BYD, Geely e SAIC podem conquistar espaço e tirar 1 milhão de vendas anuais das fabricantes já instaladas nos EUA

SUV Geely Galaxy E5 em tom cinza-claro, visto de frente e pela lateral, diante de um edifício.
O Geely Galaxy E5 aparece como exemplo de veículo de uma fabricante chinesa que pode buscar espaço no mercado dos Estados Unidos.

A eventual chegada das grandes fabricantes chinesas aos Estados Unidos poderia redesenhar profundamente o mercado local, retirando volume das marcas estabelecidas e ampliando simultaneamente as vendas totais.

Um estudo da consultoria Mobility Global estima que empresas chinesas poderiam alcançar 1,7 milhão de veículos anuais no país até 2038 caso as atuais restrições fossem flexibilizadas.

Esse volume representaria aproximadamente 11% do mercado norte-americano, atualmente o segundo maior do mundo, atrás somente da própria China.

BYD, Geely e SAIC aparecem entre as fabricantes que poderiam liderar essa expansão, inicialmente aproveitando fábricas localizadas fora dos Estados Unidos para atender compradores locais.

Peter Nagle, diretor associado de previsões do mercado norte-americano da Mobility Global, aponta que exportações a partir de fábricas mexicanas poderiam começar já em 2029.

SUV Geely Galaxy E5 em tom cinza-claro, visto pela traseira e pela lateral, diante de um edifício.
A projeção da Mobility Global considera que fabricantes chinesas poderiam alcançar 1,7 milhão de vendas anuais nos EUA até 2038.

Posteriormente, as empresas poderiam transferir a produção de modelos mais populares para novas instalações norte-americanas, especialmente após cada produto superar aproximadamente 40.000 unidades anuais.

A consultoria calcula que essa nova oferta poderia acrescentar cerca de 600.000 veículos por ano ao volume total vendido nos Estados Unidos.

Parte desse crescimento seria estimulada pelos preços tradicionalmente competitivos das fabricantes chinesas diante de consumidores pressionados pelo encarecimento dos veículos novos.

Segundo dados citados pela Automotive News, o preço médio de um automóvel novo nos Estados Unidos chegou a US$ 52.669.

Por outro lado, a expansão chinesa também retiraria aproximadamente 1 milhão de vendas anuais das fabricantes que já operam no país, segundo a projeção divulgada.

Interior de SUV com volante dianteiro, painel digital, tela central e acabamento marrom com detalhes metálicos.
O interior do Geely Galaxy E5 ilustra a tecnologia embarcada dos modelos chineses envolvidos no debate sobre acesso ao mercado americano.

Esse impacto ajuda a explicar o forte apoio da indústria automotiva norte-americana às medidas que dificultam a entrada de veículos e tecnologias chinesas no mercado.

As restrições atuais incluem regras estabelecidas durante o governo Joe Biden para tecnologias de veículos conectados, além de tarifas elevadas sobre EVs fabricados na China.

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O debate avançou neste ano com o Connected Vehicle Security Act, apresentado pelos senadores Elissa Slotkin, democrata de Michigan, e Bernie Moreno, republicano de Ohio.

A proposta ampliaria as limitações sobre veículos, softwares e componentes conectados chineses e recebeu apoio de fabricantes, fornecedores e organizações trabalhistas do setor.

A Mobility Global considera baixa a moderada a possibilidade de as barreiras serem removidas na próxima década, mantendo limitada a presença direta dessas empresas.

Além das tarifas, qualquer abertura relevante exigiria mudanças nas regras envolvendo sistemas chineses de informação, mapas e outros serviços conectados instalados nos automóveis.

Também existem incertezas relacionadas às relações comerciais com México e Canadá, países que poderiam desempenhar papel importante numa eventual estratégia de entrada das marcas chinesas.

Donald Trump acrescentou uma variável ao debate ao afirmar recentemente que aceitaria fabricantes chinesas produzindo automóveis nos Estados Unidos caso empregassem trabalhadores norte-americanos.

Ao mesmo tempo, Trump se posicionou contra a produção chinesa no México destinada posteriormente à exportação para o mercado dos Estados Unidos.

O tema permanece dividido entre argumentos econômicos e de segurança, com legisladores e representantes da indústria defendendo controles rígidos sobre veículos e tecnologias conectadas chinesas.

Para as fabricantes tradicionais, porém, a questão também envolve participação de mercado, já que a projeção indica potencial transferência de aproximadamente 1 milhão de vendas anuais para novas concorrentes.

Para os consumidores, o cenário projetado seria diferente, com maior variedade de produtos e possibilidade de veículos mais baratos ampliarem um mercado que permanece relativamente estável há anos.

A estimativa de 1,7 milhão de unidades até 2038 permanece hipotética, pois depende justamente de uma mudança profunda nas barreiras que atualmente impedem essa expansão.

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Escrito por

Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook

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