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Bosch: combustível sintético é alternativa viável para neutralizar emissão de carbono

audi-e-gas-usina-1 Bosch: combustível sintético é alternativa viável para neutralizar emissão de carbono

Zerar as emissões de carbono é impossível nessas alturas do campeonato, mas fazer com que a quantidade de CO2 na atmosfera deixe de crescer é uma opção que agora parece viável, de acordo com a Bosch. A empresa alemã, que também atua no segmento automotivo, acredita que a solução para essa questão está nos combustíveis sintéticos.



Não por acaso, o tema vem ganhando cada vez mais importância nos últimos tempos e recentemente – por coincidência – foi publicado aqui no NA. A Bosch comenta que essa alternativa agora é viável, pois o processo produtivo já é conhecido e agora falta a parte mais difícil, torna-lo industrial em larga escala.

Para a empresa alemã, a produção de gasolina e diesel sintéticos produzirá o chamado carbono neutro, uma vez que retira da atmosfera a dióxido de carbono emitido pelos veículos movidos por derivados de petróleo, convertendo-os em combustíveis limpos. Essa engenharia reversa permitirá, segundo cálculos da Bosch, anular a emissão de 2,8 gigatons de CO2 da atmosfera, o que é equivalente a três vezes as emissões de dióxido de carbono da Alemanha em 2016.

Ou seja, é como se a maior economia da Europa voltasse para a pré-história por três longos anos. A Bosch comenta que a alta nos preços do petróleo, bem como questões políticas e econômicas mundiais incentivaria mais a produção de combustíveis sintéticos, que surgiriam também como uma alternativa econômica. A empresa diz que para se chegar ao carbono neutro é preciso que a produção de sintéticos use 100% de energia renovável.

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Projetos recentes da VTT – grupo de engenheiros alemães e finlandeses – e da Audi, utilizam respectivamente energia solar e eólica. A Noruega também é outro país que está buscando a produção de sintéticos, mas isso não deve ocorrer sem esforços governamentais para financiar ou conceder incentivos fiscais para a sua implementação, visto que as plantas de produção são complexas e caras de construir. A Bosch calcula que – fora os impostos – o litro de gasolina sintética deve ficar entre € 1,00 e € 1,40 nos próximos anos.

A companhia germânica defende que os combustíveis sintéticos poderão abastecer os milhões de carros ainda nas ruas e os que virão nos próximos anos, reduzindo bastante o impacto ambiental. Além disso, serão um complemento ao uso do carro elétrico. A Bosch também fala na vantagem sobre etanol, pois – no caso americano – “não tira o alimento da mesa de jantar”, uma referência ao milho nos EUA, usado para produção do combustível vegetal. Aqui, o caso envolveria principalmente o açúcar da cana.

A Bosch explica que todo o processo produtivo é limpo, pois a energia necessária é renovável e inesgotável – vento ou solar, por exemplo – enquanto o hidrogênio necessário para o processo químico é extraído da água. Já o CO2 pode ser obtido de processos industriais (resíduos orgânicos na Audi) ou da própria atmosfera. A metanação resultante dos dois elementos (H2+CO2) resulta em gasolina, diesel, querosene ou gás sintéticos. Em seu e-gás (GNV)), no entanto, a Audi diz que reduz em 80% a emissão de CO2.

Numa comparação entre um híbrido movido por sintético e um carro elétrico, a Bosch diz que o custo de propriedade, rodando-se até 160.000 km, do primeiro pode ser menor que a do equivalente equipado unicamente com baterias de lítio. No geral, estes combustíveis feitos a partir da poluição atmosférica ou industrial poderão abastecer automóveis, caminhões, ônibus, navios, casas e até aviões. O impacto global dessa nova indústria será sem dúvida enorme e histórica.

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