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Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

Arrebatando a atenção da imprensa e do público, o Renault Kwid chegou ao mercado brasileiro com uma pretensão, a de ser o “SUV dos compactos”. Com fogos de artifício, seu lançamento prometia um novo campeão de vendas.


No primeiro mês em campo, o pequenino da marca francesa driblou quase todo mundo e só não passou pela defesa do Onix, que liderou as vendas em setembro com quase 7 mil unidades de diferença. Ainda assim, a carreira meteórica do Renault Kwid o elevou ao segundo posto, com nada menos que 10.358 emplacamentos.

Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

Mas, será que ele continuará assim, tão poderoso em vendas? A primeira quinzena de outubro revelou que ele ficou apenas em 15º com 1.301 vendidos. O motivo? As entregas adiantadas pela Renault, já que a lista de espera é grande para o Kwid. Mas, por que tanta gente quer esse pretenso “SUV”? Um dos motivos, sem dúvida o principal deles, é o preço: R$ 29.990.


O valor é um chamariz, pois o carro nem tem ar-condicionado e muito menos direção elétrica. Assim, quase todo mundo migrou para a versão Zen. Nessa Avaliação NA, a opção é a Intense, que é a mais completinha cedida pela marca, e custa R$ 39.990. Pouco vista nas ruas, ela chama atenção pelo visual incrementado e a cor laranja, bem chamativa.

Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

Por fora….

O Renault Kwid não é de todo um carro feio. Geralmente os subcompactos não apresentam um estilo atraente, mas ele tem um conjunto bem equilibrado e que chama atenção pela linha de cintura alta e colunas C largas, bem como frente elevada. A altura em relação ao solo (180 mm) o faz lembrar os demais aventureiros urbanos.

No Kwid Intense, a atração maior é a cor laranja, que foi bem elogiada por quem comentou esses dias sobre o carro, achando-o bonito por conta disso. Tudo muito simples e prático, o pequeno tem faróis de lente única e faróis de neblina. Proteção preta sob os para-choques e saias de rodas dão um reforço na proposta.

Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

As lanternas pequenas estão na medida certa para o porte do carro e os retrovisores em preto brilhante ajudam a compor um visual mais exclusivo, assim como as faixas laterais e os detalhes cromados na grade. Apesar de não parecer, o Renault Kwid é baixo, medindo 1,47 m de altura. Aliás, ele também é curto e estreito, tendo 3,68 m e 1,57 m, respectivamente.

Mas os detalhes do Renault Kwid Intense não passam despercebidos. O limpador é articulado e único, lembrando o velho Fiat Mille. O teto tem vincos pronunciados que nos faz lembrar do primo Nissan March. A tampa traseira com travamento e abertura elétrica é outro destaque. Mas, sem dúvida, as rodas de três parafusos não são vistas no Brasil desde o fim da Pampa nos anos 90. Aliás, o que se vê não são rodas de liga leve, mas calotas.

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Por dentro….

Se por fora o Renault Kwid é simples e prático, por dentro, ele também não faz diferente. O painel é fiel à proposta do modelo, que é a de ser simples, antes de tudo. Assim, ele tem até capa do airbag do passageiro, além de muito plástico.

Os comandos do ar-condicionado e a instrumentação com conta-giros e velocímetro analógicos seguem o padrão estabelecido para o popular que, no entanto, tem computador de bordo agregado ao nível de combustível digital. Há também um econômetro em forma de luminoso, que fica bem no centro do conjunto. O volante também tem aspecto singelo e vem com detalhes em preto brilhante, o mesmo que envolve a multimídia MediaNav 2.0.

Esta, por sinal, é o que há de mais moderno no Renault Kwid Intense, oferecendo navegador GPS (de difícil localização de endereços, diga-se de passagem), conexão Bluetooth, USB e auxiliar, além de score com pontuação para eficiência na condução e recomendações de economia. Luxo mesmo é a câmera de ré em um carro tão pequeno.

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Nem tanto assim é a ergonomia e conforto do ambiente. Faltam porta-copos eficientes nas portas e há um espaço grande no console central, mas sem porta-copos. O banco do motorista e a coluna de direção não possuem ajustes em altura. Com isso, a posição de dirigir ficou elevada demais para quem é alto, mas não atrapalha muito no dia a dia. Os cintos dianteiros apresentam o tal ajuste. Pelo menos, a padronagem em dois tons dos assentos é interessante.

