
Mesmo com um tombo pesado no lucro do primeiro trimestre, a BMW conseguiu manter investidores do seu lado porque o resultado veio “ruim”, só que não tão ruim quanto o mercado temia.
O lucro antes de impostos do BMW Group somou € 2,3 bilhões (R$ 13,3 bilhões), queda de 24,6% em relação a um ano antes, mas acima dos € 2,2 bilhões (R$ 12,7 bilhões) que analistas projetavam.
O retrato fica mais duro quando se olha apenas para o braço automotivo, cujo lucro antes de impostos caiu 33,5% e ficou em € 1,27 bilhão (R$ 7,3 bilhões).
A receita do grupo também escorregou mais de 8% e chegou a € 31 bilhões (R$ 178,9 bilhões), sinal de que a pressão não é pontual e vem de várias frentes ao mesmo tempo.
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A China já não entrega os euros como antes, a concorrência ficou mais agressiva e a ameaça de tarifas maiores nos Estados Unidos paira como nuvem carregada.
Para piorar, a BMW sofreu uma queda global de 20,1% nas vendas de EVs, em parte como resposta ao fim de créditos fiscais federais na América.
Com isso, a participação de carros 100% elétricos sobre o total de vendas do grupo recuou de 17,2% para 15,5%, deixando claro que o crescimento elétrico perdeu força.
Ainda assim, a BMW manteve sua projeção para o ano inteiro, sugerindo que considera a situação administrável e que não vê necessidade de recuar no plano.
O CEO Oliver Zipse também tentou esfriar o medo das tarifas, e tratou a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor 25% sobre carros importados como tática de negociação, segundo a Reuters.
Parte do alívio do mercado veio das margens, porque a empresa escapou do cenário mais sombrio que os investidores já estavam precificando.
A margem operacional automotiva caiu de 6,9% para 5,0%, recuo de 27,5%, mas ainda assim melhor do que as expectativas apontavam.
No volume, as vendas totais do grupo caíram 3,5% e ficaram em 565.780 unidades, e a BMW usou a comparação para mostrar que não está sozinha na desaceleração.
No mesmo período, a Volkswagen registrou queda de 4% e a Mercedes recuou 6%, o que ajudou a BMW a reforçar a narrativa de resiliência relativa.
Do lado do produto, a empresa tenta ancorar a confiança na chegada de novidades que podem reaquecer demanda e melhorar percepção.
O novo iX3 elétrico está com procura muito acima do disponível em mercados onde já é oferecido, e a marca afirma que metade das vendas do X3 agora é elétrica.
A expectativa é ganhar novo impulso quando concessionárias começarem a aceitar pedidos nos EUA para versões feitas na Carolina.
A BMW também já mostrou o i3 elétrico baseado no Série 3, que entra em produção no outono, levando a estética e a tecnologia da Neue Klasse.
Esse modelo promete mais de 885 km de autonomia no ciclo WLTP, usando alcance como argumento para reposicionar o apelo do elétrico premium.
Por trás do otimismo, porém, existe um gatilho que pode virar o vento rapidamente, porque uma tarifa de 25% aplicada de fato mexeria com preço, volume e margem.
A BMW, por enquanto, aposta que consegue atravessar o curto prazo com margens “menos piores” e a Neue Klasse abrindo uma nova etapa, mas a combinação de China fraca e risco tarifário ainda não saiu do radar.
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