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Carro da Semana, Opinião do Dono: Kia Picanto 2008

Depois de 3 anos ao lado do meu Kia Picanto 1.0 manual, é chegada a hora de passá-lo adiante, e também de deixar um relato completo aos amigos sobre o carro e a marca. Vamos lá:

Escolha e compra do carro:


Em abril de 2008 fui contemplado em um consórcio com valor equivalente a 112% de um Celta Spirit daquele ano, mais ou menos R$ 32.000,00. De posse do valor da carta, dei início à pesquisa por um modelo que se adequasse às minhas necessidades.

Na época eu era solteiro, e logo não precisava de um carro grande. O grande uso seria de casa para o trabalho, do trabalho para a faculdade e da faculdade para casa. Como morava longe do trabalho, não tinha muito dinheiro sobrando e ainda levaria um bom tempo para quitar a carta (fui contemplado no início, faltavam ainda mais de 4 anos) o mais importante aqui seria aliar conforto com economia de combustível em um carro 0 km.

Logo descartei os usados e seminovos com motor maior e mais equipados por que sabia que precisaria ficar pelo menos 3 anos com o carro (se adiantasse a quitação da carta) e um carro de 2004/2005 dali 3 anos seria um carro com 6, 7 anos de uso, desvalorizado e com maior custo de manutenção.


Minha opção seria, então, um compacto 1.0 ou 1.4 equipados.

Para minha surpresa, descobri que minha carta de crédito não conseguiria comprar um carro 0KM com os equipamentos que gostaria. Na época cotei os principais populares com os “opcionais” ar condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, rodas de liga-leve, rádio e (se disponível) airbag duplo.

Nacionais como o Palio 1.0 (não era nem o 1.4) com esses equipamentos sairiam pela bagatela de R$ 42.000,00. R$ 10.000,00 além do que eu tinha em mãos. Gol G4 eu não considerava opção. O recém lançado Ka tinha uma fila de espera de 4 meses para a entrega, mas custaria exatamente os R$ 32.000,00.

Eis que, lendo na internet, descubro o Picanto, na época vendido a R$35.900,00 completo. Ar condicionado, direção elétrica, vidros elétricos nas 4 portas com opção 1 toque para o motorista, travas e retrovisores elétricos, rodas de liga-leve 14’, rádio CD player integrado ao painel com entrada USB e conexão para iPod com cabo exclusivo, airbag duplo, piscas no retrovisor, alarme na chave, direção regulável em altura, banco traseiro bipartido e rebatível em 3 níveis, abertura interna do tanque de combustível, faróis de neblina e desligamento automático dos faróis.

Enfim, o mais completo da categoria, com outro nível de acabamento e por um preço pouca coisa maior do que eu tinha em mãos (detalhe: pagando mais imposto que a concorrência), e com 5 anos de garantia.

Conheci o carro na Kia Sun Motors, de Porto Alegre, e foi difícil cogitar outro carro depois. Na época ainda o carro havia acabado de ganhar um prêmio, estava entre os 10 carros menos poluentes do mundo, e havia sido avaliado como o carro mais econômico do Brasil pelo INMETRO. Fechou todas. Peguei a versão manual, de 5 marchas.

Na negociação ganhei apenas o insulfilm e o jogo de tapetes em carpete, originais. O seguro na época saiu por R$ 1.600,00. Hoje, no terceiro ano de uso pago em torno de R$ 1.300,00.

O carro:

O nível de acabamento do Picanto é outro, se comparado com os compactos da época. E se manteve exatamente igual desde o primeiro km até hoje, depois de quase 60.000km, sem grilos ou ruídos. O plástico do painel é duro, aceitável para um carro dessa categoria, mas possui uma textura agradável, que tem um grande pró: não risca. Isso deixa o carro com um aspecto de novo, mesmo depois de bastante rodado, como vocês podem ver nas fotos.

O painel tem detalhes em plástico que imita aço escovado, de boa aparência, e a base em tom mais claro torna o habitáculo como um todo mais agradável. As maçanetas cromadas dão um toque especial na cabine.

Ponto contra apenas os bancos, que, nesse tom de cinza, são mais suscetíveis à sujeira – várias vezes pensei em fazer uma geral e pagar para limpar o estofamento, mas acabei nunca fazendo isso.

A direção é muito leve, e as dimensões reduzidas do carrinho o tornam muito agradável para os movimentos da cidade. Não existe baliza onde ele não caiba, e a agilidade dele no asfalto é imbatível. Em alta velocidade ela não é molenga, é bem agradável e transmite confiança até os 130km/h.

O rádio CD com entrada USB e para iPod é muito bom, um capítulo à parte. Meu iPod acabou morando ali nesses três anos, em um espaço feito especialmente para ele, na frente do câmbio. A integração é total, o rádio lê músicas, artistas, playlists, gêneros, e tudo é controlável pelos grandes botões do sistema.

