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Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Onix LTZ automático 2014

Carro da semana, opinião de dono: Chevrolet Onix LTZ automático 2014

Há tempos desejo compartilhar um pouco da minha convivência com um carro que é sucesso de público, mas que coleciona polêmica, sobretudo neste site/fórum. Sou proprietário de um Chevrolet Onix LTZ automático com cerca de 33.000 km e um ano de uso, adquirido zero, quando o preço ainda beirava os R$ 50.000.


Como meu carro anterior era um satisfatório Fiesta Rocam 1.6 SE Plus 12/13 (com todos os pacotes de opcionais e 33.000 km rodados), estabeleci duas regras básicas em relação às escolhas:

1) ser um Hatch com os itens básicos de segurança e conforto;

2) possuir, no mínimo, câmbio automático (de verdade) ou automatizado de dupla embreagem.


Carros com Dualogic e I-Motion eu dispensava. Preconceito ou não, tal negação pautava minha decisão. Decidi escolher o carro pelo câmbio (tinha medo da caixa AL4 do meu ex-Citroen C4 – que nunca me deixou na mão – e estava cansado das quatro marchas do meu antigo Toyota Corolla XEi 2006 – um carro que não se destacava em nada para mim). Minhas opções compreendiam:

Minhas opções

1) Peugeot 208 Griffe auto: O câmbio AL4 continuava lá. O preço era muito alto (Já tive três Peugeot 206 e um Peugeot 307, sei das particularidades da marca, como a menor liquidez);

2) Hyundai HB20 Premium auto: Ótimo carro, mas a posição de dirigir e a sensação de pouco espaço não me agradavam. Temos um na família e o carro não decepciona. O motor conversa bem com o câmbio, que apesar das quatro marchas é eficiente;

3) Honda Fit EX auto: O carro estava sendo substituído por uma nova geração e me atendia. Tinha muita vontade de experimentar a confiabilidade e pós-venda da Honda. Porém, ela não me quis como cliente quando colocou sobre-preço na negociação (avaliaram meu Fiesta em R$ 10.000 enquanto as outras me pagavam cerca de R$ 30.000);

4) Citroen C3 Exclusive auto: Sofria dos mesmos problemas do 208 e possuía menos atrativos;

Sobraram: Fiesta SE Powershift (escolha natural e racional) e Onix LTZ AT6. A busca por tais carros estava acirrada. Não havia Fiesta pronta entrega e apenas um Onix nas configurações desejadas (brancos, completos) em todo o estado do Espírito Santo na ocasião. A avaliação do meu usado foi similar em ambos e o Chevrolet estava cerca de R$ 5.000 reais mais barato que o Ford (o que é esperado, já que é um carro inferior).

Porém, nestes R$ 5.000,00 havia um pouco de ágio no Ford, enquanto que na prática eu teria que esperar por cerca de 30 dias, além de ter que arcar com algumas manutenções no meu usado. Na Chevrolet entreguei o carro como estava (as manutenções preventivas seriam por conta deles) e ainda consegui juros zero no valor da volta. Em relação aos carros, achei:

Comparação entre New Fiesta e Onix

– New Fiesta mais silencioso e macio. Versão possuía ar digital e outros mimos. Nível de construção e acabamentos aparentemente melhores;

– Onix aparentemente mais espaçoso, com posição de dirigir mais alta (possuo estatura baixa) e algo que valorizo muito em um carro automático: piloto automático.

Com o Onix em mãos e rodando, algumas surpresas e constatações:

– O receio de carro barulhento em relação a peças de acabamento não se confirmou. O ruído de rodagem sim, esse invade a cabine. Ouvir músicas em viagens exige bastante volume.

– Por falar nisso, o som original do MyLink é agradável. Possui boa definição e é até melhor que o som do Cruze LT do meu pai, que apresenta muita frequência media.

– Aliás, no Cruze do meu pai sinto falta da possibilidade de abaixar ou subir os vidros na chave e da possibilidade de acender os faróis quanto o carro é aberto remotamente (recursos que meu Onix oferece). O Cruze, bem que podia vir com MyLink, pelo menos para dar a imprensao de sofisticação, embora o MyLink nunca tenha sido um argumento de vendas para mim. Sei que é apenas um “radinho” bonitinho. Por mim, dispensaria. Mas até que agrada e deixa o ambiente mais aconchegante. Assisto vídeos, visualizo fotos e passo minhas músicas. Já GPS e outras funções não consegui parear.

