BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

Disruptivo ao extremo, o BMW i8 surgiu em 2013 na Alemanha em uma proposta dupla, que envolveu o fabricante Munique em uma nova tecnologia, nunca usada anteriormente, mas também muito cara de sustentar. Ainda assim, o bólido germânico durou sete anos no mercado mundial.


Primeiro superesportivo da BMW desde o antigo Série 8, o i8 nasceu de um conceito que parecia futurista demais, como tantos outros, porém, virou produto que chegou até o mercado brasileiro. Em 2014, a marca alemã montou um estande enorme em São Paulo e o mostrou ao público.

Nascido com o atraente compacto BMW i3, o i8 era uma proposta muito acima do irmão menor, fundindo da mesma forma o alumínio da carroceria com a fibra de carbono e plástico injeção na plataforma. Com isso, ele conseguiu ser muito leve, apesar do tamanho.

Com um estilo arrojado, era considerado um superesportivo também por ter portas de abertura estilo borboleta, bem como perfil aerodinâmico muito baixo e proposta única, embora seu propulsor híbrido plug-in chamasse mais atenção pela ousadia que pela potência.

Usando um motor de três cilindros 1.5 turbo de 231 cavalos, o BMW i8 chegava a 362 cavalos graças aos motor elétrico dianteiro de 131 cavalos, somando assim 362 cavalos. Com coeficiente de 0,26 de cx, o bólido precisava de 4,4 segundos para alcançar 100 km/h.

BMW i8 – detalhes

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

Com velocidade limitada em 250 km/h, o BMW i8 era extremamente econômico, fazendo média de eficiência energética de 47,6 km/l, embora somente com gasolina, fosse bem menos eficiente, chega a pouco mais de 11 km/l na cidade e 13 km/l na estrada. Tanto bom quanto um BMW 320i.

Tendo emissão de 0,59 g/km de CO2, era um dos esportivos mais limpos de sua época, visto poder rodar até 120 km/h usando somente energia. Sua bateria de lítio de 7,1 kWh garantia até 37 km de autonomia no modo elétrico e o tempo de recarga era de 3,5 horas na tomada de 110V ou 1,5 hora em 240V. Tinha até carregador doméstico Wallbox com maior capacidade.

O BMW i8 inovou em muitos aspectos e um deles foi ser o primeiro carro de produção seriada com faróis de laser, que tinham um alcance muito superior ao Matrix LED. Ainda hoje, poucos modelos da marca alemã sustentam faróis de laser.

Num pacote único, o 2+2 da BMW chamava atenção também por suas rodas, não que fossem enormes, mas por portarem pneus muito estreitos, como os de um carro comum. No Brasil, os pneus eram iguais aos da Europa, 195/50 R20 na frente e 215/45 R20 atrás. Só perdia em dimensões reduzidas para o BMW i3 com aro 20.

Com um total de 530 km de autonomia no modo Eco Pro – havia ainda os modos Sport e Comfort – o i8 era um carro muito baixo e não contava com suspensão pneumática, mas seus amortecedores eram ajustáveis eletronicamente.

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

Produzido sem alterações de montagem até 2017, o BMW i8 só existiu em versão cupê até esta data. Após isso, a BMW lançou o i8 Roadster com as melhorias feitas no produto. Nesse caso, por exemplo, com motor elétrico mais potente, tendo 143 cavalos.

Na atualização, a bateria de lítio passou a ter 11,6 kWh, ampliando assim a eficiência energética e levando o i8 a rodar 55 km no modo elétrico. Feito em Leipzig, Alemanha, o BMW i8 ganhou uma edição especial Protonic Red Edition e até ganhou uma série de malas exclusivas da Louis Vuitton.

Por aqui, o BMW i8 chegou com preço sugerido astronômico para a época de R$ 799.950, um valor que durou anos no configurador da BMW. Ainda hoje, as poucas unidades à venda no mercado de usados de luxo custa o mesmo que um Porsche Taycan zero km.

O BMW i8 tinha um perfil de gran turismo com frente bem baixa e curvada, tendo faróis de laser com facho alto e baixo, além de luzes diurnas em LED. As lentes eram escurecidas e se apoiavam numa moldura em preto brilhante.

Ao centro, a grade falsa imitava o duplo rim da BMW com frisos azuis que indicavam a pegada ecológica do esportivo alemão. Entre elas havia uma câmera de manobra e acima, o logo da BMW. Com molduras laterais em preto brilhante, havia entradas de ar dos freios no para-choque.

