
A Nissan vive um daqueles momentos em que o passado volta pela porta da frente, carregando promessas fortes e um histórico impossível de ignorar.
Carlos Ghosn, ex-CEO da Nissan e figura hoje distante do Japão por causa de disputas judiciais internacionais, voltou a mirar o comando da montadora.
A nova declaração veio após investidores defenderem seu retorno durante a assembleia anual da Nissan, realizada na terça-feira.
Em entrevista à Reuters, Ghosn afirmou que os acionistas demonstram cansaço diante de anos de planos de recuperação sem resultado convincente.
Segundo ele, três CEOs passaram pela empresa sem conseguir recolocar a Nissan em uma trajetória sólida desde sua saída, em 2018.
A proposta de trazer Ghosn de volta partiu de ao menos um investidor, mas não avançou dentro da reunião de acionistas.
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Apesar da pressão vocal, os acionistas apoiaram de forma ampla o conselho da Nissan, mantendo a atual estrutura de liderança.
O CEO Ivan Espinosa, por sua vez, enfrentou críticas de investidores durante a assembleia, em meio à cobrança por respostas mais rápidas.
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Ghosn classificou a reação dos acionistas como algo cheio de bom senso e disse perceber a frustração acumulada entre eles.
Para o executivo, a insatisfação vem do valor perdido pela montadora e da sensação de falta de direção desde sua saída.
A Reuters também perguntou se ele aceitaria atuar novamente como consultor da Nissan, caso as circunstâncias mudassem no futuro.
Ghosn respondeu que apenas aconselhar não bastaria, pois a empresa precisaria de alguém com poder real de decisão.
Na avaliação dele, o único posto capaz de salvar a Nissan seria o de CEO, não uma função lateral ou simbólica.
O ex-chefe da montadora afirmou que existe uma emergência na Nissan e que decisões difíceis precisam ser tomadas sem demora.
Ele também declarou que, se existe hoje uma pessoa ou um perfil capaz de realizar essa virada, esse perfil seria o dele.
Ghosn disse não fazer essa afirmação por arrogância, mas pelo fato de já ter conduzido uma recuperação semelhante antes.
O executivo sustentou conhecer a Nissan por todos os ângulos, argumento usado para reforçar sua própria candidatura indireta ao comando.
A fala chama atenção porque Ghosn deixou a empresa em meio a acusações de uso indevido de recursos e hoje vive fora do Japão.
A situação torna sua volta ao topo da Nissan uma ideia de difícil aceitação, mesmo para quem critica os rumos atuais da montadora.
O comentário original do Jalopnik observa justamente essa contradição, ao questionar a lógica de pedir novamente o controle da empresa.
A publicação também reconhece que há dúvidas sobre a liderança de Ivan Espinosa, sem tratar Ghosn como solução evidente para o problema.
O caso expõe a profundidade do desgaste da Nissan, onde parte dos investidores parece disposta até a revisitar uma figura altamente controversa.
Ainda assim, o apoio ao conselho mostra que a maioria dos acionistas prefere manter a estrutura atual a reabrir um capítulo tão complexo.
Ghosn tenta transformar sua memória de gestor eficiente em argumento de retorno, enquanto a Nissan busca uma saída menos carregada de passado.
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