com base reta, ele facilita entrada e saída do motorista e ostenta aspecto mais atual. O quadro de instrumentos é o mesmo. Combina velocímetro analógico do lado direito com uma tela configurável de 7″ do lado esquerdo. Ali o motorista pode escolher se pretende visualizar conta-giros, computador de bordo, etc.

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Nessa versão, os bancos são revestidos de tecido, com padrão moderno. Em termos de equipamentos, o modelo vem com ar-condicionado analógico e central multimídia, mas sem os recursos da versão de topo, caso da visão 360º. Há, no entanto, câmera de ré e botões físicos, mais intuitivos. Os quatro vidros elétricos têm comando “um toque” para descida total.

Todas as versões do Kicks vêm com seis airbags, controles de tração e estabilidade, LEDs nas lanternas e luz de freio, comandos de áudio e telefone no volante e compatibilidade com Apple CarPlay e Android Auto, entre outros equipamentos.

A partir da versão Advance, o SUV recebe também chave presencial e controlador automático de velocidade.

Ao contrário do Versa, que tem duas portas USB entre os bancos dianteiros, facilmente alcançadas pelos ocupantes do assento traseiro, o SUV só tem portas USB na frente. São duas, uma das quais do tipo USB-C, menor, que proporciona maior velocidade na transmissão de dados e no carregamento.

Avaliação Kicks 2022: visual retocado, mas continua sem pressa

Mecanicamente, as únicas alterações foram as mudanças nos pontos de fixação na suspensão traseira e na caixa de direção. O objetivo, de acordo com a marca, foi melhorar a estabilidade em mudanças de direção. Segundo a montadora, a direção ficou mais direta, e a suspensão, mais firme.

Teste no asfalto e na terra

Andamos com o SUV na cidade e em estradas asfaltadas e de terra. A posição ao volante agrada. A área envidraçada é boa, e o para-brisa é tão grande que exigiu o que talvez seja o maior quebra-sol entre os carros de passeio da atualidade.

A propósito, o vidro dianteiro recebeu tratamento acústico para diminuir o ruído interno. Os bancos apoiam bem o corpo, embora não tenhamos sentido a tal “gravidade zero” alardeada pela Nissan. Como o porta-luvas é baixo, a tampa tende a bater nas pernas do passageiro ao ser aberta.

Avaliação Kicks 2022: visual retocado, mas continua sem pressa

Tirando a letargia da dupla motor-câmbio, o Kicks é um carro gostoso de dirigir, principalmente pela maciez da suspensão. Na terra, o SUV mantém o conforto, sem muito sacolejo mesmo sobre terreno com muitas pedras soltas.
O único senão durante o teste fora do asfalto foi o aparecimento de um alerta no painel indicando que a tampa traseira estava aberta.

Não estava, mas bati de novo para confirmar e seguimos. Mais adiante, o mesmo sinal reapareceu. E voltou a se manifestar outras vezes, mesmo com a tampa fechada. Provavelmente, a razão estava no desajuste da tampa, que “enganava” o sensor.

Longe dos líderes

O Kicks nunca conseguiu brigar com os líderes do segmento de SUVs compactos. Embora seja o modelo mais vendido da marca, o modelo da Nissan teve 13.040 unidades emplacadas no primeiro quadrimestre do ano.

Como comparação, o líder Jeep Renegade vendeu quase o dobro (25.744), seguido do Chevrolet Tracker (21.420), Hyundai Creta (20.609), Volkswagen T-Cross (20.377), Volkswagen Nivus (14.278) e Honda HR-V (13.182).

Longe de nós ensinar japonês a fazer carro. Muito menos japonês que sabe construir o GT-R. Mas algo me diz que um conjunto mecânico mais animadinho não faria mal ao Kicks. Pelo contrário, ele merece.

Ficha técnica – Nissan Kicks Advance automático

Preço: R$ 108.990
Motor: 1.6, 16V, 4 cilindros, comando duplo, flex
Potência: 114 cv (E/G), a 5.600 rpm
Torque: 15,5 mkgf (E/G), a 4.000 rpm
Câmbio: automático, CVT
Tração: dianteira
Direção: elétrica
Suspensão dianteira: Independente, McPherson, barra estabilizadora
Suspensão traseira: Eixo de torção
Comprimento: 4,31 m
Largura: 1,76 m
Altura: 1,59 m
Entre-eixos: 2,61 m
Porta-malas: 432 litros
Pneus/rodas: 205/55 R17
Peso: 1.136 kg
Tanque: 41 litros
0 a 100 km/h: 11,3 s (E/G)
Máxima: 175 km/h

Hairton Ponciano Voz

Quando começou a escrever sobre carros, ainda não se falava em injeção eletrônica, e vidro elétrico era coisa de rico. Em mais de 30 anos divididos entre testes de pista e as principais redações do país, Hairton Ponciano Voz já viu muito, mas tem certeza de que ainda não viu tudo. É por isso que continua encarando cada avaliação com a curiosidade de sempre. Afinal, a tecnologia não para.