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

Tendo um duto de ar na parte inferior, o fluxo saía no centro do pequeno capô, que tinha uma moldura preta com o difusor. Isso ajudava a grudar a frente no chão, já que era mais leve. Nas laterais, havia ainda um bocal para recarga externa de energia tipo 2.

Já as portas tinham abertura vertical tipo borboleta e apresentavam vidros elétricos, além de retrovisores aerodinâmicos em preto brilhante com repetidores de direção. As maçanetas ficavam ocultas atrás das portas, num vinco que parecia uma entrada de ar, mas não era.

As vigias laterais eram pequenas e havia vincos pronunciados nas laterais, que criavam um canal de ar, que permitia ao i8 ter menos arrasto e ainda criava um design único. Na parte superior deste, havia duas alças em cinza que contornavam a parte de cima na traseira, terminando sobre as lanternas.

Estas eram de LED em forma de “U”, dado que o fluxo de ar do canal passava no meio das lentes. A base de fibra de carbono com plástico reforçado, reduzia a altura das portas e marcava as laterais do i8, com molduras pretas e azuis, além de duto de ar sob o monocoque.

Inspirado em um iPhone, o BMW i8 tem boa parte da traseira em preto brilhante, assim como o BMW i3, além de elementos em azul e na cor da carroceria. O escape era escondido e o para-choque traseiro tem duas saídas de ar dos dutos inferiores do monocoque.

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

O para-choque na cor do carro tinha suporte de placa e protetores adicionais. As rodas do i8 eram de alumínio especial com aro 20 polegadas com tala de 7 polegadas na frente e 7,5 atrás. Os pneus de baixa resistência à rolagem tinham medidas 195/50 R20 na frente e 215/45 R20 atrás.

No teto, vidro escurecido mas sem células fotovoltaicas, tendo ainda uma antena em forma de barbatana. Sendo um 2+2, o BMW i8 tem conforto apenas para quem ia à frente. O painel tem contornos suaves e muitos vincos, apresentando a parte superior em preto e a inferior em bege.

O volante de três raios apresenta um visual bem moderno e exclusivo, com paddle shifts e comandos variados, além de couro e filete branco. A coluna chega com ajustes em altura e profundidade. O cluster era digital e configurável, acompanhado de um HUD colorido logo atrás.

Ao centro e isolada, uma tela digital do BMW ConnectedDrive não era touchscreen, uma resistência que a BMW só quebrou recentemente. Toda a navegação ficava no túnel central, ao lado de um porta-objetos com tampa. Havia dois difusores de ar para o motorista e um duplo para o passageiro.

O sistema de som ainda botões físicos, assim como o ar-condicionado dual zone. Já a alavanca de câmbio era no padrão joystick da BMW, tendo ao lado alguns comandos, incluindo freio de estacionamento eletrônico e os modos de condução e botão de partida.

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

As portas tinham duplo acabamento com tecido áspero e couro, além de alças grandes para facilitar o fechamento das portas. Havia ainda comando para rebatimento dos espelhos, bem como botão para liberação da abertura sobre os puxadores. Havia um porta-copo único, mas tinha outra opção.

Além disso, os bancos em couro tinham aquecimento e ajustes elétricos. Nos encostos, haviam suportes laterais para apoio do cinto de segurança, que ficava mais atrás.

Já nos bancos traseiros individuais, havia encostos e assentos separados em couro num fundo de carpete. Tem também um porta-copos duplo e não havia apoio de cabeça. Engates para Isofix existiam, enquanto os cintos de segurança de 3 pontos eram azuis.

O bagageiro do BMW i8 comportava apenas 154 litros, mas havia um frontal, em tamanho menor. O acesso era pela vigia traseira e o mesmo ficava sobre o motor 1.5 TwinPower Turbo.

Sem teto solar elétrico ou panorâmico, o cupê híbrido também não tem controle de cruzeiro adaptativo. Bluetooth, USB, navegador GPS e câmera com monitoramento em 360 graus fazia parte do pacote.

No BMW i8 Roadster, o diferencial era haver somente dois lugares, com o teto rígido retrátil automaticamente que se elevava e cobria a parte aberta ou vice-versa. Os bancos também diferiam, sem o elemento vazado do cupê e mais volumosos. Saiu de linha em junho de 2020.

BMW i8 – versões e inovações

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

O BMW i8 vinha somente numa única versão com rodas aro 20, pneus 195/215, bancos em couro, assentos dianteiros com aquecimento e ajustes elétricos, direção eletro-mecânica, ar-condicionado dual zone, volante com paddle shifts e câmbio joystick.

