Câmera interna vira obrigatória na Europa com o ADDW; casos de GM, Honda e Hyundai com dados de direção explicam o medo de rastreamento

Avaliacao Ford Ranger Limited V6 Laranja 9
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A cabine dos carros novos na União Europeia acaba de ganhar um observador permanente, e a mudança promete alimentar uma discussão delicada sobre segurança e privacidade.

Desde quarta-feira, o bloco exige que todos os veículos novos tenham uma câmera voltada para o interior como parte do sistema ADDW.

A sigla se refere ao alerta avançado de distração do motorista, tecnologia criada para identificar sonolência, desatenção ou perda de foco ao volante.

Alertas de atenção já existem há anos, especialmente aqueles lembretes que surgem após longos períodos de condução e sugerem uma pausa.

A diferença é que muitos desses recursos funcionam por tempo de uso, enquanto o ADDW acompanha o comportamento do condutor em tempo real.

A intenção oficial é simples de entender, já que motoristas mais atentos tendem a tornar o trânsito menos arriscado para todos.

O ponto sensível aparece quando a conversa passa do aviso sonoro ou visual para o destino das imagens captadas dentro do veículo.

A preocupação central envolve como essas informações serão preservadas, por quanto tempo ficarão disponíveis e quem poderá acessá-las em cada situação.

Também pesa a dúvida sobre a capacidade das montadoras de proteger dados tão sensíveis contra agentes externos e usos indevidos.

Há ainda uma questão mais incômoda: a confiança nas próprias fabricantes, que já enfrentaram críticas por compartilhar informações de condução.

O All About Cookies citou uma investigação do New York Times sobre General Motors e Honda, ligada ao repasse de notas de direção a intermediários.

Em alguns casos, esses dados chegaram a seguradoras e foram usados para elevar valores cobrados de clientes, segundo a apuração mencionada.

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A Hyundai também oferece um recurso de avaliação de condução que compartilha comportamento ao volante com empresas como a LexisNexis.

A regra europeia determina que os sistemas ADDW funcionem em circuito fechado, sem enviar dados a servidores e mantendo tudo dentro do veículo.

Mesmo assim, exigir esse funcionamento e fiscalizar sua aplicação com processos técnicos claros são etapas muito diferentes na prática.

Caso a privacidade seja tratada com seriedade, ainda resta o impacto financeiro de colocar mais tecnologia obrigatória em carros já caros.

A nova exigência chega em um momento no qual os preços dos veículos seguem elevados e pressionam consumidores em diversos mercados.

Além do ADDW, a União Europeia passa a exigir frenagem autônoma de emergência capaz de detectar pedestres e ciclistas.

O pacote também amplia a área de vidro de segurança para reduzir danos a pedestres em impactos e cria avaliações para pneus desgastados.

Nos Estados Unidos, o Congresso aprovou em 2021 uma medida com tecnologia semelhante para combater direção sob efeito de álcool ou outras limitações.

Após uma prorrogação, essa solução deve começar a ser instalada nos veículos a partir do ano que vem.

O entrave é que a tecnologia capaz de detectar intoxicação de forma passiva ainda não atingiu maturidade suficiente para uso comercial.

Em abril, a National Highway Traffic Safety Administration concluiu que nenhuma dessas soluções estava perto de pronta para chegar ao mercado.

Isso pode adiar a vigilância obrigatória de cabine nos EUA por enquanto, mas a tendência regulatória segue avançando rapidamente.

A Europa, ao transformar a câmera interna em item obrigatório, abre um capítulo que mistura prevenção, custo, confiança digital e liberdade dentro do automóvel.

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Autor: Eber do Carmo

Fundador do Notícias Automotivas, com atuação por três décadas no segmento automotivo, tem 20 anos de experiência como jornalista automotivo no Notícias Automotivas, desde que criou o site em 2005. Anteriormente trabalhou em empresas automotivas, nos segmentos de personalização e áudio. Sua rede social: Facebook