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Carro autônomo mudará panorama do setor de serviços

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O Tesla Model 3 está chegando e deve trazer consigo um novo pacote de tecnologia embarcada que mudará o panorama dos serviços que envolvem o setor automotivo. Feito para ser autônomo, o elétrico de Elon Musk será minimalista, já visando também o mercado de carros compartilhados, que deve retirar do mercado milhares de consumidores tradicionais e conquistar muitos mais.

Estes migrarão para serviços que permitam o uso do automóvel apenas quando necessário, pagando por km rodado. Ford e GM, além da própria Tesla, já vislumbram esse mercado, que deve gerar bilhões de dólares anuais em assinaturas. A chinesa Lynk & Co, por exemplo, também acredita nesse novo meio em detrimento do mercado comum.

O comércio de automóveis, puro e simples, também deve ser impacto com operações online. Tesla e Lynk & Co não possuem concessionárias tradicionais e apenas lojas com show room deverão ser abertas para exibição de produtos e serviços, enquanto a compra será feita de forma virtual, com entrega do veículo na casa do cliente.

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Um pós-venda diferente

Além da inexistência de concessionários e oficinas autorizadas já estabelecidos, esse novo setor do mercado automotivo também deve mudar completamente os serviços de pós-venda. No caso dos veículos autônomos e elétricos, adquirir um novo acessório ou funcionalidade não obrigará o proprietário à ir ao revendedor. Uma atualização rápida através da conexão remota entre carro e fabricante, mudará até a performance do veículo.

Por ser elétrico, boa parte dos custos de manutenção tradicionais serão cortados, ficando os demais atrelados ao serviço de retirada-entrega do veículo. Sem um pós-venda comum, o comércio de peças de reposição também deve sofrer com a relação mais íntima entre fabricante e cliente, já que este último acabaria deixando a reparação nas mãos da montadora, através do mesmo processo de retirada-entrega do veículo e, possivelmente, com um carro compartilhado disponível enquanto for necessário.

Tudo isso ainda com um comércio de automóveis quase que tradicional, tendo fabricantes de um lado e clientes do outro. No caso do compartilhamento, não haverá mais esses dois grupos, que serão convertidos em provedores de serviço e usuários. Com a condução autônoma, o usuário ou mesmo o proprietário de um automóvel, poderá se beneficiar de um seguro mais em conta. De acordo com a Morgan Stanley, o seguro para um Tesla após a função de mudança automática de faixa, caiu 40%.

Com estimativa de aumento da segurança em 90%, o seguro para automóveis cairá bastante, reduzindo assim os custos, não só para proprietários, mas também para usuários dos serviços de compartilhamento. Deve-se lembrar que no primeiro caso, o dono de um carro poderá também compartilhar seu veículo, gerando assim uma renda extra.

A própria condução autônoma possibilitará ao provedor de serviço de transporte, seja empresa ou indivíduo, enviar o veículo ao local do usuário, evitando assim seu deslocamento até um ponto de retirada ou estação do serviço. Outro ponto interessante é que a tecnologia desobrigará o usuário de portar uma licença para dirigir, já que toda a condução estará nas “mãos” do veículo.

Isso afetará diretamente os centros de formação de condutores. A ampliação de serviços como Uber e Cabify, por exemplo, já desestimularia muitas pessoas a deixar de lado a obtenção de uma CNH. Sem o custo de aquisição de uma licença para dirigir, os usuários gastarão mais tempo e dinheiro com outras coisas.

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Menos carros, trânsito e combustíveis

Junto com essa tecnologia, a propulsão elétrica será outra aliada importante na evolução desse novo mercado. Com a conexão entre veículo e empresa de serviços, a recarga das baterias se dará de forma automática quando o veículo não estiver em uso, através de pontos de energia via wireless.

Mesmo em rodovias, já existem projetos para faixas wireless, que recuperarão a energia das baterias dos carros elétricos durante a condução, reduzindo o tempo de recarga e mantendo os automóveis em uso por mais tempo. Isso deve também reduzir a necessidade de mais vagas de estacionamento e, consequentemente, produzir uma frota de veículos em circulação bem menor.

Até mesmo o setor de veículos comerciais também se afetado com a introdução de vans e caminhões elétricos ou híbridos, assim como o transporte urbano e rodoviário. Com as tecnologias utilizadas nos carros autônomos, integrados aos outros veículos (V2V) e ao gerenciamento de tráfego (V2I), o trânsito deverá fluir melhor e de forma mais segura.

Mas, o maior impacto dessas novas tecnologias recairá sobre a indústria do petróleo. Com carros elétricos, a necessidade de combustível será reduzida drasticamente. Ainda assim, isso não deverá significar o fim do combustível fóssil. Para alimentar uma enorme frota de veículos elétricos de forma sustentável, somente através de enormes parques eólicos e solares. Até se chegar ao nível de sustentabilidade, os fornecedores de energia terão de utilizar as matrizes atuais que, em muitos casos, ainda queimam petróleo.

Nem todos os países possuem matrizes energéticas ecologicamente corretas ou sustentáveis, importando combustíveis fósseis (gás, petróleo) e minerais (tais como o carvão) para produção de energia. Os mais desenvolvidos usam as caras, complexas e perigosas usinas nucleares, enquanto outros usam seus recursos hídricos de forma mais eficiente na forma das hidrelétricas. Ainda assim, necessidade de petróleo nas bombas será enormemente reduzida.

Com menos combustível nos carros, menor será a necessidade de postos, o que impactará diretamente esse mercado, que movimenta trilhões de dólares anualmente. As petrolíferas tentam se reinventar com investimentos em formas mais sustentáveis de produção de energia, não só pela mudança no panorama do mercado consumidor nos próximos anos, mas também pelo inevitável fim do petróleo, cujas reservas devem durar só mais algumas décadas. Hidrogênio, etanol e combustíveis sintéticos aparecem como alternativa.

Por fim, o consumidor deverá mudar completamente sua visão em relação ao automóvel. Pelo menos é o que as empresas estão apostando com carros elétricos, autônomos e compartilhados. A mudança de propriedade privada para economia compartilhada deve atrair mais os consumidores jovens e uma geração mais conectada, mas o mercado consumidor tradicional ainda terá muitos anos pela frente.

Afinal, nem todo mundo deixará de ser proprietário para virar usuário. As montadoras que mais apostam em compartilhamento sabem bem disso. Só não sabem até quando isso irá durar nas próximas gerações. Os governos em parte já estão buscando leis para favorecer a condução autônoma, mas no caso de serviços, a coisa fica mais complicada por conta de sindicatos e entidades ligadas aos setores que serão impactos, pois milhares ou milhões de empregos estarão em jogo. E você, está preparado para essas mudanças?

[Com informações da StartSe]

Agradecimentos ao Sérgio Quintela.

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