O equipamento de fábrica vem com quatro auto falantes, um em cada porta. Sinceramente só sinto falta de dois tweeters na frente, para cuidar dos agudos, mas nada que incomode de verdade. Muitos proprietários reclamam da grande antena no teto, dizendo que ela é muito grande. É grande mesmo, mas nunca me incomodou.

O ar condicionado gela muito bem e muito rápido, mas o principal benefício, a meu ver é a pouca perda de potência do motor com o acionamento do ar – com até duas pessoas a bordo praticamente não existe variação de performance e pouquíssima diferença no consumo.

O único incômodo é uma leve trepidação na marcha lenta, com o ar ligado, mas nada que incomode, pois o nível de ruído do Picanto em marcha lenta é muuuito baixo – tão baixo que já cansei de deixar o carro ligado em estacionamento, na mão de manobrista e escutar eles “queimarem o motor”, ligando a chave novamente por pensar que o carro estava desligado (tamanho é o silêncio).

O conjunto câmbio/embreagem é muito bom também, os engates são relativamente curtos e muito suaves. A embreagem é macia e os engates precisos. Agora, próximo dos 60.000km rodados, o câmbio começou a endurecer um pouco, acredito que na próxima revisão a embreagem vai sofrer manutenção para voltar ao que era.

Os pneus originais são um problema. A medida, 165/60 R14 é muito própria do carro, é um pneu fino, mas de perfil baixo (que combina com o carro), mas que, em conjunto com a suspensão durinha deixa o andar mais para esportivo do que voltado para o conforto.

Para piorar, a banda lateral desse pneu original me pareceu muito frágil: com poucos meses já tinha 3 bolhas nos pneus. Por segurança, troquei os quatro por pneus 186/60 R14 (queria 55, mas não achei no mercado) da Yokohama.

Por serem mais largos – e em conjunto com as rodas de liga-leve de bitola curta (5,5) – os pneus novos deixaram ele bem diferente, com um aspecto de “pneu meia bomba”, parecendo meio vazios.

Informei-me e, como isso não traria problemas para o carro e eu não estava disposto a trocar as rodas por uma bitola mais larga, ficou assim mesmo. O pneu maior não raspa nem com o carro cheio (testei com 4 pessoas + bagagem), apesar de ficar perto do limite.

Os pneus novos deixaram o carro bem mais estável (não que ele não fosse), mais seguro nas curvas e um pouco mais confortável ao passar nas crateras brasileiras.

O estepe é daqueles provisórios, quase um pneu de bicicleta, com velocidade máxima de 80km/h. Precisei usar uma vez e, sinceramente, gostei da solução. Não rouba muito espaço do carro, cumpre sua função e ainda não atrai a atenção dos ladrões de estepe que invadiram Porto Alegre.

Comprei o Picanto evidentemente sabendo que se tratava de um carro bem compacto (para não dizer pequeno), mas me surpreendi bastante com a mobilidade do interior, de modo que, nesses três anos, não me faltou espaço.

E olha que fiz mudança com o carro e carreguei muita coisa dentro dele. Os bancos traseiros, além de bipartidos, possuem três níveis de inclinação, o que pode trazer mais espaço para bagagem ou para os passageiros, e com os bancos totalmente rebatidos o piso é praticamente plano, e o espaço para bagagens dispara.

O espaço traseiro é um pouco menor do que a média do mercado – já andei em carros mais apertados (o ka atual me pareceu menor, por exemplo). Já levei várias vezes quatro pessoas no carro, cinco dificulta. São dois encostos para cabeça no banco de trás e o cinto central é subabdominal (no novo Picanto isso mudou).

Performance:

Como disse, esperava um carro confortável e econômico. Mas levei mais. O Picanto se mostrou nesses três anos um carro excepcional no trânsito da cidade. A agilidade dele no anda-pára é muito boa, e o motor rende muito bem quando está entre as 2500 – 3500 rotações, ou seja, não precisa esticar muito às marchas para ter agilidade e segurança no trânsito.

O torque está todo disponível já com 3000 rotações, a propósito. Uma frase comum entre os motoristas do Picanto é que ele arranca com as motos nos semáforos, sem pisar, ao natural. Não sei quando ele faz de 0-60km/h, mas deve ser muito pouco – daí para cima é que ele fica mais “1.0”.

Não sei como, mas os 64cv desse carrinho se mostraram muito suficientes. Fico pensando como anda o novo, com seus 80cv. O bloco é todo de alumínio, e tem 12 válvulas, e – não que isso seja grande coisa -, mas, como ele é leve (890kg), a relação peso/potência acaba sendo próxima de um idea 1.4, por exemplo.

Isso faz com que ele ande mais do que os nossos 1.0, só que bem mais econômico.

Na estrada ele não decepciona, mas também não surpreende. A 120 km/h o giro beira as 4000 rotações, o que faz com que o ruído interno aumente um pouco. O ideal é andar com ele entre 100 – 110 km/h para não acabar com o motor e tirar o melhor do consumo do carro. Acima dessa velocidade o barulho aerodinâmico também começa a se tornar presente.

