Usado da semana

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000

Olá, tudo bem? Sou leitor do Notícias Automotivas faz um tempinho, e gosto muito da seção do Usado da Semana, em que o próprio leitor conquista um espaço pra falar do próprio carro, dando aos outros leitores uma noção de como é aquele carro que ele deseja (ou não) comprar no dia-a-dia, ou mesmo servindo como mais uma história sobre carros que muita gente (eu, por exemplo) gosta de ler.


Dito isso, venho hoje falar do carro que uso atualmente, desde que comecei a dirigir. Ao contrário de vários relatos daqui do NA, que citam carros novos e que ainda se encontram 0km na concessionária, trago aqui um mais velhinho, que, por pouco, não se encontra mais nas concessionárias (mas, se você ainda gostar muito do carro, dá pra comprar a versão “mais nova”, que, corrijam-me se eu estiver errado, ainda usa a mesma plataforma).

Histórico

A história de vida do Corsa Verde começa em um ensolarado dia no fim do ano 2000, quando minha mãe, procurando um carro bonito e barato e após vasta pesquisa mercadológica (GM não quebra, FIAT quebra, carro sem traseira é feio), chegou à única e óbvia conclusão de que queria um Corsa Sedan.

Negociou ferrenhamente descontos, decidiu os itens a serem levados (tudo era opcional naquela época), e delegou a mim (na época com 8 anos de idade) o mais importante: a cor do carro. Escolhi obviamente a melhor, e o negócio foi concretizado.


A partir daí, minha mãe usou o carro com muita parcimônia, se aproveitando de suas poucas tarefas e de seu terrível medo de estradas. Com isso, o carro, em 11 anos, andou 55.000km, uma marca exemplar.

Até aí tudo excelente; o problema foi ela, em um momento ruim da vida, ter se esquecido completamente da árdua tarefa de trocar o óleo do carro e, quando ele começou a dar problema, levar num mecânico mais ou menos pra fazer o serviço. Teve que retificar o cabeçote e trocar várias peças, uma dor de cabeça absurda para um carro tão “novo”. Logo na hora que eu estava tirando a carteira.

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000

Felizmente, passado o susto, o Corsa começou a ser usado por mim, em 2011 mesmo, para idas à faculdade, saídas, etc., de início só algumas vezes, aumentando gradativamente com o tempo até o início de 2012, quando minha mãe comprou outro carro pra ela e me deu esse, agora utilizado exclusivamente por mim. Nesse meio tempo, já com 11 anos de vida, até os 13 que tem hoje, que o Corsa começou a “se descobrir”.

Andava pelo menos 40 km por dia para minhas atividades estudantis, pegou muita estrada (não tinham contado pra ele antes o que era isso), e já coleciona hoje 85.000km e várias aventuras.

Nesse meio tempo, trocou itens que se desgastam em um carro já dessa idade, como velas e amortecedores, mas nada absurdo. Troquei, além disso, o sistema de som, que estava com os cabos envelhecidos (não tocavam tão bem) e não tinha suporte para USB.

Já brigou muito nessa vida também. Bateu algumas vezes, apanhou de ser jogado na calçada, deu narigada no nariz de coleguinhas vindo na contramão, seja com minha mãe na condução antigamente, seja comigo. Felizmente nada que comprometesse nem o motor nem os ocupantes, só pequenos sustos. Todos, menos um, culpa de imprudentes alheios.

O futuro dele já está todo traçado. Vai andar comigo até completar os 14 anos e aí, saído do fundamental, vai encarar minha irmã (recém saída da carteira de motorista) por mais alguns anos.

Nessa época vai passar por perrengues tipo arranhadas em poste de garagem, amassadinho de para-choque, muita falta de fôlego em subida, esse tipo de coisa, até os 18 anos, pelo menos. Aí, já carro criado, vai ser entregue para o mundo, provavelmente nos seus 130.000km.

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000

Problemas comuns

Nesse tempo que estou com o Corsa, fazendo manutenção preventiva e tudo mais, conversei com mecânicos sobre o carro para entender alguns problemas comuns a esperar com o tempo. Já ouvi falar muita coisa, e não sei se procedem ou são relacionadas ao ano/modelo em questão (já que muitas coisinhas mudam), mas de todo jeito compartilho aqui.

