Calibra: ficha técnica, preço, interior, detalhes, motor, fotos

Calibra: ficha técnica, preço, interior, detalhes, motor, fotos

Os anos 90 foram primorosos para a General Motors do Brasil, quando a montadora americana decidiu seguir quase que estritamente o portfólio da alemã Opel e trouxe inúmeros produtos, entre eles o belíssimo Chevrolet Calibra.


Ele é tão raro que imagens oficiais da GMB são bem escassas, sendo geralmente encontradas imagens de vídeos divulgados na internet e fotos originais do Opel Calibra. No Brasil, chegaram apenas 1.563 unidades entre 1993 e 1997.

Em seu melhor ano, 1995, o Chevrolet Calibra vendeu 932 unidades. Produzido na Alemanha e depois na Finlândia, o cupê estilo alemão foi uma aposta na aerodinâmica usando linhas atraentes, que fizeram dele um dos carros mais bonitos da época.

Com coeficiente aerodinâmico de 0,26, o Calibra foi um carro nascido em 1989 que manteve o mais baixo perfil de arrasto de um carro de produção nos anos 90, apenas superado no final da década pelo Audi A2.

No Brasil, ele chegou em 1993 como um complemento do Chevrolet Vectra A, que acabava de desembarcar da Europa, vindo da Alemanha. O Calibra compartilhava a mesma plataforma do sedã médio da Opel, que aqui foi nacionalizado depois.

Chevrolet Calibra – história no Brasil

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Por aqui, ele viveu bons anos, mas os melhores foram 1994 e 1995, quando ele verdadeiramente brilhou no mercado nacional, onde chegou nas cores preto, branco, vermelho, azul e verde, embora a terceira tonalidade tenha sido a popular.

Diferente da Europa, onde havia um V6 2.5 e opção de tração nas quatro rodas, o Chevrolet Calibra só teve um motor disponível, um 2.0 Ecotec que era evolução da Família II produzida no Brasil, onde chegou com o Chevrolet Monza.

Com cabeçote de 16 válvulas e alguns melhoramentos, além de injeção multiponto, o propulsor C20XE era aspirado, diferente de uma versão turbinada que existia na Europa. Assim, oferecia 150 cavalos e 20 kgfm a 4.600 rpm.

Esse era o mesmo motor usado no saudoso Vectra GSi, igualmente importado para o Brasil na época. Ou seja, na gama Chevrolet, não havia o que reclamar em termos de produto com desempenho bom.

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Contudo, mais que um carro potente, o Calibra era um carro elegante e bonito, que se tornou sensação e sonho de muitos naquela época e provavelmente até hoje em dia, dadas suas linhas serem atemporais.

Tendo duas portas e janelas traseiras grandes, com desenho fluido, o Calibra tinha as proporções certas, mantendo um equilíbrio estético exemplar e um perfil esguio que conquistou mais de 1,5 mil brasileiros.

Saiu de linha em 1997 porque a produção se encerrou na Europa, deixando saudades em muitos por aqui. Símbolo da melhor fase da Chevrolet em sua história no Brasil, o Calibra não teve sucessores nem lá e nem cá.

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A General Motors do Brasil entrou na década de 90 e viu a entrada da família real de carros importados do mundo conhecido, o que a fez reagir diante de sua linha dos anos 70 e 80, porém, nem imaginava ter um Chevrolet Calibra.

Com exceção do Monza e do Kadett, ambos Opel, a GMB não tinha planos tão ousados pelo que se sabe, dado que ninguém sabia que em 1990, o Brasil abriria os portos às nações amigas, promovendo o desembarque de inúmeros carros.

Quando percebeu que o Brasil seria invadido, com ou sem imposto de importação alto (não havia regras da OMC de 35% como hoje), a GMB só pôde jogar o jogo que podia e esse era apoiar-se na Adam Opel AG, com as bençãos de Detroit.

Então, enquanto preparava a nacionalização obrigatória de alguns modelos, como o Omega, buscou frear o ímpeto dos importadores com mais importados… Assim, a partir de 1993, a rede Chevrolet teve que aumentar seus show rooms.

Vectra, Astra e Astra Wagon chegaram da Alemanha e Bélgica para dar combate aos importados, dando cobertura ao portfólio nacional defasado. Para completar esse quarteto, veio um carro de imagem, o Chevrolet Calibra.

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Com suas linhas atraentes num design arrebatador, chegou como um carro caro e para poucos, mas reforçou a ideia de que a GMB estava definitivamente saindo dos velhos tempos e entrando em uma nova era de produtos de qualidade.

Seu motor era o mesmo do Vectra GSi e isso permitia ir de 0 a 100 km/h em 9 segundos e atingir 220 km/h, usando uma transmissão manual de cinco marchas, ajustada à proposta do cupê alemão.

