Barreira dos EUA contra tecnologia ligada à China muda o tabuleiro dos elétricos: BYD segue fora e a Polestar não poderá vender carros novos no próximo ano

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Uma barreira regulatória mudou o mapa competitivo dos EVs nos EUA e deixou a Polestar diante de um futuro imediato muito mais incerto.

A decisão veio na quinta-feira, quando o Governo dos EUA impediu a marca de vender carros novos no país a partir do ano-modelo 2027.

O Departamento de Comércio dos EUA, por meio do Bureau of Industry and Security, negou à Polestar uma autorização ligada à Connected Vehicle Rule.

A razão apontada é a ligação societária da marca com a Geely, fabricante chinesa que controla a Polestar dentro de um grupo automotivo global.

O ponto mais difícil de explicar é que a Volvo, marca irmã também pertencente à Geely, recebeu a mesma autorização em maio.

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“Não temos qualquer visão sobre o processo de aprovação da autorização da Polestar”, disse um porta-voz da Volvo ao The Drive.

A Polestar parecia não contar com esse desfecho, já que anunciou em fevereiro um plano de recomeço para ampliar sua linha nos EUA.

A estratégia previa uma sequência de novos produtos no mercado americano, justamente no momento em que a empresa tentava ganhar fôlego comercial.

Parte desse movimento já havia levado a produção global do Polestar 3 de Chengdu, na China, para Ridgeville, na Carolina do Sul.

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A mudança colocou o SUV na fábrica da Volvo em solo americano para reduzir a exposição às tarifas da Administração Trump.

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Hoje, o Polestar 3 sai da mesma linha de montagem do Volvo EX90, modelo com o qual compartilha a mesma base técnica.

Mesmo assim, o futuro da produção do Polestar 3 permanece indefinido, embora o modelo continue disponível em mercados fora dos EUA.

“É cedo demais para especular sobre isso”, afirmou um porta-voz da Polestar ao The Drive, ao comentar a informação recebida das autoridades americanas.

Segundo a marca, será necessário trabalhar com a Volvo Cars para avaliar opções, aproveitando a flexibilidade do modelo de negócios asset-light.

A Volvo também evitou antecipar efeitos e disse ao The Drive que ainda é cedo para especular sobre qualquer impacto potencial em suas operações.

A empresa lembrou que, no fim de setembro de 2025, anunciou novos investimentos em sua fábrica de Charleston para produzir dois Volvo adicionais antes de 2030.

Esses planos, segundo a Volvo Cars, continuam válidos, apesar da nova incerteza em torno da presença da Polestar nos EUA.

O caso amplia um debate que já vinha crescendo, porque o Governo Federal passa a definir, sem lógica pública clara, quem atua no mercado americano.

A BYD, por exemplo, ganhou destaque mundial com seus EVs e já projeta alcançar 16% de participação na Europa até 2030.

A fabricante chinesa ronda os EUA a partir do Canadá e do México, mas segue impedida de entrar de fato no mercado americano.

Essa parede artificial também tranquiliza executivos ocidentais, conscientes da vantagem chinesa em custos e tecnologia diante dos modelos vendidos nos EUA.

Jim Farley, CEO da Ford, voltou da China muito preocupado e classificou o avanço chinês como uma “ameaça existencial”.

A interferência não se limita aos EVs chineses, pois a Hyundai prometeu investir US$ 26 bilhões (R$ 135 bilhões) nos EUA entre 2025 e 2028.

O dinheiro busca localizar a cadeia de fornecimento da marca e reduzir os efeitos das tarifas da Administração Trump sobre suas operações.

Mesmo assim, a Hyundai não recebeu isenção tarifária, apenas um mês após centenas de agentes federais realizarem uma ação na Metaplant da Geórgia.

A Ford monta a Maverick no México, alguns Super Duty vêm do Canadá, e a Ram produz seus Heavy Duty também no México.

A Toyota fabrica vários modelos em Kentucky, incluindo agora RAV4, Lexus ES e Camry, mostrando uma indústria muito mais global que na década de 1920.

O problema central é que investimento local, competitividade e produto avançado já não garantem espaço quando Washington escolhe quem fica dentro ou fora.

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