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Carro da semana, opinião de dono: Ford Focus sedã GLX 2010

Carro da semana, opinião de dono: Ford Focus sedã GLX 2010

Em setembro/10 buscava um sedan médio para minha mãe, que pudesse ocupar a vaga deixada pelo Polo Sedan 2007 que a habitava anteriormente. Foram alguns meses de busca e alguns candidatos. O objetivo era gastar no máximo 60 mil reais.


Começamos a procura por uma concessionária Fiat, em busca de maiores detalhes do Linea, que havia sido muito bem recomendado por um parente próximo. O Fiat havia acabado de receber o novo motor 1.8 16v Etorq e, o modelo escolhido era o HLX (não mais comercializado hoje) com câmbio Dualogic e alguns pacotes opcionais, que não recordo exatamente os nomes. Entretanto, o preço final era de salgados 64,8 mil reais, considerando a pintura metálica.

Na Chevrolet, o escolhido seria um Vectra Elegance com câmbio manual na cor prata. Achei o carro bastante espaçoso e com bom acabamento. Já trazia AC digital, e rádio com USB/SD e comandos no volante – itens que foram cotados como opcionais no Linea. O preço final era de 63 mil reais. E já havia fortes rumores da vinda do Cruze, sedan que substituiria o Vectra. Penso que até poderia ser uma ótima compra, se fosse oferecido bons descontos por ele. O que não estava acontecendo.

É importante salientar que tanto o Nissan Sentra quanto o Kia Cerato estavam nas listas de opções e tinham versões muito interessantes nos preços em que estávamos dispostos a pagar. Entretanto, por não haver concessionárias num raio de 90km da nossa residência, foram descartados pois poderiam trazer gastos extras na hora das manutenções programadas pela garantia e/ou necessidade de reparos emergenciais. Provavelmente por esta razão, estes dois carros são bem difíceis de serem vistos pelas ruas de minha cidade.


Carro da semana, opinião de dono: Ford Focus sedã GLX 2010

Honda Civic e Toyota Corola também foram descartados por terem preços acima do que estávamos buscando na época. Eis que, em visita a autorizada da Ford, achamos o carro que seria o sucessor do nosso finado VW Polo Sedan. O escolhido foi um controverso Ford Focus Sedan GLX 2.0 Flex na cor Prata Madrid. Há quem diga que o design da traseira esteja muito aquém do que a dianteira prometia. Porém, é questão de gosto. Foi unanimidade na escolha, pelo preço de 61 mil reais.

A negociação foi tranquila e, da parte da concessionária, “ganhamos” o emplacamento, IPVA do resto do ano, sensor de estacionamento e insulfilm. Tratando do carro em si, já são 2 anos e meio e 30 mil km de muitas alegrias e algumas tristezas. Vamos aos fatos.

ACABAMENTO: O carro traz acabamento correto e bem montado. Apresenta material emborrachado preto em toda parte superior do painel, de toque e textura agradável. A parte inferior é num tom cinza, porém de plástico rígido. Mesmo assim, os arremates são corretos e não há presença de rebarbas. O grande revés do acabamento são os painéis das portas, que, apesar de combinarem tanto em cor quanto em textura com o resto do painel, são de materiais muito mais frágeis e fáceis de riscar. A maçaneta interna é de um plástico rígido preto, digno de carro popular (até meu Sandero tem a maçaneta mais elaborada que a do Focus). Os bancos tem visual aprimorado, porém com tecido bastante áspero nesta versão, mas com espuma de densidade correta e bem confortável.

Carro da semana, opinião de dono: Ford Focus sedã GLX 2010

ERGONOMIA: Os comandos estão todos bem localizados e sempre a mão do motorista. As regulagens de altura e profundidade do volante, somadas as regulagens do banco do motorista, torna fácil a missão de encontrar uma boa posição para dirigir.

INTERATIVIDADE: Eis um outro ponto negativo do carro, ao meu ver. O rádio, apesar de ler arquivos MP3, não oferece nada alem de uma entrada auxiliar. O som, em si, é ótima qualidade, porém, a falta de outras fontes de captação de áudio é sentida. Entretanto, como o carro é de uso da minha mãe, e ela não vê problemas nisso, esse ponto não foi levado em consideração na hora da compra. Por outro lado, um outro ponto agradável do Focus são os 3 modos de condução pré-configurados na direção elétrica. O modo conforto alivia a força necessária para algumas manobras. Já o modo esportivo, enrijece a direção, trazendo mais segurança em rodovias, por exemplo. Já o modo normal, o mais utilizado aqui, é uma solução intermediária entre os dois extremos.

ESPAÇO INTERNO: O entre-eixos de 2,64m é traduzido em um espaço interno suficientemente confortável para 4 pessoas. O 5 passageiro, devido ao elevado túnel central, tem o conforto prejudicado. A observação negativa é que pessoas mais altas podem ficar com a cabeça raspando no teto, na parte de trás.