– Quanto à dinâmica da transmissão, o Cruze do meu pai (14/14) foi uma boa referência em relação ao câmbio GF6, que é silencioso e não apresenta trancos (mas que não é tão rápido como o Powershift). Porém, no caso do Cruze o motor possui capacidade volumétrica maior.

Aspectos do Onix

– No Onix, o que pega é realmente o motor. De concepção antiga (embora com números razoáveis para um 1.4), o SPE/4 grita bastante. O consumo é maior na cidade. Na estrada, em velocidade de cruzeiro e com a sexta marcha travada (modo manual), consigo mais de 15 km/l. O câmbio está programado para evitar trabalho em rotações muito baixas. Basta o giro cair um pouco que ele já reduz uma marcha, com um leve tranco (isso é desagradável). Por “saber” que seu novo parceiro 1.4 tem lá suas limitações, o câmbio está programado para segurar um pouco mais as marchas antes da troca. Em subidas, a gente percebe claramente que o conjunto motor-câmbio está no limite para o carro. Basta aparecer uma inclinação que a rotação cai, idem para a velocidade. É nessa hora que a transmissão sente que é preciso jogar uma marcha para baixo, para “buscar” um pouco mais de ânimo e enfrentar a rampa.

– No plano, em caminhos urbanos, o Onix LTZ vai cativando. Aliás, considero o Onix um carro moderno, com boa plataforma, alinhado a Sonic e companhia. Apenas o motor é que precisaria ser substituído por um maior e mais moderno. Em relação a espaço interno, ele agrada. O porta-malas fica um pouco abaixo da média, mas o espaço na cabine é satisfatório.

– A direção é um pouco pesada, tal qual ao Fiesta Rocam, Peugeot 207/307 e Citroen C4 (meus antigos carros).

– A suspensão é perfeitamente adequada. É firme sem ser dura. Não é barulhenta e tem muita estabilidade. Mais adequada que a do HB20 que temos em casa. Moro no interior e as crateras daqui fazem a lua sentir inveja.

– Os controles de ar-condicionado, setas e limpadores, botões que ligam faróis são todos similares aos do Cruze, com detalhes cromados e intuitivos. É agradável o convívio com os comandos, exceto os puxadores internos das portas e a posição recuada dos acionadores dos vidros elétricos.

– Na faixa de preço que paguei (na época) poucos carros tinha bancos com desenhos e tecidos tão bonitos e com formato tão agradável (lembrava o banco do 206 Feline, o que se configura um elogio). A posição de dirigir é, literalmente, o ponto alto desse carro (faz o Gol sentir vergonha da regulagem de altura do banco).

– O desenho externo e interno do carro, com alguns cromados espalhados, bem como o iceblue dos faróis, faz com que eu considere o pequeno Chevrolet um carro bonito e correto, sem vincos exagerados. Mas beleza é subjetivo. Atendimento no pós-venda, não.

– Moro no norte do ES e aqui o atendimento funciona bem. Os preços de revisões (muito superiores ao do HB20) ficaram sempre dentro do estipulado pelo site da marca. Estas são agendadas por um central que faz o controle, avisa por SMS a proximidade das paradas obrigatórias. As trocas de óleo foram realizadas dentro das revisões a cada 10.000 km, já que rodo muito. A sugestão de trocas regulares a cada 5.000 km não se aplica nesses casos (resposta que obtive junto ao SAC Chevrolet). Realizei sempre a revisão básica, sem acrescentar quaisquer necessidades. Até agora, mecanicamente, só sossego e paz.

Conclusão

É um carro que ajudou a melhorar o nível dos compactos no Brasil, robusto e confiável (o desmonte da Quatro Rodas ajudou a confirmar essa sensação), além de bem equilibrado esteticamente. Recebeu itens importantes (controle de som no volante e abertura interna do porta-malas – já possuía o controle na chave) e perdeu outros (porta revistas atrás do banco do motorista, corda de sustentação da tampa traseira – manteve apenas um dos lados). É estável e possui valores de seguro e revisões na média dos rivais.

Se não fosse o motor de concepção antiga (também de baixa cilindrada) e os sucessivos aumentos de preços (mal que acometeu a quase todos os carros vendidos no Brasil) o Onix seria um carro de melhor custo-benefício. Porém, diante dos requisitos básicos que nortearam minha compra, apresentou qualidades suficientes para me considerar satisfeito. Ainda consideraria o New Fiesta e outros dois usados: Focus Titanium e Golf Highline, (até procurei modelos 2012, antes da compra, mas não encontrei boas opções). Se eu compraria outro Onix? Sim pelo produto, mas não pelo preço praticado.

Por Felipe Rangel

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