BYD ameaça processar governo dos EUA após ser colocada em lista militar e vê ataque ao seu sucesso global

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A disputa global dos EVs acaba de ganhar um novo componente político, com a BYD enfrentando uma acusação americana que pode atingir sua reputação internacional.

A maior fabricante de EVs do mundo ameaça processar o governo dos Estados Unidos depois de ser incluída pelo Pentágono em uma lista de “empresas militares chinesas”.

Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, afirmou que a companhia usará todas as “armas” legais disponíveis para combater a classificação americana.

Segundo a executiva, a acusação é falsa e tenta enfraquecer a BYD justamente por causa do sucesso internacional alcançado pela marca.

Na segunda-feira, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou uma versão atualizada da lista Section 1260H, que identifica entidades descritas como empresas militares chinesas.

A BYD agora aparece ao lado de Alibaba, Baidu, NIO, da fabricante de robôs Unitree e da produtora de LiDAR RoboSense.

A relação passou a incluir 188 entidades chinesas, acima das cerca de 130 registradas no ano passado.

No documento, o Pentágono afirma que a BYD tem ligação “direta e indireta” com a SASAC, instituição que administra empresas estatais chinesas.

O órgão americano também cita o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China como parte das supostas conexões atribuídas à montadora.

A BYD é descrita pelo Pentágono como uma colaboradora de fusão militar-civil da base industrial de defesa chinesa.

A classificação impede a empresa de obter contratos com o governo americano, com a proibição direta ao Departamento de Defesa entrando em vigor ainda neste mês.

Outra restrição, voltada à aquisição de bens ou serviços por meio de intermediários, passa a valer até junho de 2027.

A inclusão na lista não aciona sanções automaticamente, mas o Pentágono afirma que se reserva o direito de adotar medidas adicionais contra essas entidades.

Até agora, o órgão não apresentou provas diretas das alegações contra a BYD, o que reforça a reação da companhia chinesa.

Autoridades americanas argumentam que a separação entre empresas privadas e estatais na China costuma ser pouco clara em áreas estratégicas.

Elas também citam as políticas oficiais de fusão civil-militar de Pequim, que obrigariam empresas chinesas a cooperar com demandas governamentais e militares.

O caso lembra a inclusão da CATL, maior fabricante de baterias para EVs do mundo, na mesma lista em janeiro de 2025.

A CATL também negou as acusações feitas pelo Pentágono e continua presente na relação americana.

Em entrevista ao The Telegraph, Stella Li disse que a BYD é atacada porque se tornou forte demais para ser enfrentada apenas no campo dos produtos.

A executiva afirmou que a empresa tentará primeiro dialogar de forma aberta e transparente com as autoridades americanas.

Mesmo assim, ela deixou claro que, se a situação piorar, a BYD recorrerá à proteção legal para defender seus interesses.

O momento da decisão aumenta a tensão, porque a BYD ultrapassou oficialmente a Tesla em 2025 como maior fabricante mundial de veículos totalmente elétricos.

A marca chinesa vendeu 2.254.714 BEVs em 2025, contra 1.636.129 entregas da Tesla, abrindo vantagem superior a 600.000 unidades.

A expansão internacional também acelerou, com a BYD assumindo a liderança entre marcas de EVs em mercados importantes como Reino Unido, Austrália e Brasil.

No Reino Unido, a empresa vendeu 31.553 carros até agora em 2026, mais que o dobro do ritmo registrado no ano anterior.

Segundo a SMMT, sua participação britânica chegou a 3,4% nos primeiros cinco meses, ante 1,7% no mesmo período de 2025.

Com esse desempenho, a BYD passou à frente de Mini, Renault, Volvo e Land Rover no mercado local.

Na prática, o impacto imediato da designação tende a ser limitado, já que a BYD não vende carros de passeio nos Estados Unidos.

Tarifas já haviam dificultado esse caminho, e a empresa tampouco dependia de contratos com o Pentágono para sustentar seus negócios.

Sua presença americana se concentra basicamente em uma fábrica de ônibus elétricos em Lancaster, na Califórnia, operada há mais de uma década com mão de obra sindicalizada.

Por isso, a reação de Stella Li parece mirar mais a reputação da BYD do que uma perda comercial direta no curto prazo.

A lista 1260H envia um sinal a parceiros, fornecedores e investidores americanos de que uma empresa pode ser tratada como ameaça de segurança.

Esse tipo de classificação também pode abrir caminho para medidas mais duras no futuro, como a própria CATL já experimentou.

A controvérsia ainda expõe uma contradição: empresas civis também colaboram com o setor militar nos Estados Unidos, embora sob regras e estruturas diferentes.

A Lei de Produção de Defesa permite que Washington obrigue companhias americanas a priorizar pedidos ligados à defesa em determinadas situações.

Em 2020, por exemplo, a GM foi obrigada a fabricar respiradores, enquanto ordens da FISA podem exigir cooperação de empresas de tecnologia com agências de inteligência.

A própria GM mantém a divisão GM Defense, que produz o Infantry Squad Vehicle do Exército dos Estados Unidos sobre a plataforma da Chevrolet Colorado.

Existem diferenças reais entre os sistemas americano e chinês, especialmente em transparência e supervisão judicial, mas a fronteira entre indústria civil e defesa não é exclusiva da China.

Para a BYD, a batalha agora é impedir que uma designação sem provas públicas se transforme em ferramenta para limitar sua imagem e sua expansão global.

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