
O centro de gravidade financeiro da BYD mudou de endereço, porque mais da metade da receita do primeiro semestre já veio de negócios realizados fora da China.
Segundo os resultados intermediários divulgados em 28 de agosto, 53% do faturamento da companhia foi gerado no exterior durante os seis primeiros meses.
A receita internacional alcançou 181,3 bilhões de yuans (R$ 131,1 bilhões), avanço de 34% na comparação anual e participação majoritária no resultado.
O movimento contrasta diretamente com a operação chinesa, cuja receita recuou 31% no mesmo intervalo diante de um mercado doméstico muito mais competitivo.
A própria marca BYD registrou 795.169 automóveis na China no primeiro semestre, volume 45,9% inferior ao contabilizado um ano antes.

Outras marcas do grupo tiveram evolução bem diferente, como a Fang Cheng Bao, que chegou a 131.000 registros domésticos e avançou 115% anualmente.
Ainda assim, esse crescimento não foi suficiente para compensar a retração da principal marca, responsável por uma parcela muito maior dos volumes do conglomerado.
Fora da China, o Grupo BYD vendeu 792.256 carros no primeiro semestre, aumento de 70,6% em relação ao mesmo período anterior.
Esse total considera também Denza, Fang Cheng Bao e Yangwang, além das diferentes famílias comercializadas diretamente sob a marca principal BYD.
A expansão internacional continuou ganhando velocidade em agosto, quando o grupo alcançou aproximadamente 190.000 veículos vendidos no exterior, crescimento anual de 134%.

O avanço fora do país também ajuda a rentabilidade, especialmente porque a disputa por preços dentro da China continua pressionando as operações das fabricantes.
A margem bruta consolidada da BYD aumentou de 18,01% para 18,85%, desempenho atribuído principalmente ao crescimento do negócio internacional de automóveis.
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Nas operações externas, a margem bruta chegou a 22%, ficando 1,9 ponto percentual acima do nível registrado no mesmo período do ano anterior.
Mesmo com essa melhora internacional, a receita total da companhia caiu 7,1% e terminou o primeiro semestre em 344,8 bilhões de yuans (R$ 249,3 bilhões).
O lucro líquido atribuível aos acionistas também recuou 20,5%, ficando em 12,3 bilhões de yuans (R$ 8,9 bilhões) durante o período.

Parte da fraqueza doméstica aparece na categoria dos PHEVs, tendência que já havia começado antes e continuou ao longo deste ano.
Durante 2025, o Grupo BYD vendeu 2.288.709 PHEVs, resultado 7,9% menor do que o alcançado pela companhia ao longo de 2024.
Entre janeiro e agosto deste ano, foram 1.265.017 PHEVs comercializados, recuo de 11,2% diante do mesmo intervalo anterior.
Julho e agosto, porém, mostraram uma recuperação importante, com 844.456 automóveis vendidos globalmente e crescimento de 18,5% na comparação anual.
A melhora foi puxada principalmente pelos EVs a bateria, cujas vendas avançaram 29,6%, enquanto os PHEVs registraram aumento mais moderado de 6%.
A pressão não atinge somente a BYD, já que o varejo chinês de automóveis de passeio caiu 21,1% em julho na comparação anual.
Esse foi o décimo mês consecutivo de retração, segundo a China Passenger Car Association, enquanto as exportações chinesas de automóveis de passeio cresceram 88,2%.
A resposta da BYD passa justamente pela expansão internacional, com avanço comercial e industrial na Europa, Sudeste Asiático e América Latina.
O Brasil já se tornou o maior mercado da BYD fora da China e também integra sua estratégia de produção local ao lado de Hungria e Turquia.
A fabricante amplia capacidade industrial nesses três países enquanto reduz sua dependência financeira do mercado doméstico, onde ainda existem mais de 100 marcas de automóveis.
Assim, a BYD chega ao segundo semestre com vendas externas em forte alta, melhora de margens e uma dependência cada vez menor do consumidor chinês.




