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Brasil: governo vai apresentar programa para elevar tecnologia industrial

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O governo federal prepara para o segundo semestre um programa de manufatura avançada para a indústria brasileira, onde o setor automotivo será bastante beneficiado. A chamada “Indústria 4.0” permitirá ao país ser competitivo ante os players mundiais, oferecendo produtos, serviços e automóveis com níveis de qualidade, segurança e tecnologia embarcada que poderão atender requisitos de mercados mais exigentes.

O MDIC criou um grupo de trabalho com essa iniciativa, batizado de “GTI 4.0”, que busca elevar o nível tecnológico da indústria nacional com processos mais avançados e digitais, onde o custo de produção será reduzido e os produtos terão alta qualidade, podendo assim disputar melhor com similares em outros mercados.

A projeção é de que os mercados terão alta de 4% até 2023 e o Brasil não pode ficar de fora desse crescimento, entende o governo. Assim, a ideia é fomentar a Indústria 4.0 em empresas de grande impacto no setor industrial, já que não haverá tempo hábil para implementar mudanças em todos os setores. Além disso, questões tributárias também serão abordadas, a fim de facilitar a entrada de tecnologias e processos mais avançados no país.

A digitalização também é outro ponto que está sendo abordado, tornando a comunicação e também a operação dos processos industriais mais inteligentes, eficiente e barata. Um levantamento com 2,3 mil empresas no Brasil, apontou que 52% delas não utilizam nenhuma das 10 tecnologias mais básicas para indústria, e cita inclusive o programa CAD/CAM, como exemplo. Ou seja, o setor está totalmente desatualizado em relação ao que é necessário para tornar o país competitivo no mercado internacional.

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No setor automotivo, o governo vê também uma redução no faturamento com as vendas de automóveis, sendo que o futuro estará atrelado à comercialização de produtos e serviços digitais. Em todo o mundo, uma pesquisa com 20 mil consumidores apontou que 46% deles estão dispostos a pagar por tecnologias que ampliem a segurança e a conectividade, sendo que 55% dessas pessoas acreditam que tais produtos surgirão dos fabricantes de veículos.

Novamente, tributação e imposto de importação deverão ser negociados para reduzir os custos de introdução de tecnologias mais avançados que permitirão aos carros brasileiros oferecer produtos e serviços similares aos de mercados consolidados, não só para o consumidor brasileiro, mas também para o mercado mundial.

Um levantamento do MDIC apontou que das 500 maiores empresas do Brasil, 40% fecharão as portas nos próximos 10 anos, se não houver agora uma mudança que seja igual ou mais rápida que acontece no mercado mundial. Quem não se modernizar a tempo, fechará as portas. Um dos primeiros pontos nesse sentido será a automação, crucial para redução de custos e melhora no processo de fabricação.

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O Brasil tem apenas 10 robôs industriais para cada 10 mil habitantes, enquanto os EUA têm entre 250 e 300. Mesmo com 1.500 robôs instalados nos três últimos anos, o país – se mantiver o ritmo – alcançará o mesmo nível americano somente daqui a 100 anos. A fomentação da automação é algo prioritário para o governo e 15 empresas do setor de autopeças, que tem dificuldade em modernizar-se, já optaram para robotização de seus processos.

A previsão é de que 50 bilhões de “coisas” serão conectadas em todo o mundo no ano de 2020 e um mercado de US$ 15 trilhões será criado nos próximos 15 anos com novos produtos e serviços revolucionários. No setor automotivo, o de autopeças é o que está recebendo maior atenção, já que é considerado o maior gap na indústria automobilística nacional, por ainda não estar devidamente atualizada em relação aos fabricantes de veículos.

Fazer as empresas entenderem o que é a Indústria 4.0 e que esse é o caminho para crescer será a principal tarefa do governo com esse novo programa de avanço tecnológico para o setor industrial como um todo. Ele será acompanhado pelo Rota 2030, que também será anunciado no segundo semestre, criando assim uma nova política para tornar o Brasil mais competitivo em nível mundial.

[Fonte: Automotive Business]

Agradecimentos ao Kerson Neto.

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