
A indústria chinesa de veículos eletrificados começa a entrar em uma nova fase, na qual benefícios públicos perdem espaço justamente depois de anos de expansão acelerada.
Desde 1º de setembro, baterias de íons de lítio destinadas a EVs e híbridos plug-in voltaram a pagar imposto de consumo na China.
A alíquota foi inicialmente fixada em 2%, mas já existe previsão para que suba para 4% a partir de setembro de 2027.
Esse benefício havia sido criado em 2015, quando as baterias de íons de lítio ficaram isentas do imposto de 4% para estimular o desenvolvimento do setor.
A alteração representa a primeira mudança nessa regra em 11 anos e coloca fabricantes de baterias diante de um aumento direto em seus custos.
Parte das empresas deve repassar a cobrança aos clientes, como a EVE Energy, que pretende acrescentar os 2% ao preço de venda de suas baterias.
Outra redução já aconteceu em abril, quando o reembolso tributário concedido aos exportadores de baterias para EVs passou de 9% para 6%.
Esse benefício também tem prazo para terminar, pois a China planeja eliminar completamente o reembolso destinado às exportações a partir de janeiro.
Pequim, entretanto, pretende preservar vantagens fiscais para tecnologias menos difundidas, incluindo baterias de íons de sódio e de estado sólido.
A estratégia transfere parte do apoio governamental para soluções mais recentes, enquanto as baterias de íons de lítio já ocupam posição consolidada na indústria.
A mudança acontece depois de uma transformação profunda do mercado automotivo chinês, impulsionada por subsídios, benefícios fiscais e rápida multiplicação de novos modelos.
A China terminou 2025 como líder mundial em vendas de veículos de nova energia, incluindo exportações, pelo 11º ano consecutivo.
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EVs e híbridos plug-in responderam por 48% de todos os veículos novos vendidos no país, contra apenas 5% registrados em 2020.
Esse crescimento ajudou a criar uma concorrência extremamente intensa, com várias fabricantes disputando consumidores por meio de lançamentos frequentes, tecnologia e preços agressivos.
Agora, as autoridades parecem buscar uma redução gradual da dependência desses incentivos, considerando que o setor já alcançou escala muito maior.
O impacto também chegará diretamente ao comprador por meio do imposto sobre aquisição de veículos novos, que anteriormente beneficiava totalmente os modelos eletrificados.
Entre 2014 e o final de 2025, EVs e híbridos plug-in ficaram isentos do imposto de 10% cobrado na compra de veículos novos.
Desde janeiro, porém, esses modelos passaram a pagar 5%, encerrando uma longa fase de isenção integral para consumidores chineses.
A próxima mudança está marcada para janeiro de 2028, quando a alíquota subirá para 10%, igualando a cobrança aplicada aos veículos exclusivamente a combustão.
O aumento de impostos ocorre justamente durante um período mais fraco para o consumo chinês, também pressionado pelas dificuldades do setor imobiliário.
As vendas domésticas de veículos de nova energia recuaram 10% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Caso as fabricantes não consigam transferir integralmente os novos custos aos compradores, terão de absorver parte da diferença em suas próprias margens.
Fornecedores também deverão sentir os efeitos, principalmente em uma cadeia produtiva que cresceu rapidamente aproveitando demanda crescente e apoio público durante vários anos.
Um executivo da Contemporary Amperex Technology Co. Ltd. afirmou que as mudanças acabam criando vantagem competitiva para os principais participantes do mercado.
A combinação entre menor demanda e redução dos incentivos pode, portanto, favorecer empresas maiores e mais eficientes, reorganizando novamente o competitivo setor automotivo chinês.