– O carro tende a “bater pino”, ou seja, fazer um barulhinho de tec-tec-tec, com o tempo. Acredito, no entanto, que isso aconteça muito mesmo no motor VHC, com o carro abastecido a gasolina. Mas não sei bem, então fica aí.

– Alguns já tiveram o problema de travar uma das rodas traseiras numa frenagem brusca, “saindo de traseira” com o carro. Fico feliz de nunca ter tido isso, nem sei direito como é.

– A marcha ré pode demorar alguns segundos a entrar e encaixar direitinho. Depende do humor do carro. Se você tiver xingado ele porque não conseguiu fazer uma ultrapassagem, ele vai se vingar mascando a marcha ré. Não é nada do tipo que te deixa na mão; é só soltar a embreagem, pisar de novo e engatar, que vai.

– Já ouvi muita gente falando que ele demora a dar a partida, ainda mais de manhã. Isso deve ser um problema de todos os carros, mas já relatei isso pra um entendido de carros e ele disse “Corsa tem isso mesmo”. Bom, eu não sou um entendido de carros.

– O carro faz barulho. Isso é fato. É barulho na porta, no capô, no banco, em qualquer lugar, em algum momento vai ter algum barulho. Isso é devido à crescente piora na qualidade do acabamento do carro (e, de novo, deve acontecer em tudo que é carro, mas o Corsa levou a fama).

Tem o barulho nos amortecedores (que é uma buchazinha que gasta), barulho na frente do lado direito (que pode ser a bateria um pouco solta), barulho lá na frente (que pode ser algo meio solto batendo no para-choque), etc. Pelo menos, se o carro é bem cuidado, ele reserva o barulho apenas para os pisos bastante irregulares e quebra-molas, deixando os momentos de “calmaria” bastante… calmos.

– Falando em para-choque, se você bater, desista de alinhar 100%. Simplesmente não vai. Do lado esquerdo, entre o para-choque e o capô, e em volta dos faróis, as peças não se encontram muito bem. Mesmo com o carro original de fábrica, com o tempo, essas imperfeições vão aparecendo. Nada absurdo, mas já é um desalinhamento.

Tem muita coisa no Corsinha também que é “macete”, devido a inúmeras “falhas de projeto”. Assim como em vários (todos) outros carros. Se você tem um Corsa e ele der um problema, procure o defeito na internet.

Muitas vezes (mais do que pensamos) o defeito é um fio dando mau contato, um parafuso ou uma borrachinha mal apertados, uma mangueira ficando velha. Não vai dar certo sempre, mas pode salvar uma grana.

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000

Itens de série

Esse aqui veio com o que minha mãe achou interessante e barato: desembaçador traseiro, cinto de segurança retrátil atrás, para-choque na cor do veículo (acho que pro Corsa na época já era de série), sistema de som já instalado, vidro elétrico dianteiro com one-touch e trava elétrica com levantamento de vidros quando trava.

O que ficou de fora? Coisas supérfluas. Ar condicionado, direção hidráulica, motor 1.6. Airbag e ABS não sei nem se era opcional. Câmbio automático é quase uma lenda, já ouvi falar em um ou dois espécimes, mas de todo jeito, se for perguntar mamãe, “é coisa de quem não sabe dirigir”. Paciência.

Dito isso, vamos à ficha técnica do Corsinha, pra saber a que realmente ele veio.

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000

Desempenho

O menino conta com um motor MPFI 1.0 de 60 pôneis garanhões prontos para o labor a apenas 6000 rpm, com um torque de incríveis 8,3 kgfm a 3000 rpm. Contando que o Corsa não é exatamente um carro muito leve, dá pra imaginar que, de fato, o motor não é um dos melhores.

A relação de marchas do câmbio é longa. Bem longa. E isso, obviamente, não ajuda na sensação de desempenho. Você está lá tranquilo andando na cidade, passa uma marcha, e de repente na hora de acelerar ele não vai.