Esse pacote trazia ainda trio elétrico completo, multimídia BMW ConnectedDrive com serviços online, previsão do tempo, notícias e navegaçção GPS. Câmeras em 360 graus, sensores de estacionamento, piloto automático, Bluetooth, USB e HUD faziam parte.

Tinha soleiras personalizadas, porta-copos, Isofix, cintos de segurança azuis, suportes de cintos nos encostos, entre outros. Inovou com os faróis de laser de série, totalmente adaptativos e com facho alto automático. Com três modos de condução, recuperação de energia nas frenagens e até bloqueio de bateria.

Teve somente uma edição especial, a Protonic Red Editon, com detalhes em vermelho no lugar do azul, mesclando com preto brilhante e em lote bem limitado. O BMW i8 Roadster tinha bancos exclusivos, dois lugares e capota rígida retrátil de fibra de carbono.

BMW i8 – motores e transmissões

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

O BMW i8 era equipado com o motor B38K15T0, que tinha três cilindros em um bloco de alumínio modular com cabeçote de duplo comando de válvulas Valvetronic com sistema Vanus, ou seja, duplo e variável em tempo e abertura de válvulas.

Com turbo compressor e injeção direta, o 1.5 TwinPower Turbo entregava 231 cavalos a 5.800 rpm e 32,6 kgfm a 3.700 rpm, sendo acoplado a uma caixa automática de seis marchas da Getrag. Naquela época, a BMW ainda não dispunha de um câmbio de dupla embreagem com sete marchas.

Posicionado de forma central e em transversal, assim como o câmbio, o 1.5 Turbo se conectava às rodas traseiras. Na frente, havia um motor elétrico de 131 cavalos e 25,5 kgfm, com uma caixa de engrenagens de duas velocidades da inglesa GKN para tração das rodas dianteiras.

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

A refrigeração do motor se dava através de um radiador frontal, que arrefecia o motor central. Entre o motor elétrico dianteiro e o traseiro a gasolina, ficava a enorme bateria de lítio de 7,1 kWh entre os quatro assentos, com um tanque de 30 litros sob um dos bancos traseiros e módulos de energia do outro lado.

Com esse conjunto, o BMW i8 até 2017, tinha 362 cavalos e 42 kgfm de forma combinada. O arranjo não difere daquele empregado pela Volvo, exceto pela posição invertida dos motores. Montados num chassi de alumínio, estas peças eram interconectadas, com a carroceria de fibra de carbono envolvendo-as.

A partir de 2018, o motor elétrico passou a ter 143 cavalos com o mesmo torque, enquanto o 1.5 Turbo manteve-se inalterado. Já a bateria aumentou sua capacidade para 11,6 kWh. Com isso, a autonomia aumentava de 37 km para 55 km no modo elétrico.

BMW i8 – desempenho e consumo

BMW i8: detalhes, preços, versões, desempenho

O BMW i8 ia de 0 a 100 km/h em 4,4 segundos e tinha máxima limitada em 250 km/h. Ele podia rodar até 120 km/h em modo elétrico, além de ir de 80 a 120 km/h em 8,2 segundos. Para um carro com 1,5 tonelada de peso, 362 cavalos e 42 kgfm, ele andava bem.

Quando surgiu o BMW i8 Roadster, o tempo até 100 km/h caiu para 4,6 segundos com a mesma final. Contudo, o cupê da mesma época, 12 cavalos mais potente, não mudou a aceleração, que se manteve inalterada. Trabalhando com o conjunto motriz completo, podia recorrer ao modo Sport para melhor performance.

Já no consumo, inicialmente fazia 11,3 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada, mas após 2018, com bateria maior e mais potência no elétrico, passou a fazer 24,2 km/l no urbano e 27,2 km/l no rodoviário. A autonomia subiu consideravelmente com a atualização.

Também podia rodar 37 km no modo elétrico, ampliados para 55 km em 2018. O tempo de recarga em 110V era de 3,5 horas, com 220V obtendo 1,5 hora. Havia ainda um carregador Wallbox de 7,4 ou 11 kWh para recarga plena em minutos.

Contudo, como tinha pouco autonomia, não era muito eficiente para viagens longas, mas era possivel blindar a bateria para economizar energia, uma vez que o motor 1.5 tinha um gerador para alimentar as células e o motor dianteiro diretamente.

BMW i8 – fotos

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.