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Brexit: Nissan quer compensações do Reino Unido ou deixará de investir no país

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O Brexit já não causa tanto estardalhaço nas manchetes de jornais da Europa, mas no setor automotivo, a saída do Reino Unido da União Europeia é um assunto em pauta. A retirada britânica pode significar um aumento expressivo dos custos de produção, derrubando as vendas de fabricantes instalados ou não na Grã-Bretanha.

A preocupação no setor é geral, visto que um “Brexit duro” pode fazer os carros fabricados na Inglaterra pagarem pelo temido imposto de importação na União Europeia. Isso sem contar os custos para importação e exportação de insumos, que elevaria ainda mais o ônus pela saída britânica.

Para a Nissan, o Reino Unido tem de prometer compensações para os fabricantes locais ou a montadora pretende rever seus investimentos no país. Em Sunderland, onde a empresa produz um terço de seus carros, a decisão para fabricação do próximo Qashqai será tomada em 2017.

Mas, Carlos Ghosn – CEO da Renault-Nissan – já avisa que não pode esperar pelo Brexit e quer negociar diretamente com o governo britânico a fim de conseguir um acordo de compensações, que garanta o investimento em Sunderland.

Para Ghosn, se haverá barreiras fiscais para os automóveis, o governo deve conceder compensações para que as operações sejam viáveis no país. A preocupação do chefão da Renault-Nissan também é compartilhada com a Toyota, que não está tão confiante assim em relação à compensação, pois acredita que um acordo assim será “muito, muito difícil”.

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Impacto e incertezas

Atualmente, 814 mil pessoas dependem da indústria automotiva no Reino Unido. O Brexit não só deve impactar no setor, mas também em toda a economia da Grã-Bretanha. Quando o resultado do plebiscito foi anunciado em 23 de junho, a surpresa tomou conta de todos os setores e o abalo econômico no país foi o maior desde a Segunda Guerra Mundial. A libra esterlina despencou como nunca antes diante do dólar.

De acordo com Ghosn, o governo britânico está conversando com empresas do setor privado sobre as eventuais implicações da saída da UE. Para o líder do grupo franco-nipônico, a disposição em conversar já é um começo.

Mas, há muita incerteza sobre o futuro do Reino Unido fora da União Europeia e sua relação com os estados do continente. As negociações formais devem começar no início de 2017 e se estenderão por dois anos, até a separação definitiva.

Não se sabe, por exemplo, se o Reino Unido manterá alguns acordos e nem mesmo com quais membros da UE. Quanto às barreiras fiscais, por enquanto, o temor é do imposto de importação e outras taxas que poderão ou não ser inseridas nas relações comerciais. Um modelo que poderia ser seguido é o da Turquia, mas os custos na Grã-Bretanha são bem maiores que na Ásia Menor.

Ainda assim, algumas vozes na União Europeia – especialmente na Alemanha – se mostram contra qualquer acordo parcial com os britânicos. A saída deve ser completa ou não ser realizada. O impasse também segura todo e qualquer investimento no Reino Unido pelos próximos meses, quando uma definição pode ser anunciada. Por enquanto, uma coisa é certa, o impacto no setor automotivo poderá atingir não só os fabricantes na Grã-Bretanha, mas também os demais que ficaram no continente e precisam vender ou importar componentes ingleses.

[Fonte: Reuters]







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