BYD desiste de fábrica própria e negocia montagem com empresa local diante de novas barreiras aos EVs importados na Malásia

Logotipo iluminado da BYD em uma fachada de vidro.
A BYD negocia a montagem local de veículos na Malásia após desistir da fábrica própria planejada em Tanjung Malim.

A produção local da BYD na Malásia seguirá adiante, mas sem a fábrica própria anteriormente planejada para Tanjung Malim, no estado de Perak.

Jacob Ma, diretor-gerente da BYD Malaysia, confirmou na quinta-feira que o projeto anunciado originalmente em agosto de 2025 não será executado.

Segundo Ma, a fabricante está em negociações avançadas com uma empresa local já estabelecida, capaz de atender às exigências da BYD para montagem completa no país.

As conversas estariam na fase final de documentação, e a companhia pretende divulgar oficialmente o novo acordo assim que todas as etapas estiverem concluídas.

O executivo não explicou diretamente por que Tanjung Malim foi descartada, limitando-se a afirmar que a cultura da BYD é explorar oportunidades de longo prazo.

O jornal financeiro The Edge havia informado em março que o projeto enfrentava dúvidas após divergências entre a BYD e o Ministério de Investimento, Comércio e Indústria da Malásia.

Uma das condições citadas pelo veículo previa que até 80% dos automóveis montados localmente fossem destinados à exportação, ponto que teria dificultado o entendimento.

Desde maio, também existem informações de que a BYD avalia uma parceria de montagem por contrato com a Sime Motors, distribuidora oficial da marca na Malásia.

A operação poderia utilizar uma unidade administrada pela Inokom, subsidiária da Sime Motors localizada em Kulim, no estado de Kedah, aproveitando uma estrutura industrial já existente.

A mudança ganha importância adicional após novas exigências para EVs importados completamente montados, adotadas pela Malásia a partir de 1º de julho.

Esses modelos agora precisam declarar valor CIF mínimo de 200.000 ringgit (R$ 250.100), além de potência mínima equivalente a aproximadamente 248 cv.

As regras sucedem o encerramento, no fim de 2025, de uma isenção tributária especial concedida aos EVs importados integralmente montados.

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Parte dos EVs mais vendidos da BYD no mercado malaio custa menos de 200.000 ringgit, tornando a montagem local ainda mais relevante para a operação.

Ma reforçou que a BYD pretende permanecer no país, embora localização e formato industrial possam mudar conforme a empresa ajusta sua estratégia de crescimento.

Segundo o executivo, essas revisões fazem parte da expansão dos negócios, enquanto a companhia pretende continuar investindo e desenvolvendo novas soluções para o mercado malaio.

A presença da marca já alcança números expressivos, com mais de 35.000 EVs vendidos na Malásia desde sua entrada oficial no mercado em 2022.

Somente no ano passado, a BYD comercializou 14.407 EVs e terminou o período como a maior vendedora desse tipo de veículo no país.

Nos primeiros seis meses deste ano, foram mais de 7.000 EVs vendidos, segundo Adeline Lew, diretora-gerente da Sime Motors.

A empresa também amplia sua atuação nas faixas superiores do mercado, após apresentar em julho o Denza Z9GT em Kuala Lumpur por 358.800 ringgit (R$ 448.600).

Analistas avaliaram que esse posicionamento deve criar concorrência relevante entre EVs de luxo, segmento no qual a BYD pretende ganhar espaço por meio da marca Denza.

De acordo com Jacob Ma, todo o primeiro lote do Z9GT já foi vendido, e a empresa aguarda a chegada de uma segunda remessa ao país.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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