É, isso acontece absolutamente o tempo inteiro. O Corsa é menino criado pela avó, não aguenta essas coisas. Tem que ser no ritmo dele. Se quiser andar com um ritmo mais forte, tem que manter um giro mais alto, pisar mais fundo, reduzir a marcha, e aí, sim, na hora que aprender o jeito de dirigir, vai conseguir um desempenho considerável. Subida de segunda sem um impulso, então? Desiste.

Essa relação longa é boa em duas coisas. Primeiro que o consumo do carro, se você andar direitinho, diminui consideravelmente; mesmo com o carro do peso que é e com o motorzinho de cortador de grama que tem, dá pra andar sem dinheiro.

Segundo que o carro não berra aos 100km/h, mesmo que precise de um esforço pra chegar nessa velocidade. Falando nisso, não faço a menor ideia de quanto tempo demora no 0 a 100. Provavelmente termino um miojo nesse intervalo.

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000

Na cidade o desempenho do carro, como já notado, é pífio. Já na estrada… também. Dá pra dirigir bem tranquilo, a não ser, lógico, que você queira ultrapassar a barreira dos 110km/h. Já aviso: não faça isso. O carro é pouco estável, treme um pouco até em linha reta. Se passar um caminhão do lado, então, dá a impressão de que ele vai voar.

Ultrapassagem, então, chega a doer: colocar o carrinho na pista da esquerda pra passar do caminhão, ainda mais se tiver um ou mais passageiros, só em retas bem grandes, diminuindo pra terceira marcha, sabendo que não tem ninguém atrás pra passar por cima.

Mas não é o fim do mundo. Dá pra viajar bem tranquilo com ele, e até que se segura nas curvas, dada a maciez da sua suspensão (sim, ela é bem macia, falando nisso).

Considerando, lógico, a velocidade segura que ele pode pegar nas retas, e a prudência inata de todos os motoristas. Ele aguenta algumas curvas a 80km/h naquelas serras de Petrópolis, por exemplo. Pegando as duas faixas, claro, mas aguenta sem cantar pneu (ou canta um pouquinho se for fechada, recomendo velocidade de 60km/h caso haja eventuais passageiros).

Mas o que é mais estranho disso tudo é que o carro consegue arrancar de segunda. Não acho que é saudável fazer, com certeza gasta mais a embreagem, mas ele faz, sem reclamar e ficar tremendo. Para um carro com o motor e relação de marchas que tem, é um feito.

Consumo

Dito tudo isso sobre o desempenho, dá pra imaginar o consumo. Ele bebe proporcionalmente ao pé do motorista. Com meu pé pesado, ele consome mais, fazendo média de 11 km/l na cidade e 14 km/l na estrada.

Mas dá pra fazer direito, ser uma pessoa correta no trânsito e diminuir essa margem para 12 km/l na cidade e 16 km/l na estrada sem muito esforço além de o de se acostumar a dirigir um monge tibetano. Já ouvi falar de marcas melhores, principalmente na estrada, mas nunca fiz.

Conforto e acabamento

O conforto é uma bela atração do carro.

Não é um primor, mas é bom ficar dentro dele, principalmente comparado aos concorrentes da época. Existe forração nas portas (coisa que muita gente não vê nos 0km faz tempo), é difícil achar lataria aparente em qualquer lugar do carro, tem um volante daqueles macios, que eu acho maravilhoso e que, como nem eu nem minha mãe usamos anel, continua novinho, espaço interno até interessante para quem tem menor entre-eixos do que um Gol 2014 e um porta-malas de 390 litros, o que, dado o tamanho do carro, é uma vitória.

E, querendo ou não, você se sente bem no carro. Considerando a idade e o preço do Corsinha, ele é muito bem arrumado e acabado, até mesmo comparado com carros de hoje.

O painel é bem simples, de plástico duro. Até que é bem montado, mas vai fazendo umas folguinhas com o tempo. Os mostradores são basicamente um de gasolina (cuja luz de reserva não acende), um de temperatura (que oscila entre 90 e 95 graus o tempo inteiro e chega nos 100 se você ligar o ar do carro) e um de velocidade (que não sobe de jeito nenhum). Não tem conta giros.

A posição de dirigir do carro é ótima… para mim. Eu dirigi 30. 000 km com o carro, desde que tirei carteira, então é fácil para mim ficar confortável. Mas não tem essas firulas novas que tem nos carros de hoje em dia, como ajuste de altura do banco e do volante, e o volante é bem grande.