Os apoios de braço são diminutos nas portas, visto que a intenção é ampliar o pequeno espaço interno. Os vidros elétricos – apenas dianteiros – por sua vez são acionados no painel, junto com desembaçador traseiro, luz de alerta e trava central. Note-se que as portas possuem pinos para travamento. Os bancos têm conforto mediano, não abraçam muito o corpo e vem com apoios fixos, apesar disso não ser um problema, de fato.

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Na traseira, o espaço para pernas é muito pequeno, como já era de se esperar num carro desse porte. O banco com encosto inteiriço tem espaço apenas para dois, mas na teoria leva três com o cinto subabdominal no meio. As portas possuem maçanetas cromadas e apliques exclusivos nesta versão.

O Renault Kwid Intense tem até um terceiro apoio de cabeça para dizer que pode fazê-lo. Há Isofix, o que é bom para que pode pagar pela cara cadeira infantil. Já o porta-malas tem bons 290 litros e quem viu, gostou. Mas um banco bipartido faria melhor. Esqueça luz do bagageiro, não tem.

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Por ruas e estradas….

Antes de começarmos é bom lembrar que o Renault Kwid não é nenhum SUV. Nem mesmo um crossover. Ele é um hatch subcompacto com suspensão elevada, o que garante bons ângulos de ataque e fuga, apenas isso. Há mais elementos que seriam necessários para que ele fosse considerado um utilitário esportivo. Está mais para aventureiro urbano mesmo.

Mas, voltando ao desempenho. O Renault Kwid foi pensado para a cidade – e não para o fora de estrada – e não é qualquer cidade. Estamos falando de lugares em membros do BRICS e países em desenvolvimento, onde as ruas são sofríveis, cheias de buracos e valetas enormes, dificultando a vida de um carro urbano comum.

Assim, sua performance foi adequada a esta proposta urbana e também em relação ao peso: somente 786 kg. Por conta disso, o pequeno 1.0 SCe da Renault perdeu comando de válvulas variável e outros itens para ficar mais leve e menos potente. Com isso, ele fornece somente 66 cv na gasolina e 70 cv no etanol. É pouco, mas suficiente para suas pretensões.

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Nas saídas, o giro sobe rápido e as respostas são adequadas. O propulsor age com folga até uns 3.000 rpm, quando começa a ficar barulhento e pouco eficiente, não respondendo mais com tanta agilidade.

As relações de marcha são adequadas e o engate é preciso, embora pouco macio. Notamos que, quando se exige mais nas retomadas, elevando-se o giro entre 4.000 e 5.000 rpm, um ruído metálico sai do motor, mas não incomoda ou interfere no desempenho. Esse regime é necessário quando se está na estrada e se busca uma ultrapassagem. É preciso atenção, redução forte e pé no fundo do acelerador para que ele tenha uma atitude segura. Rodando a 110 km/h, ele marca 3.500 rpm.

No ciclo urbano, sua casa, o Renault Kwid anda com folga, mas sempre com mudanças acima de 2.500 rpm para ter performance e economia. No entanto, a Renault enxugou bem os custos e aplicou coxins de borracha para sustentar o três cilindros.

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Isso incomoda muito, pois a vibração interna durante a condução está acima da média. O isolamento acústico no habitáculo também não é dos melhores e deixar passar muitos barulhos externos. O Renault Kwid é um projeto de baixíssimo custo, então não espere por um carro mais bem tratado neste e em outros aspectos. Outro item observado foi a embreagem, que tinha acionamento macio, porém, ruidoso, como se o cabo estivesse tensionado demais.

Outro ponto negativo do motor 1.0 SCe do Renault Kwid é sua não adaptação ao etanol. Ele fica oscilando demais e chega a acelerar até 2.500 rpm ao ser ligado de manhã, mas isso também pode ocorrer em qualquer outro período. Ele chega a desligar quando a variação de rotação fica muito elevada antes de sair. Isso já não ocorre tanto na gasolina.

Não sabemos se isso tem reflexo no consumo, mas ele bebeu mais do que deveria com etanol, fazendo apenas 8,5 km/litro na cidade. Na estrada, fez somente 11,9 km/litro. Já com gasolina, o Renault Kwid mostra realmente a que veio, fazendo bons 14,1 km/litro no ciclo urbano e 17,2 km/litro no rodoviário, que não é sua praia.

Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

No rodar, o Renault Kwid é bem ágil, apresentando boa resposta da direção elétrica, que é leve em manobras e progressiva ao dirigir. Mas, os freios deixam a desejar na resposta. É necessário pisar mais fundo e por mais tempo para que o pequeno possa reagir na velocidade esperada.