SEGURANÇA: O Focus traz de série o que daqui a alguns meses será obrigatório em todos os carros novos. Estão presentes o airbag duplo, freios ABS+EBD+CBC (CBC = Cornering brake control – funciona em conjunto com o ABS e oferece um auxílio para frenagens de emergência em curvas) e cintos de segurança de 3 pontos e apoios de cabeça para os 5 ocupantes.

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MECÂNICA: Eis aqui um quesito onde há muito a ser dito. Os números do Duratec HE 2.0 16v são muito animadores. Chegam a 148cv e 19kgf.m com etanol no tanque. Entretanto, é preciso deixar claro que este carro sofre com transtorno bipolar. Apesar dos números favoráveis, tanto torque quanto potência máxima são obtidos em regime elevado de rotação, na casa dos 5500-6000 rpm. E, talvez pela falta de um comando de válvulas com variação de fase, o desempenho em baixas rotações é pífio. Até as 2000 rpm o carro se arrasta. Para saídas mais rápidas, faz-se necessárias grande pressões no acelerador. Entre 2000 e 3000 rpm, as respostas melhoram substancialmente e as retomadas são boas. Entretanto, é só a partir dos 4000 rpm que o carro se transforma. Entre 4000 e 6200 rpm as respostas e retomadas são excelentes. Pesquisando internet afora, surgem alguns sintomas dos causadores de tal bipolaridade. Há quem diga que seja pelo lag do acelerador eletrônico, a anteriormente dita falta do variador de fase no motor e, até mesmo, a programação da central eletrônica do carro.

Para ajudar (ou não) no comportamento diferenciado do carro, o câmbio manual, que tem engates macios e precisos, apresenta um escalonamento diferente do usual aqui no Brasil. O Focus 2.0 traz um câmbio do tipo 4+E, ou seja, são 4 marchas normais e a 5ª marcha tem a função overdrive (ou economia). Em 5ª marcha e 100km/h, o motor trabalha na casa das 2800 rpm. A 120km/h, chega a 3200 rpm.
Contudo, não acho que o desempenho seja ruim, sequer na cidade. A diferença é que faz-se necessário trabalhar bem o câmbio para ter um desempenho satisfatório. Apenas como uma comparação pessoal que já fiz, eu uso menos o câmbio no meu Sandero 1.0 (devido as relações bem curtas) do que no Focus. Talvez este seja o motivo de muita gente dizer que o Focus tenha um desempenho inferior ao esperado.

O conjunto de suspensão McPherson na dianteira e Multilink na traseira conseguem um ótimo compromisso entre conforto e estabilidade. O carro, aliado aos pneus de 16” 205/55 parece andar sobre trilhos, mesmo em situações mais adversas.

CONSUMO: Nos primeiros meses com o carro, o consumo era apavorante. Não havia entendimento entre motorista/carro (quer fosse eu, ou minha mãe, a dona do carro, de fato) e a conta do desentendimento era paga a cada abastecimento. Após alguns meses e experimentações, consegui melhorar expressivamente o consumo tanto na cidade quanto na estrada. É possível fazer hoje, médias entre 8,5 e 10km/l na cidade e entre 13 e 14 km/l na estrada – houve apenas um tanque em que consegui a média de 15,6km/l em percurso rodoviário, que nunca mais consegui atingir, portanto, considero como um ponto fora da curva. Sejam os números que forem, também não são dignos de um prêmio de economia. Entretanto, analisando todas características do carro, do combustível e do conforto que ele oferece, considero que seja um número bem aceitável.

Carro da semana, opinião de dono: Ford Focus sedã GLX 2010

DEFEITOS APRESENTADOS: Eis agora o lado escuro do carro. Desde a retirada da concessionária, foram diversos defeitos e problemas apresentados. Antes dos 1000 km, o problema mais grave apareceu. O câmbio manual simplesmente não engatava nenhuma marcha em determinados momentos. Como o problema era intermitente, foi difícil o diagnóstico por parte da Ford. Somente na terceira visita à concessionária para tentar solucionar o problema é que eu pude ver o problema. Ao sair de casa com destino à concessionária, notei uma grande quantidade de óleo no chão da garagem. No elevador, foi constatado que um anel de vedação da caixa de câmbio veio com defeito de fabricação e permitia o vazamento do óleo e, com o aumento da temperatura e o consequente ‘afinamento’ do lubrificante, o vazamento tornava-se mais intenso, o que causava a dificuldade no engate das marchas. Foram necessários 15 dias de espera para que a troca, tanto do anel de vedação quanto do óleo da caixa de câmbio fossem realizados em garantia. Desde então, nenhum outro problema no câmbio foi notado.

Após a primeira revisão, de 6 meses, o painel da porta do motorista se desprendeu. Houve muita insistência por parte da assistência, de que tal defeito era devido ao ‘mal-uso do produto’ e alegaram até que a culpa era do instalador do insulfilm, que havia montado a porta incorretamente. Desculpa que foi prontamente refutada, visto que o insulfilm foi ‘cortesia’ da concessionária, portanto, a responsabilidade era deles também. Alguma argumentação foi necessária para que o conserto fosse realizado em garantia. Até então, continua bem preso.