Se for contar que o banco não “abraça” tanto assim o motorista, achar uma posição boa para dirigir, para quem é mais fresco, pode se tornar um problema. Eu mesmo, se entrar no carro e alguém tiver mexido no banco e/ou nos retrovisores, demora um tempinho até ficar confortável de novo. Viajar com o carro, então? O conforto acaba depois de um tempo.

Além disso, caso você tenha lido isso aqui, acreditado em mim, comprado um Corsa Verde e colocado mais de 110km/h nele, deve se perguntar: “Poxa, se a relação de marchas é tão longa, por que parece que tem uma siderúrgica funcionando embaixo do capô?”

A resposta é simples: ruído interno. É bem alto, não perdoa. Em pisos irregulares (que é a hora que um ou outro barulhinho aparecem) fica ainda pior. Tenho o hábito de procurar o barulho até achar e corrigir, e isso ajuda muito, já recebi elogios pelo fato de o carro não “bater” nada. Mas a revolução industrial no capô continua. E você se lembra de que, afinal, não precisava mesmo de conta giros.

Segurança

O carro não é muito seguro, ainda mais sem airbags. Teria curiosidade de ver um do tipo nos crash tests de hoje.

Não, espera, dá pra ver sim:

Ou algo similar com um carro da época, com airbags:

http://www.youtube.com/watch?v=vQVJE76Y6Xk

Manutenção e mercado

Lembra daquela vez que você estava dirigindo seu Santana 1988 AP na estrada e ele de repente te deixou na mão, e você, calmamente, parou no acostamento, entrou pra dentro do mato e encontrou uma peça sobressalente que era justamente a que tinha estragado? Pois então, se tivesse procurado um pouco mais tinha achado uma do Corsa, também.

O custo de manutenção do Corsa é muito baixo. Se tratar direito, ele dura um bocado. A peça é barata, até porque o carro está aí faz tempo, com um motor utilizado faz um tempão em vários carros da linha.

Lataria, então? Desde o século passado até 2010 ele continuou com exatamente as mesmas peças de carroceria. Se amassar uma porta é só ir na padaria e pedir uma nova. Vendem por quilo.

Essa confiabilidade e disponibilidade de peças, aliado ao conforto e ao design “bonitinho” (que, vamos ser imparciais e adultos aqui, dá vontade de abraçar), fazem com que o Corsa seja um carro procurado por aqueles que querem um carro barato. Ou seja, o valor de revenda dele é bem grande. Mercado é uma preocupação? Morre de medo de Renault Clio ou de Fiesta Tristonho? Vai de Corsa que tá tudo bem.

Conclusão

Eu gosto muito do meu carro. Sim, é verdade, acho que é a maior conclusão que tirei escrevendo esse texto. O carrinho é guerreiro, aguenta estrada, treme diante do perigo mas segue em frente e vai ficar na família até pelo menos seus 18 anos de vida caso nada de extraordinário aconteça. 18 anos é coisa demais pra muito carro por aí.

Agora sério… o carro é fraco, mesmo. E o consumo nem sempre ajuda, porque muita gente balanceia essa fraqueza com “habilidade no volante”. Mas se você não for de Corsa, vai de quê? Me chamem de clubista, mas não vejo Siena 2000 e afins batendo o Corsa em praticamente nenhum quesito.

Carros antigos costumavam ser fracos, mesmo, e esse é o preço por maior espaço interno, mesmo que esse espaço não seja tão grande assim hoje em dia, a não ser que vá ainda mais atrás no tempo, em direção aos carros quadrados, que faz tempo já bateram 20 anos de uso.

Isso quando a vontade do motorista não é outra e tudo que ele quer é um pouco de conforto e um design “atual”. Para o preço e para a proposta, o carro é honesto, dá conta do recado, e já marcou a vida de muita gente.

Por Daniel Lage

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Corsa Sedan 2000
Nota média 4 de 1 votos

Quem somos

O Notícias Automotivas é um dos maiores sites automotivos do Brasil, trazendo todas as novidades sobre carros para mais de 450 milhões de pessoas, por mais de 12 anos. Saiba mais.

Notícias por email