BYD e rivais chinesas não sabem o que fazer a respeito do novo conjunto 16 em 1 da Geely: copiar o sistema ou esperar para ver?

Geely Thunder Electric Drive 2
Geely Thunder Electric Drive 2

A Geely acaba de colocar BYD e outras rivais diante de uma escolha desconfortável: copiar rapidamente seu conjunto 16 em 1 ou esperar pelos resultados reais.

Apresentado no dia 16 de julho, o sistema elétrico inteligente Thunder reúne 12 módulos físicos e quatro plataformas de software em uma unidade de apenas 75 kg.

A arquitetura concentra motor, inversor, redutor, carregador de bordo, conversor DC-DC e caixa de distribuição de alta tensão dentro do mesmo conjunto.

Gerenciamento de energia, controle das recargas, comando de movimento e monitoramento dos componentes também passam a funcionar sobre uma estrutura digital unificada.

Segundo a Geely, essa integração reduz em 30% os pontos externos de conexão elétrica de alta tensão e supera em 15% a leveza média do setor.

Geely Thunder Electric Drive 1
Geely Thunder Electric Drive 1

A altura inferior a 32,5 cm ainda libera 28 litros adicionais para o compartimento dianteiro de bagagens nos veículos que receberem a tecnologia.

Esses números explicam por que concorrentes como a BYD precisam acompanhar o projeto, mas também mostram por que uma adoção imediata exige cautela.

O Thunder utiliza a arquitetura One-Chip, capaz de substituir diversos controladores independentes por uma única plataforma computacional dedicada ao domínio de potência.

A Geely afirma que a latência de processamento cai de aproximadamente 40 milissegundos para menos de 2 milissegundos nesse novo arranjo.

O desvio instantâneo do controle de torque também diminui de 3% para 1%, prometendo respostas mais precisas durante acelerações e mudanças de aderência.

Geely Thunder Electric Drive 3
Geely Thunder Electric Drive 3

A configuração com dois motores entrega 578 cv e acelera de zero a 100 km/h em 3,8 segundos, conforme os dados oficiais.

Já a versão de motor único produz 333 cv, permitindo aplicar o sistema em modelos com posicionamentos, preços e níveis de desempenho diferentes.

Durante avaliações certificadas no Lago Qinghai, um Geely Galaxy TT registrou consumo de 8,20 kWh a cada 100 km.

O mesmo programa estabeleceu uma marca de 46,094 km em derrapagem contínua sobre piso molhado com dois carros, reconhecida pelo Guinness World Records.

A eficiência conjunta máxima chega a 93,8% pelo ciclo CLTC, colocando pressão sobre soluções elétricas utilizadas atualmente por outros grandes fabricantes chineses.

O maior obstáculo está no calor gerado por componentes que trabalham simultaneamente, mas operam sob exigências térmicas e ciclos completamente diferentes.

Para controlar essa condição, a Geely adotou refrigeração direcional com 54 canais distribuídos ao redor do estator, rotor e elementos magnéticos.

A empresa declara dissipação térmica duas vezes maior que a de carcaças convencionais e redução de 15°C na temperatura máxima do motor.

Testes realizados a -18°C também mostraram capacidade de armazenar temporariamente calor equivalente a cerca de 7 kWh de eletricidade.

O avanço impressiona, porém deixa BYD e concorrentes diante de dúvidas sobre produção em escala, diagnóstico, manutenção e custo de substituição dos módulos.

A Automotive Commercial Review destacou que a integração exige coordenação entre desenho estrutural, eletrônica, software, refrigeração e processos industriais de alta precisão.

A publicação também levantou a questão de como administrar componentes com durações diferentes quando todos passam a ocupar uma estrutura muito mais conectada.

A preocupação não significa que o conjunto seja impossível de reparar, mas que oficinas precisarão de métodos capazes de localizar problemas com grande exatidão.

Uma intervenção mal planejada poderia transformar uma peça relativamente simples em um serviço amplo, justamente por causa da dependência entre os diversos sistemas.

Essa é a razão pela qual rivais podem preferir observar o Thunder nas ruas antes de seguir o mesmo caminho de integração extrema.

A estreia acontecerá no Geely Galaxy TT durante o terceiro trimestre, seguida pela aplicação no Lynk & Co 02 atualizado.

Inicialmente, o conjunto deverá equipar veículos acima de 250.000 yuans (R$ 188.200), faixa capaz de absorver melhor os custos da tecnologia.

A Geely Auto Group entregou 240.799 veículos em junho, enquanto a divisão Galaxy respondeu por 108.206 unidades, segundo a China EV DataTracker.

O verdadeiro impacto sobre BYD e demais fabricantes dependerá menos dos recordes e mais da capacidade de manter eficiência, durabilidade e manutenção viável por anos.

O que você achou disso?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4,8 / 5. Número de votos: 41


⭐ Siga o Notícias Automotivas no GoogleAcompanhe nosso conteúdo direto no Google e fique por dentro das últimas notícias automotivas.Seguir no Google
📣 Compartilhe esta notíciaXFacebookWhatsAppLinkedInPinterest
📲 Receba as notícias do Notícias Automotivas em tempo real!Canal do WhatsAppCanal do Telegram
Siga nosso site no Google Notícias

Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook