
A próxima grande disputa tecnológica da indústria chinesa de baterias começa a ganhar prazo definido, já que fabricantes importantes convergem para testes de células de estado sólido em 2027.
Esse movimento envolve empresas de diferentes portes e também montadoras, transformando o próximo ano em uma etapa decisiva para levar a tecnologia dos laboratórios às ruas.
BYD e CATL já confirmaram planos para iniciar testes em 2027, enquanto a primeira também publicou seis patentes relacionadas às chamadas baterias de estado sólido.
A Geely segue calendário semelhante e pretende iniciar produção experimental e validação em condições reais de suas células com densidade energética de 500 Wh/kg em 2027.
Segundo a montadora, esse nível de densidade poderá permitir que EVs alcancem autonomia comparável à encontrada atualmente em veículos equipados com motores a diesel.

O avanço também acompanha metas estabelecidas pelo Conselho de Estado da China no New Energy Vehicle Industry Development Plan 2021-2035, anunciado originalmente em 2020.
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Entre os objetivos definidos pelo plano está acelerar o desenvolvimento e a comercialização das baterias de estado sólido, tecnologia considerada estratégica para a próxima geração de EVs.
A CALB, terceira maior fabricante chinesa de baterias, pretende realizar validações em pequena escala com EVs durante 2027 e ampliar a produção entre 2030 e 2032.
A companhia enfrentou anteriormente problemas de inchaço em células apelidadas de “banana cells”, utilizadas em modelos da GAC Aion, e desde então trabalha em melhorias de qualidade.
A Gotion High-Tech, apoiada pela Volkswagen, concentra seus esforços em células de estado sólido com 350 Wh/kg e também planeja testes rodoviários em pequena escala em 2027.
Depois dessa fase, a empresa projeta alcançar produção comercial completa entre 2029 e 2030, colocando seu calendário ligeiramente à frente de alguns concorrentes chineses.
A Farasis Energy, que recebe apoio da Mercedes-Benz, também estabelece 2027 como momento para validar suas baterias em EVs e mira produção comercial em larga escala em 2030.
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Outro participante importante é a EVE Energy, que afirma ter desenvolvido células de estado sólido à base de sulfeto com capacidades situadas na faixa de ampères-hora.
A empresa pretende apresentar ainda neste ano sua primeira geração, chegando a 350 Wh/kg e 800 Wh/L, antes de avançar para células de 1.000 Wh/L em 2028.
O peso dessas empresas no mercado ajuda a explicar a importância da corrida, pois a CATL lidera a China com participação de 42,9%, seguida pela BYD com 19,5%.
CALB, Gotion e EVE aparecem, respectivamente, na terceira, quarta e quinta posições, enquanto os demais participantes individualmente permanecem com fatias inferiores a dois dígitos.
Somadas, as quatro maiores fabricantes concentram mais de 75% do mercado chinês, e todas já assumiram compromissos relacionados a produção experimental de estado sólido em 2027.
Empresas menores também enxergam essa transição como oportunidade para reduzir distância frente às líderes, especialmente caso consigam acelerar validação, produção e aplicação prática da nova tecnologia.
A Dreame Technology, mais conhecida por aspiradores robóticos e equipamentos domésticos, entra nesse cenário com um cronograma ainda mais agressivo para suas próprias células de estado sólido.
Batizadas de Galaxy Crystal, ou Xing Kong Jing He, essas células teriam capacidade máxima de 60 Ah e densidade energética superior a 450 Wh/kg, segundo a própria empresa.
A Dreame pretende iniciar entregas em pequena escala ainda neste ano e avançar diretamente para produção comercial completa em 2027, antes da maioria das rivais tradicionais.
Esse planejamento ambicioso acompanha também os projetos automotivos da companhia, que já mostrou veículos com referências visuais a modelos como Bugatti Chiron e Rolls-Royce Cullinan.
O desafio agora será transformar cronogramas e protótipos em produtos viáveis, pois 2027 concentra praticamente todas as principais promessas chinesas ligadas à chegada das baterias de estado sólido.
