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Carro da semana, opinião de dono: Renault Fluence GT 2013

Carro da semana, opinião de dono: Renault Fluence GT 2013

O Renault Fluence GT é um carro que desperta paixão ou aversão logo à primeira vista. Seu visual corpulento, dotado de acessórios aerodinâmicos em relação aos seus irmãos “civis” pode denotar uma certa pretensão do sedã em ser mais do que é. Mas seu coração não deixa mentir. È debaixo do capô que mora seu verdadeiro ímpeto por velocidade e emoção.


Antes de prosseguir, deixe-me contar como conheci o carro e o que me levou a optar por ele. Há algum tempo, se não me engano em agosto de 2013, fiz um relato publicado no NA sobre meu antigo carro, um Nissan Tiida deste mesmo ano. Após cerca de 30.000km rodados com o japonês, sentia o desejo por mais algo que pudesse despertar maior emoção na condução diária. Logo de cara, pensei na família turbinada VW.

Peregrinei em duas concessionárias da marca em Porto Alegre, tentando conhecer mais sobre o Jetta TSI, o Fusca e o recém chegado Golf VII (mesmo os vendedores sabendo tanto sobre os carros quanto um alienígena recém chegado à Terra). Até gostei dos Jetta e do Fusca, mas seu acabamento um tanto quanto simples me desanimou. Não me sentia confortável pagar mais de R$ 86mil por um carro com aparência frágil na minha opinião, mesmo animando em seus test drives.

Carro da semana, opinião de dono: Renault Fluence GT 2013


Já o Golf me agradou, mas devido a ser um recente lançamento não tinha nenhum veículo disponível para test drive. Como havia recebido uma proposta interessante pelo Tiida, não queria esperar muito e perder este possível comprador. Outro ponto que me desanimou foi a dificuldade em encontrar qualquer um destes carro com câmbio manual, que era o que eu estava procurando.

Que outro carro pudesse satisfazer esta vontade de ter um carro mais forte, e que valesse a pena a troca pelo Tiida? Pensei nos anabolizados Bravo e Punto T-Jet. Mas após um extenso test drive nos dois veículos, vi que eles estavam mais para recém iniciantes em uma academia fundo-de-quintal do que os halterofilistas que eu imaginava que eles eram, embora seus acabamentos fossem, visualmente, superiores aos VW (questão de gosto mesmo). Cogitei também um DS3, mas nem me prestei a ir conhecê-lo pessoalmente, pelo fato de que eu estava procurando algo maior.

Certo dia, já quase desistindo da procura, passei em frente à uma concessionária Renault da cidade que exibia dois exemplares 12/13 do Fluence GT, um branco e outro preto em seu pátio de seminovos. Na hora me lembrei do carrro e de sua propaganda com o finado Paul Walker, remetendo à esportividade e potência. Após conhecer o veículo em detalhes e um test-drive animador, estava quase certo da troca.

Carro da semana, opinião de dono: Renault Fluence GT 2013

O veículo em questão estava com apenas 760 km rodados no hodômetro (confirmados via scanner pelo meu mecânico de confiança), visto que era um dos exemplares que ficavam nos showrooms desta rede de lojas. Ele estava com a tentadora etiqueta de R$ 69.900, frente a R$ 84.000 que era cobrado na época pelo modelo zero quilômetro. Após sua procedência e qualidade confirmados fechamos negócio. Enfim, chega de balela e vamos ao carro:

PONTOS POSITIVOS

Conjunto mecânico: O casamento de motor e câmbio, suspensão, direção e freios combinam perfeitamente. Sua suspensão, dianteira McPherson e traseira por eixo de torção, é bem calibrada e concilia como deve conforto de rodagem e estabilidade. A assistência elétrica indexada à velocidade está na medida certa, com uma leveza e maciez de faca quente na manteiga para manobras e direção na cidade até 40km/h, e na aspereza correta em velocidades de cruzeiro.

Com 180 cv disponíveis a 5.500 rpm e 30,6 mkgf a 2.250 rpm, proporciona uma aceleração agradável, que proporciona até um certo frio na barriga nas puxadas mais fortes. O 0-100 km/h declarado pela fábrica em 8 segundos mostra-se como um bom número, embora desfrutemos pouquíssimas ou nenhuma vez desta habilidade na cidade. Sua embreagem, calibrada para trabalhar com este grande torque é leve em situações normais; apenas em engarrafamentos ela se mostra mais pesada que outros carros, tranformando-se em uma mini-academia para sua perna esquerda. Na estrada, as ultrapassagens tornam-se fáceis, até mesmo agradáveis.

Viajando em 6ª marcha a 120km/h, em uma situação de ultrapassagem tranquila, uma diminuição para a 5ª e sua velocidade sobre para 150km/h – 160km/h com extrema facilidade. Se precisarmos de uma certa urgência, nada que uma 3ª ou 4ª marcha, subindo o giro do motor para 5000rpm não ajude. Agora, para situações como a última enfrentada na volta da praia, de estrada com 3 pistas muito movimentada e outros nobres motoristas alugando a faixa da esquerda a 80km/h, manter o Fluence em 5ª marcha e sempre por volta de 3500rpm é uma delícia. Conseguimos manter uma tocada agradável retomando de 80km/h para 120km/h em poucos instantes.

Conforto: Em viagens, o Fluence mostra o seu verdadeiro valor. Seus bancos de couro com a densidade muito agradável, apoios laterias generosos e largura agradáveis proporcionam conforto de poltrona para seus ocupantes. Em sexta marcha, mantendo 120km/h no controle de cruzeiro (este, acionado de maneira não convencional, em um botão ao lado do freio de mão – mas nada que atrapalhe), o giro do motor fica em apenas 2600rpm, com silência absoluto na cabine.

