
Uma das figuras mais conhecidas da política húngara deixa o Parlamento para assumir uma função executiva na BYD, reforçando a aproximação industrial entre Hungria e China.
Péter Szijjártó anunciou em 15 de julho que renuncia ao mandato parlamentar para ingressar na fabricante chinesa de EVs, segundo o SHobserver.
Aos 47 anos, ele ocupava uma cadeira na Assembleia Nacional da Hungria desde 2002 e comandou o Ministério das Relações Exteriores entre 2014 e maio.
A mudança foi comunicada por meio de uma publicação no Facebook, onde Szijjártó descreveu o novo posto como uma função internacional de grande prestígio.
Segundo o ex-ministro, a BYD está entre as empresas automotivas mais bem-sucedidas das últimas duas décadas e lidera mundialmente a produção de veículos de nova energia.
Sua responsabilidade será conduzir as relações externas do grupo e participar da expansão de novas áreas de negócios em diferentes mercados.
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A contratação ocorre num momento em que a BYD amplia rapidamente sua presença europeia e transforma a Hungria em um dos centros dessa estratégia.
Szijjártó já havia participado, em 2024, da assinatura de um acordo de cooperação entre o governo húngaro e a fabricante chinesa.
Naquele mesmo ano, a BYD iniciou a construção de sua primeira fábrica europeia de EVs na cidade de Szeged, situada no sul do país.
O projeto prevê uma capacidade produtiva de 300.000 veículos e ocupa posição central nos planos da empresa para atender o mercado europeu.
Outro acordo estratégico firmado no ano passado incluiu a instalação da sede europeia da BYD e de um novo centro de pesquisa e desenvolvimento em Budapeste.
Durante a assinatura, o então primeiro-ministro Viktor Orbán afirmou que novas tecnologias e mudanças nas preferências dos consumidores estão transformando a economia mundial.
Orbán também destacou a liderança chinesa em tecnologia para EVs e classificou a parceria como um motor importante para o crescimento econômico húngaro.
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A visão apresentada pelo governo busca colocar a Hungria entre os protagonistas da nova fase da indústria automotiva, marcada por eletrificação e produção de baterias.
Em abril, o primeiro-ministro Magyari voltou a defender essa estratégia e afirmou que empresas locais devem se tornar parceiras de BYD, CATL e outros investidores.
Segundo ele, a integração entre fornecedores húngaros e grandes grupos internacionais poderá criar uma cooperação vantajosa para ambos os lados.
A presença chinesa no país já ultrapassa a montagem de veículos e envolve diferentes etapas da cadeia ligada aos EVs.
Além da fábrica em Szeged, a BYD prepara sua estrutura administrativa europeia em Budapeste para coordenar atividades comerciais e futuras expansões regionais.
A Nio também instalou na Hungria uma unidade europeia dedicada à fabricação e ao desenvolvimento de estações para troca de baterias.
Fabricantes de baterias como CATL, EVE Energy e Sunwoda estão construindo unidades próprias no território húngaro, ampliando a concentração de investimentos no setor.
Esse movimento transforma o país em uma base relevante para montadoras e fornecedores chineses interessados em produzir dentro da União Europeia.
A chegada de Szijjártó à BYD acrescenta uma dimensão política e diplomática a essa expansão, graças à experiência acumulada em mais de duas décadas.
Sua atuação poderá facilitar relações institucionais, negociações estratégicas e novos projetos enquanto a fabricante fortalece sua estrutura industrial no continente.
A decisão também simboliza o avanço da ligação entre governo e indústria numa área considerada essencial para o futuro econômico da Hungria.