Pesando 1.226 kg, o Calibra tinha um bom consumo para sua proposta, chegando quase a 10 km/l na cidade e pouco mais de 13 km/l na estrada. Sua plataforma GM2900, a mesma dos Saab 9-3 e 9-5, assim como do Vectra, era bem estável.

Tendo suspensão McPherson na dianteira, possuía braços semi-arrastados na traseira, além de freios a disco nas quatro rodas com sistema ABS. Mas, não tinha airbags e teve poucas mudanças entre os anos que vendeu aqui.

Medindo 4,492 m de comprimento, 1,688 m de largura, 2,600 m de entre-eixos e apenas 1,282 m de altura, o Chevrolet Calibra era um carro bem purista, mas versátil no dia a dia, projetado para quatro pessoas e com um bom bagageiro.

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Este tinha 252 litros e parte dele era ocupado pelo estepe, de tamanho padrão. Havia até dois compartimentos, um para maleta de primeiros socorros e outros para equipamentos extras. A tampa era longa, mas apoiada por dois amortecedores.

Com bom espaço na frente e atrás, o Calibra era bem equipado, tendo ar-condicionado manual, além de direção hidráulica ajustável. Os vidros elétricos tinham botões entre os bancos, onde também ficava o comando do teto solar.

Neste, não havia um vidro, mas uma chapa de metal na cor do carro e no revestimento interno do teto, projetado para fora. O cluster de fundo branco chamava atenção, assim como o computador de bordo padrão da Opel, bem legível.

A alavanca de câmbio tinha perfil esportivo, assim como os bancos, apesar do acabamento em cinza-claro já não ser no mesmo nível daquele da Chevrolet dos anos 80 no Brasil. Não eram bancos da Recaro, uma pena realmente.

Também era de se lamentar a falta de apoios de cabeça para os dois ocupantes traseiros que, em compensação, tinham um banco bipartido envolvente, que se unia ao acabamento em tecido cinza nas laterais. Os cintos eram de 3 pontos.

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Os assentos tinham projeção do estofado para manter as pernas elevadas, o que era bom. No painel, o espaço para objetos sobre o porta-luvas era semelhante ao do Kadett quando chegou no mercado brasileiro, eliminado nele após facelift.

Com posição de dirigir esportiva, o Chevrolet Calibra chamava atenção também pela boa área envidraçada, especialmente com as portas sem batentes nos vidros e com belos quebra-ventos falsos. Parecia um conversível e foi uma pena não ser…

As portas tinham acabamento em veludo com o antracite dos assentos e apenas comandos dos retrovisores. O sistema de som tinha toca-fitas da Blaupunkt e alto-falantes nas portas e traseira, acompanhados de tweeters, mas sem equalizador.

Embora não pareça, o Chevrolet Calibra tinha faróis com função neblina e eles ficavam nas lentes retangulares e afiladas na frente, tendo ainda lanternas de neblina. Atrás, a vigia grande tinha limpador e lavador, mesmo com prolongamento.

Fluido, eliminava reentrâncias na carroceria, como no para-choque dianteiro, que só tinha uma entrada de ar, assim como com grade reduzida, frente rebaixada, capô liso e saias laterais aerodinâmicas. Até as maçanetas embutidas ajudavam.

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Os retrovisores só não eram mais aerodinâmicos que os do segundo Vectra, nacionalizado. Suas rodas de liga leve aro 15 polegadas não eram tão atraentes com seus cinco raios, mas tinham bons pneus Firestone de medidas 195/60 R15.

No cofre do motor, o C20XE tinha a tampa com o nome Chevrolet DOHC 16V, assim como a injeção tinha o logo SFI, que era devido ao sistema multiponto sequencial. Era uma adaptação do alemão da Opel, assim como o logo da gravata preta.

Vendido em poucas cores, citadas acima, o Calibra era um carro adequado a sua época, ainda que pudesse ter mais motor, porém, a GM padronizou sua gama importada assim como outras marcas, evitando muitos motores de custos elevados.

Seus 63 litros no tanque eram suficientes para uma boa autonomia com gasolina e o compartilhamento de peças com o Vectra ajudava a reduzir os custos com revisão. Mas, as peças da carroceria eram exclusivas e naturalmente caras.

Ao longo de seus anos no Brasil, o Calibra nunca teve um facelift. Apenas os primeiros carros vieram com o logotipo da Chevrolet no capô, passando depois para a grade com um “V” cromado, seguido de friso.

Chevrolet Calibra – detalhes

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O Chevrolet Calibra tinha frente baixa com capô liso e faróis retangulares com lentes triplas, sendo facho alto, baixo e de neblina, além de lanternas e piscas integrados. A grade superior tinha apenas uma abertura com friso cromado em “V”.