Já a suspensão tem uma calibragem mais firme, mas isso não é bom como se espera. Ele passa muito das irregularidades do solo em sua boa por estabilidade. Nas curvas, mesmo assim, o Renault Kwid escorrega um pouco mais do que o esperado, mas nada surpreendente, dadas as características do modelo.

Os pneus finos 165/70 R14 são de baixa resistência à rolagem e ajudam na economia, mas deixam a desejar na estabilidade. Em ruas bem esburacadas, com ou sem pavimento, o hatch pulará bastante, incomodando.

Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

De qualquer forma, ele aguenta bem as crateras lunares de muitas de nossas ruas sem bater no final do curso. Os bons ângulos de entrada e saída, já mencionados, assim como a altura livre, não deixam o Renault Kwid bater o fundo, mesmo cheio. Frente e traseira são outras partes livres de impactos dessa natureza.

Na terra, ele se apresenta robusto e de tanto pular, lembra um jipinho 4×4, mas não faz mais do que os aventureiros urbanos do segmento de entrada. É valente, pode-se reconhecer isso nele, mas não passa disso. Não apresenta nem ao menos um bloqueio de diferencial para sair de um eventual lamaçal. Ou seja, esqueça o barro e curta o pavimento urbano.

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Por você….

O Renault Kwid é uma proposta interessante numa faixa de preço já esquecida por muitas marcas. Por R$ 35.390 da versão Zen, ele até que vale a pena, dado o preço menor e considerando-se que a Life é apenas um carro de frota. Já a Intense cobra R$ 39.990. Poderia custar o mesmo que a Zen e assim ficaria bem pago.

Isso não tem a ver com o pacote de equipamentos, claramente melhor no Intense. Mas, diante dos inconvenientes encontrados, o Renault Kwid por R$ 40 mil não é a melhor oferta do dia, apesar de ser a única. No entanto, no mercado, com os preços sugeridos pelos fabricantes, não há outra opção com o mesmo conteúdo.

Avaliação: Renault Kwid tem robustez e economia, mas não é confortável

Então, se a opção for zero km de R$ 40 mil e não houver promoções em sua região, então a única saída para um produto de grande volume e marca reconhecida no mercado é o Renault Kwid Intense. Além das poucas comodidades, incluindo retrovisores elétricos e chave canivete com telecomando, ele também tem quatro airbags (de série em todas as versões).

Se é ruim com ele, pior é sem ele. Mas, tudo isso poderia ser melhor, é claro. Infelizmente, o corte de custos fala muito alto nessa proposta da Renault e se de um lado você tem multimídia com câmera de ré, de outro falta um melhor tratamento acústico, por exemplo. Se compararmos isso com up! e Mobi, a dupla mais antiga corresponde melhor. Porém, ficaram mais caros.

E então, o Kwid vale a pena? Ele é ágil e econômico, mas fica devendo em coisas importantes relacionadas ao conforto, afinal, ele é um carro de uso diário e especialmente na cidade, onde o desconforto do trânsito já complica a vida. Melhor então juntar um pouco mais de dinheiro e partir para um nível acima ou, caso contrário, antes de fechar a compra, fazer obrigatoriamente o test drive para ver se ele realmente o atenderá.

Medidas e números….

Ficha Técnica do Renault Kwid Intense 2018

Motor/Transmissão
Número de cilindros – 3 em linha, flex
Cilindrada –999 cm³
Potência – 66/70 cv a 5.500 rpm (gasolina/etanol)
Torque – 9,4/9,8 kgfm a 4.250 rpm (gasolina/etanol)
Transmissão – Manual de cinco marchas

Desempenho
Aceleração de 0 a 100 km/h – 14,7 segundos (etanol)
Velocidade máxima – 156 km/h (etanol)
Rotação a 110 km/h – 3.500 rpm
Consumo urbano – 8,5/14,1 km/litro (etanol/gasolina)
Consumo rodoviário – 11,9/17,2 km/litro (etanol/gasolina)

Suspensão/Direção
Dianteira – McPherson/Traseira – Eixo de torção
Elétrica

Freios
Discos dianteiros e tambores traseiros com ABS e EDB

Rodas/Pneus
Aço com calotas aro 14 com pneus 165/70 R14

Dimensões/Pesos/Capacidades
Comprimento – 3.680 mm
Largura – 1.579 mm (sem retrovisores)
Altura – 1.474 mm
Entre eixos – 2.423 mm
Peso em ordem de marcha – 786 kg
Tanque – 38 litros
Porta-malas – 290 litros
Preço: R$ 39.990

Renault Kwid 2018/2019 – Galeria de fotos

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