Houve por parte da Ford, um comunicado interno que permitia a troca, em garantia, do par de amortecedor dianteiro, para aqueles veículos que apresentassem barulhos em demasia na suspensão dianteira. Meu carro era um deles. Logo que soube desta informação, marquei uma hora para vissem a possibilidade da troca. Depois de deixar o carro o dia inteiro lá, não constataram nenhum barulho. Somente na 4ª visita ao concessionário e munido de tal comunicado interno da Ford, que achei na internet, é que consegui a troca. Mas não antes de chamarem o gerente para me questionar a veracidade e a maneira que consegui aquele documento, que, segundo ele, é altamente sigiloso e não deveria estar em minhas mãos. Houve até desconfiança que algum funcionário da concessionária havia me repassado a informação. Depois de algum estresse, a encomenda e a troca foram feitas.

Vale ressaltar que, quer seja nas revisões ou nas visitas extras que fiz a concessionária para sanar os problemas, nunca houve por parte da concessionária qualquer contato, seja para avisar que o carro estava pronto ou para avisar que determinadas peças que foram encomendadas havia chego. Todo interesse surgia de minha parte. Era até chato ter que ficar ligando diversas vezes para ter uma posição a respeito dos serviços. Outro problema chato e que poderia vir a causar transtorno no futuro, eram as porcas das 4 rodas. Assim como outros carros Ford, as rodas são presas por porcas. No caso do Focus, elas são revestidas com capinhas cromadas, a fim de dar uma aparência legal.

Carro da semana, opinião de dono: Ford Focus sedã GLX 2010

O problema é que quase todas as capas das porcas das rodas já se perderam pelo caminho. Na Ford, há a troca por porcas iguais, com as mesmas características. Ou seja, não demorão muito para se perderem também. O problema maior é que, sem as tais capinhas, a chave de roda não serve. Ou seja, se precisar fazer uma troca emergencial do pneu, e houver alguma porca sem a capa, não há como troca-la. Resolvi comprar no mercado paralelo, porcas específicas para o Focus, que também são cromadas, mas são maciças. Até então, não tive mais problemas também.

Para finalizar, alguns grilos resolveram se instalar no interior do carro. Mais precisamente, são 3. Um que vem do retrovisor externo do lado do motorista (há um tutorial na internet para resolve-lo, mas ainda não me arrisquei). Outro mora na coluna central, perto do cinto de segurança e o terceiro, vem das pastilhas de freio da roda dianteira esquerda. Por algum motivo, em ruas de pedra, há um barulho muito chato vindo de lá. Basta um leve toque no pedal de freio para que o barulho acabe. Tenho solucionado este problema a cada vez que faço o alinhamento, quando peço ao técnico que desmonte a roda e ‘prenda’ o conjunto. Entretanto, depois de algum tempo, acaba voltando. Ainda não tenho uma solução definitiva para o barulho.

CONCLUSÃO: Com relação ao Focus, felizmente já pude notar que muita coisa já melhorou (mesmo na atual geração). Tive a oportunidade de dirigir por cerca de 1000km um Focus Hatch, também 2.0, porém modelo 2013 e notei que alguns avanços foram feitos, apesar de, por exemplo, a mesma maçaneta interna simples e o mesmo acabamento da porta ainda estarem lá. No que diz respeito à interatividade, desde o Focus mais básico, hoje, o MyConnection, que traz comandos de som atrás do volante, entradas USB/AUX/BLUETOOTH e comandos por voz está presente como item de série. Assim como sensores crepuscular e de chuva e retrovisor interno eletrocrômico.

Há também chave presencial e partida do motor através de botão. Porém, a melhor mudança a meu ver, diz respeito ao desempenho. É notável a melhora da resposta do carro em baixas rotações. Entretanto, a custa disso, o desempenho em altas rotações foi piorado. A impressão que tive é que houve uma nova calibração do acelerador eletrônico e/ou alguma nova configuração que ‘planificou’ a curva de torque do motor, fazendo com que o carro seja mais previsível e constante.

Apesar de inadmissíveis em um carro deste valor e porte, todos os problemas apresentados, mesmo que sob algum estresse, já foram resolvidos ou estão nas vias de fato da solução. Contudo, continuo achando o Focus um excelente carro, porém, por vezes tive a sensação de que a Ford não explora bem o produto que tem em seu portifólio. Talvez um pouco mais de atenção aos detalhes do carro, bem como uma melhora expressiva no pós-vendas, poderiam fazer do Focus uma referência tanto em vendas quanto na categoria em que está inserido.

Assim como disse no relato do meu Sandero, hoje, provavelmente, o Focus não seria o escolhido. Primeiro porque as opções aumentaram. Novos players como o Fluence, 408, Cruze e Jetta, por exemplo, também entrariam na disputa. E, em seguida, minha mãe, atualmente, não mais compraria um sedan médio. Provavelmente algum hatch ou SUV pequeno estariam no top 3.

Por Silas Rana

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