
A cadeia de fornecedores da Toyota enfrenta uma mudança importante na China, onde a fabricante japonesa está ampliando o uso de componentes locais até em futuros modelos Lexus.
O movimento ganhou força com um novo SUV elétrico de luxo previsto para entrar em produção chinesa no segundo semestre de 2027.
Será a primeira vez que a China produzirá mundialmente esse modelo, que também adotará tecnologias avançadas de fabricação voltadas à nova geração de EVs.
Entre elas estará o gigacasting, método que substitui diversos componentes separados por grandes peças de alumínio produzidas em uma única etapa de fundição.
O problema para empresas japonesas está justamente em quem fornecerá boa parte dessa estrutura, já que fornecedores chineses vêm conquistando espaço dentro do projeto.

Um fabricante chinês especializado em cabos de controle automotivo chegou a destacar, em uma mensagem de Ano-Novo divulgada em fevereiro, pedidos relacionados ao projeto Lexus.
Executivos ligados a fornecedores tradicionais da Toyota afirmam que ainda não receberam indicações relevantes de equipamentos ou tecnologias japonesas selecionadas para o novo SUV.
Nas áreas de carroceria e componentes relacionados à bateria, empresas chinesas parecem ter conquistado uma parcela especialmente importante dos contratos disponíveis.
Segundo um executivo do setor, fornecedores japoneses conseguiram poucos negócios depois da disputa direta com companhias locais envolvidas na concorrência pelo programa.
A tendência já podia ser observada no bZ3X, SUV lançado na China em março de 2025 e que se tornou um dos principais produtos locais da Toyota.

O modelo é considerado um exemplo da estratégia de ampliar componentes chineses, reduzindo custos e aproximando os veículos das exigências específicas daquele mercado.
Historicamente, a indústria japonesa funciona por meio do sistema keiretsu, no qual grandes fabricantes mantêm uma rede de fornecedores associados que costuma acompanhar sua expansão internacional.
Enquete
Diante da localização do novo Lexus, qual prioridade deve orientar a reação dos fornecedores japoneses?
Vote e veja o resultado em tempo real.
10 votos
A estratégia atual da Toyota, porém, prioriza desenvolvimento e produção regionais dentro de sua política chamada multi-pathway, adaptando diferentes tecnologias às necessidades de cada mercado.
O novo Lexus fabricado na China mostra que essa localização deixou de ficar concentrada em produtos de maior volume e agora alcança também o segmento de luxo.
Outro fator aumentou a preocupação entre fornecedores japoneses: em maio, a Toyota confirmou o encerramento do desenvolvimento do sedã elétrico Lexus LF-ZC.

Algumas empresas haviam criado equipamentos específicos para o projeto, inclusive soluções destinadas ao gigacasting, e esperavam aproveitar parte desse investimento em futuros veículos.
Embora a Toyota não apresente o SUV chinês como substituto direto do LF-ZC, pelo menos um fornecedor escolhido para o sedã aparentemente não entrou no novo programa.
Ao mesmo tempo, a indústria chinesa de componentes ampliou rapidamente sua presença internacional e alcançou 14% do mercado global em 2025, segundo a consultoria Strategy& da PwC.
Essa participação praticamente triplicou em uma década, enquanto fornecedores asiáticos localizados fora da China perderam espaço durante o mesmo período analisado.
Uma das principais vantagens das empresas chinesas está no preço, aspecto decisivo para fabricantes que precisam reduzir a diferença de custos diante dos EVs locais.
Um executivo japonês reconheceu que competir somente por preço tornou-se extremamente difícil, acrescentando que a qualidade dos fornecedores chineses avançou significativamente nos últimos anos.
Para a Toyota, comprar componentes localmente torna-se uma alternativa importante para manter seus produtos competitivos no maior mercado automotivo do mundo.
Fornecedores japoneses, por sua vez, procuram novas tecnologias capazes de recuperar espaço, incluindo propostas intermediárias entre processos tradicionais e métodos como o gigacasting.
A Aisin desenvolve o conceito Tekizai Body, que utiliza alumínio em partes específicas da carroceria para diminuir a quantidade de componentes e reduzir defeitos de fabricação.
A proposta exige investimento inicial mais moderado que o gigacasting completo, oferecendo uma possível alternativa para fábricas que buscam modernização sem transformar integralmente suas linhas.
Outra oportunidade aparece na Índia, onde a Toyota está ampliando sua presença e prevê iniciar produção em uma nova unidade no oeste do país no primeiro semestre de 2029.
Fornecedores enxergam potencial nesse crescimento porque a indústria indiana de componentes ainda possui menor desenvolvimento local quando comparada à estrutura existente atualmente na China.
A Futaba Industrial já prepara uma nova fábrica indiana, também prevista para iniciar operações em 2029, mostrando como a cadeia japonesa começa a buscar novas frentes de expansão.