Com o logotipo da Chevrolet dentro de um aro no lugar da blitz da Opel, o Calibra tinha ainda para-choque liso com entrada de ar central. Borrachões de proteção foram adicionados pela GM nos para-choques, laterais e saias laterais.

Nas laterais, rodas de liga leve aro 15 polegadas de cinco raios, com pneus 195/60 R15, enquanto as maçanetas eram pretas e embutidas nas portas. Os retrovisores eram na cor do carro, que tinha ainda quebra-ventos falsos nas janelas.

Os vidros não tinham batentes nas portas e as vigias laterais não abriam. Já na traseira, lanternas grandes e escurecidas, tendo entre elas, espaço para placa. A tampa do bagageiro era ampla e tinha vigia grande, mas bem inclinada.

Pronunciado, o porta-malas vinha com lavador e limpador da vigia, que ainda tinha desembaçador. Os vidros eram verdes e o para-brisa, degradê. O para-choque traseiro era liso, enquanto o teto tinha antena pronunciada e teto solar de metal.

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Por dentro, o Chevrolet Calibra tinha painel similar ao do Vectra, mas com cluster de fundo branco com conta-giros, velocímetro, nível de combustível e temperatura da água. Havia comandos para faróis e ajuste de altura dos mesmos.

Com direção hidráulica, o Calibra tinha ajuste da coluna em altura. O ar-condicionado era manual por botões e o computador de bordo à direita tinha sete funções. O rádio era toca-fitas e, abaixo, havia um cinzeiro com acendedor.

Volante de quatro raios e alavanca de câmbio eram em couro, enquanto os bancos esportivos, portas e guarnições eram em veludo cinza-escuro e antracite cinza-claro. O sistema de som tinha quatro alto-falantes e quatro tweeters.

O banco traseiro para dois, era bipartido e envolvente, enquanto o porta-malas tinha 252 litros e espaços para ferramentas adicionais e caixa de primeiros-socorros. Era iluminado e acarpetado. Os vidros eram acionados entre os bancos.

Chevrolet Calibra – motor e transmissão

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O Chevrolet Calibra tinha um único motor no Brasil e esse era identificado como C20XE, pertencendo à Família II, a mesma que chegou ao Brasil em 1983 a bordo do Monza e que equipava, à época, os nacionais Kadett e Omega, com os derivados.

Na Europa, esse motor era conhecido como “Redtop” e foi um desenvolvimento da inglesa Cosworth, o que aumenta mais sua importância. Com bloco de ferro fundido e cabeçote de alumínio, tinha duplo comando de válvulas.

Com 16 válvulas, tinha tendência a giros altos, entregando assim 150 cavalos a 6.000 rpm e 20 kgfm a 4.600 rpm, tendo 1.998 cm³ e taxa de compressão de 10,5:1, tendo ainda injeção multiponto sequencial e correia dentada nos comandos.

Esse propulsor, pouco antes de vir ao Brasil, tinha 136 cavalos, retrabalhado na Inglaterra para chegar a 150 cavalos. Era equipado com uma caixa manual de cinco marchas da Getrag, conhecida como código F20 e com todas sincronizadas.

Chevrolet Calibra – desempenho e consumo

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Com um conjunto mecânico interessante, o Chevrolet Calibra ia de 0 a 100 km/h em 9 segundos e tinha máxima de 220 km/h, sendo algo realmente bom, pois, o 2.0 Turbo europeu chegava a 245 km/h e o V6 2.5 de 170 cavalos, a 230 km/h.

Nunca teve câmbio automático de quatro marchas aqui e nem de seis marchas manual, reservado ao 2.0 Turbo da Opel. Assim, sua transmissão de cinco marchas no C20XE era suficiente para suas pretensões e agrado aos puristas da época.

Por isso, seu consumo era bom, fazendo 9,8 km/l na cidade e 13,3 km/l na estrada, sempre com uma boa gasolina no tanque. Seu reservatório de combustível de 63 litros, garantia 617 km de autonomia na cidade ou 838 km na estrada.

Com bom desempenho e ótimo consumo, o Chevrolet Calibra tinha um conjunto imbatível para um cupê de sua categoria, até melhor que o do Chevrolet Tigra, um irmão do Corsa B e também outro modelo importado da Opel.

Chevrolet Calibra – fotos

Ricardo de Oliveira

Técnico mecânico, formado há 25 anos. Há 14 anos trabalha como jornalista no Notícias Automotivas, escreve sobre as mais recentes novidades do setor, frequenta eventos de lançamentos das montadoras e faz nossos testes e avaliações.