Brasil: sem carro, projeção de vendas para 2021 cai mais uma vez

Brasil: sem carro, projeção de vendas para 2021 cai mais uma vez

O mercado automotivo teve mais uma queda e a Fenabrave teve que refazer as contas mais uma vez. O ano de 2021 está sendo péssimo para o setor automotivo com a crise do chip. Sem componentes, as fábricas param regularmente e as vendas despencam.

Com o péssimo resultado de setembro, a Fenabrave – entidade que reúne os logistas de concessionárias no país – reviu a previsão de vendas do mercado nacional como um todo, caindo assim de 2,3 milhões de veículos para 2,16 milhões.

Só automóveis e comerciais leves, seguindo esse ritmo, fecharam com 2,01 milhões. Ou seja, apenas 3,1% acima de 2020, quando o mercado fechou por muitos meses devido à pandemia. Alarico Assumpção Júnior, Presidente da entidade, diz:

A falta de veículos novos, em função da escassez de componentes na indústria, é um fenômeno global, que atinge outros países, como os Estados Unidos, por exemplo. Vivemos, hoje, possivelmente, o ponto mais crítico dessa crise de abastecimento de veículos, mas acredito que, nos primeiros meses de 2022, teremos uma clareza maior sobre a resolução do problema”.

A retração em todos os segmentos foi de 4,43% em setembro comparado a agosto, mas em relação à setembro de 2020, ficou em 14,37%. Isso é um agravante, dado que as vendas deveriam estar subindo e declinam na mesma época em que subiam no ano passado.

Com baixos estoques nas concessionárias e fábricas (a Anfavea irá se manifestar essa semana sobre o assunto), o mercado só vê as vendas declinarem num momento de retomada da economia. No mercado de carros usados, cujo balanço de setembro ainda não saiu, espera-se um movimento maior com a baixa oferta de carros novos.

Para termos uma ideia, a previsão da Fenabrave era de alta dos novos em 10,7% no ano de 2021, sendo esta feita em julho. Agora, são somente 3,1%. Em janeiro, esperava-se por alta de 15,3%. Agora, tudo depende das remessas de semicondutores e outros componentes, porém, acordos recentes, como da Renault e Fiat, indicam que a coisa vai demorar a melhorar.

[Fonte: Fenabrave]

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações. Também trabalhou nas áreas de retificação de motores, comércio e energia.