O ar-condicionado, digital bi-zone funciona muito bem. Nestas últimas semanas de calor extremo ele tem proporcionado um conforto excelente, sempre trabalhando de maneira rápida e eficiente. O porta-malas, embora com braços inteiriços que atrapalham quando está ele cheio, comporta até 530 litros. Sua suspensão me parece muito bem calibrada, proporcionando maciez de rodagem e não denunciando de maneira escancarada buracos e deníveis das vias. O farol de xenon ilumina muito bem. Mesmo com sensor de luminosidade, procuro o manter sempre ligado, facilitando minha visualização por outros motoristas que não costumam olhar seus retrovisores ao mudar de faixa.

Tecnologia: Neste quesito, o Fluence premia quem deseja uma experiência mais entusiasta, mas já não é tão gentil aos maníacos por gadgets. Para o som, uma entrada USB e outra auxiliar – e só. No centro do painel uma tela de cristal líquido de 5 polegadas serve ao navegador GPS Carminat TomTom de controle remoto, fácil de operar e muito eficaz, bem como às funções de áudio. Mesmo não sendo touchscreen, sua operação pelo controle é muito fácil.

Os dados do computador de bordo são bem visíveis num mostrador à direita do velocímetro digital, à esquerda deste o conta-giros de bom tamanho com ponteiro na vertical quando a rotação for 6.000 rpm. No interior do instrumento, o indicador de troca de marcha, para cima ou reduzir, representado por uma alavanca de câmbio, setas para cima ou para baixo acendendo conforme a situação. É adaptativo, indica as trocas conforme o estilo de dirigir.

Controle bluetooth ao lado direito do volante, este de muito boa empunhadura, com comandos de + e – para o controle de cruzeiro à esquerda. O sistema keyless traz uma conveniência muito boa. Ao chegarmos ao lado da porta com a o cartão no bolso, basta uma puxada na maçaneta para destrancar e outra para abir a porta, muito prático. Sensores de luminosidade e de chuva tamém funcionam de maneira adequada, com as palhetas limpadoras sempre na velocidade e intesidade adequadas para o volume de água.

Sensor de estacionamento traseiro ajuda nas manobras, ainda mais pela traseira do sedã ser bastante elevadas, dificultando a visão pelo retrovisor central. O controle de estabilidade é bem invasivo, basta apenas uma pequena perda de aderência para que o motor seja cortado sem piedade. Para quem procura um carro para track days não é o recomendado, pois limita bastante o desempenho do carro nas pistas, mas é algo que eu já não me importo mais, até me sinto mais seguro durante viagens mais longas.

Consumo: Com média na cidade de 9 litros/100km (por volta de 11 km/l) e de 6 litros/100km (cerca de 16,5km/l) na estrada, o Fluence mostrou-se muito equilibrado. Utilizo apenas a Podium da BR ou a Premium da Ipiranga. Acredito que a utilização do combustível recomendado ajude nas médias, mesmo com preço quase R$0,80 mais caro que a gasolina comum, utilizando a Podium como comparação (média de R$2,89 Comum, R$3,39 Premium e R$3,69 Podium).

Carro da semana, opinião de dono: Renault Fluence GT 2013

PONTOS NEGATIVOS

Manutenção: Passou apenas pela primeira revisão (o carro está atualmente com 12.000kms), com preço fechado de R$288,00. Pude acompanhar o processo junto aos mecânicos, estes muito bem treinados e solícitos às perguntas dos clientes. Até os 50.000kms, as 5 revisões programadas terão custo total de R$2.812, que eu considero excelente.

Mesmo tendo este plano de manutenção, considero como ponto negativo a manutenção, pois TODOS os Fluence GT devem fazer a troca da bomba de combustível, substituindo o modelo que equipa as outras versões por outra que permite um maior fluxo de combustível. Como este motor exige mais da bomba de combustível, o modelo tradicional queima após alguns quilômetros rodados por esta funcionar sempre em sua capacidade máxima.

A Renault deveria publicar um recall público, mas acredito que pelo baixo número de exemplares vendidos, cerca de 60 mensais, esta troca estava ocorrendo apenas na primeira revisão. A minha queimou com cerca de 2.000km rodados. O carro não ligava e a luz da injeção permanecia acesa. Após o carro ser guinchado e ficar 3 dias na concessionária para a troca do equipamento, nunca mais apresentou nenhum problema.

Altura de rodagem: Embora o carro não seja tão baixo como as gerações passadas da Peugeot, sua altura exige um certo cuidado ao entrar e sair de garagens, passar lombadas e outros desníveis. Esta característica já quebrou os dois lados do spoiler dianteiro, como visto na foto. Até procurei por uma peça nova na concessionária, mas após ouvir o preço de R$960 por uma simples peça plástica, desisti da troca, a mantenho firme com um bom traço de super cola.

Desvalorização: Com apenas alguns meses de fabricação e menos de mil quilômetros rodados, o carro estava anunciado por R$ 15.000 a menos de seu preço de zero quilômetro. Isto pode afastar alguns consumidores, mas eu realmente não levei em conta esta questão. Estava procurando um carro que me satisfizesse em todos os sentidos, e não procurando um carro para revender em seguida. P.S.: Ponto para a concessionária, que podia muito bem expor os carros no saguão dos 0Km e cobrar o preço normal.

RESUMO

Mesmo não sendo um super esportivo, o Fluence GT entrega um bom desempenho por um preço adequado. A disponibilização de câmbio manual aliado a um motor turbo com excelente torque é um diferencial e tanto para quem procura um carro para a família como um carro para se divertir de vez em quando. Como um todo, é um sedã altamente recomendável e merecedor de entrar na lista de desejo de muitos. Tem boa garantia, três anos ou 100.000 km.

Por Tiago Decimo

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