Fiz várias subidas para a serra gaúcha com o carrinho, normalmente com 2/3 pessoas + bagagens + ar ligado, e ele sobe numa boa, com tranquilidade e mantendo 80 -100km/h em 4 marcha (pedindo reduções para terceira bem de vem em quando).

O pior dele na estrada são mesmo os ventos laterais: sozinho no carro, a 120km/h, são necessárias correções no volante o tempo todo. Mas o carro é bem estável em curvas, nunca me decepcionou, só depois de colocar os pneus mais largos ele “canta pneus” em curva com facilidade.

Consumo:

Esse é o trunfo principal do carro, especialmente na versão com o câmbio manual. Sempre ando com o ar condicionado ligado – é vício – e normalmente com uma ou duas pessoas na cidade, e as médias em uma condução tranquila (trocas às 2000/2300 rpm) ficam em torno de 13/14 km/l. Pisando um pouco mais e exigindo mais do carrinho ele faz uns 12km/h, para fazer menos que isso tem que se puxar muito. Minha melhor média na cidade chegou aos 14,6km/l.

Mas é na estrada é que ele se revela. Na freeway (Porto Alegre – Osório), com 3/4 pistas em ótimo estado, velocidade entre 100/120 km/h, 2 pessoas + bagagem + ar condicionado fiz 24km/l mais de uma vez. No trecho Osório/Torres (estrada do mar), com pista simples e velocidade máxima de 80/90km/h ele baixa para 19km/l. Nos trechos de subida de serra, também com ar ligado e com as eventuais reduzidas para 3ª marcha ele faz 17/18km/l numa boa.

O consumo – e a boa vida a bordo – é o melhor desse carro, sem dúvida.

Problemas e Assistência Técnica:

Nunca tive nenhum problema grave com o carro. Pequenos detalhes:

• Barulho na suspensão dianteira ao trafegar sobre alguns pisos acidentados e tipos de paralelepípidos – resolvido na revisão de 10.000km.
• Barulho da placa traseira (estava solta na base) – resolvido na revisão de 10.000km (colocaram uma base de EVA sob a placa).
• Barulho no banco do motorista, parecia meio solto – resolvido na revisão de 20.000km, voltou próximo da revisão de 30.000km, e então não voltou mais.
• Pára-brisa dianteiro trincou sozinho no inverno de Porto Alegre, perto dos 40.000km – trocado no dia seguinte pelo seguro (feito dentro da concessionária da KIA).

Sobre a manutenção, a garantia é de cinco anos, desde que todas as revisões sejam feitas na rede autorizada. O preço das revisões não chega a ser caro. Algumas são mais pesadas, mas nada distante da realidade do mercado, ainda mais sendo um carro importado. Na mesma época que comprei meu carro, por exemplo, meu pai comprou um Gol Power G4 1.6 0K/M. Ele gastou quase a mesma coisa que eu em quase todas as revisões, e, em uma delas gastou mais (R$ 1.300,00).

O que me lembro de ter gasto com elas:

1.000km – Meu lote de carro precisou fazer essa pela adaptação do carro ao mercado daqui, foi brinde.
10.000km – R$ 230,00 +/-
20.000km – R$ 300,00 +/-
30.000km – R$ 300,00 +/- + troca das pastilhas de freio (o consultor liga, explica a situação e sugere a troca) – saiu mais R$ 190,00
40.000km – R$ 500,00 +/-
50.000km – R$ 1100,00 +/-

Ainda tem 2 anos de garantia, e as revisões mais caras já passaram. A próxima, de 60.000km, volta para a base de R$ 400,00.

Conclusão:

Depois de 3 anos e meio, não tenho dúvidas de que fiz o melhor negócio possível na época. O Picanto supriu com folga minhas demandas, gastou menos do que eu imaginava e me levou para cima e para baixo com segurança e conforto. Nunca me deixou na mão e foi pau para toda obra.

Não fosse minha necessidade atual de espaço ter aumentado – planos de filho para os próximos anos -, trocaria meu Picanto pelo novo modelo, que cresceu um pouco, ficou mais espaçoso, mais seguro, mais bonito, mais completo e deve andar mais com esse belo novo motor.

Também recomendo a Kia com folga, nesses 3 anos sempre fui muito bem atendido na Sun e na Süd Motors. Espero que isso não mude com essas novas cagadas do governo.

E olha que boa notícia: esse belo Picanto das fotos, super bem cuidado, agora está à venda.

Se alguém se interessar, pode entrar em contato comigo pelo e-mail picanto@joaosilveira.com.
A grana vai servir de entrada para o novo carro da família, provavelmente uma Livina 1.8 automática.

Por João Silveira.

Carro da Semana, Opinião do Dono: Kia Picanto 2008
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